Pesquisa Cremesp encontra falhas nos CAPs


Uma pesquisa inédita do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), realizada nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) do Estado e divulgada no dia 23 de março, constatou que faltam psiquiatras, atendimento clínico, pessoal capacitado, supervisão, leitos de retaguarda para internações, inclusive acolhimento noturno e plano terapêutico. A conclusão mais grave do levantamento, no entanto, é que falta às unidades articulação com o resto da rede de saúde.
O estudo foi realizado entre 2008 e 2009, em 85 das 230 unidades do estado, o que representa 40% da rede instalada. Também foram avaliados, 425 prontuários. O roteiro de visita do Cremesp teve como referência o cumprimento da Portaria 336/2002 do Ministério da Saúde, que define as regras para o funcionamento dos Caps. De acordo com o conselheiro do Cremesp e psiquiatra Mauro Aranha, ao longo dos últimos anos o atendimento psiquiátrico no país foi concentrado nos CAPs – o que torna ainda mais relevante os resultados da pesquisa. 

Os CAPs fazem parte do programa de saúde mental do Ministério da Saúde e são administrados em parceria com os municípios. Existem hoje no país 1.467 CAPs. Número considerado pequeno pelos psiquiatras, “uma vez que os transtornos mentais são responsáveis por mais de 12% das incapacitações por doenças em geral”, revela o estudo.

Entre as unidades avaliadas, 42% delas não contavam com retaguarda para internação psiquiátrica; 66,7% não disponibilizam atendimento médico clínico e 16,7% não tinham responsável médico; mesmo entre os que tinham responsável médico, 66,2% dos serviços não possuíam registro no Cremesp, o que é obrigatório. “Ao longo dos últimos anos, o atendimento psiquiátrico foi centrado nos CAPs. Mas eles não podem ser capazes de atender todos os níveis de complexidade”, diz Aranha.

A pesquisa foi divida em cinco partes. A primeira faz uma avaliação dos CAPs no Estado de São Paulo; a segunda explica como foi realizada a pesquisa; a terceira parte mostra os principais achados do estudo, como por exemplo, número de profissionais, a inexistência de acolhimento noturno e atividades comunitárias e a falta de supervisão e capacitação das equipes; a quarta parte é dedicada às conclusão da pesquisa e por fim, as contribuições do Cresmesp para a melhoria dos CAPs, a principal deles é de que é preciso consolidar um modelo da assistência à saúde mental em que se apóia na integração à comunidade.

2 thoughts on “Pesquisa Cremesp encontra falhas nos CAPs

  1. Flávia Marisa Uscello Santos da Cunha says:

    concordo com vocês, pois tenho uma filha que frequenta diariamente o CAPS da minha cidade e eu acompanho desde a abertura e realmente existe falta de melhorias desde a estrutura (imóvel adequado) até a falta de mais profissionais competentes na área e todos os ítens acima citados também.
    Sei que aqui o CAPS tem em torno de 1 ano e meio, por isso tenho esperança que tudo mude e melhore logo.
    O CAPS precisa ser um local totalmente estruturado, equipado,com um número maior de funcionários em todas as áreas.Tem que ser um local onde os pacientes possam se recuperar de forma gradativa e positiva dia a dia, por isso precisa ter mais atenção e ajuda da parte do Ministério da Saúde.

  2. lucia says:

    Prezada Flavia,
    a questão da saúde mental no Brasil passou os limites de preocupantes e entrou na esfera de crise instalada.
    O governo não age com eficácia para resolver e a Associação Brasileira de Psiquiatria também não mostra uma posição firme no assunto. Em breve serão realizadas eleições para a Diretoria da ABP e vamos torcer para que a nova direção consiga sensibilizar o governo para os conflitos e necessidades dos doentes mentais e suas famílias.
    Obrigada por participar do blog medicosnamidia
    Abraços
    Lucia Fernandes

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