CFM aponta má distribuição de médicos no país

O número de médicos aptos a atuar cresce em ritmo mais acelerado que o da população, mas a distribuição deles está longe de ser uniforme.

A conclusão é de levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que defende a adoção de políticas eficazes de interiorização do trabalho, além da criação de uma carreira de Estado para os profissionais e a implantação de planos de cargos, carreiras e vencimentos.

Em nota, o CFM afirma ainda considerar “fundamental que os sistemas de assistência à saúde sejam aperfeiçoados, principalmente no interior dos estados”.
De acordo com os dados coletados entre 2000 e 2009, a média nacional é de um médico para cada grupo de 578 habitantes – um índice próximo ao de países como os Estados Unidos, onde a média é de um para 411.
“Não adianta utilizar o mecanismo de revalidação automática do diploma para interiorizar o médico. Nada garante que este profissional não irá recorrer às capitais para se especializar”, afirma o 1° secretário do Conselho, Desiré Carlos Callegari, responsável pela coleta das informações.

Ele também avalia como desnecessária a abertura indiscriminada das escolas médicas, uma vez que o país possui hoje 181 delas e, deste total, 100 foram instaladas na última década. “Observamos que a qualidade do ensino tem caído neste período”, alerta.

A quantidade de médicos no período avaliado aumentou 27%, de 260.216 para 330.825, enquanto a população cresceu aproximadamente 12% – de 171.279.882 para 191.480.630, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Em 2000, havia no país um médico para cada grupo de 658 habitantes; em 2009, a situação passou a ser de um médico para 578 habitantes”, segundo a nota do CFM, que lembra: “A tendência é de que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) seja mais baixo nos países onde há mais habitantes por médico.

Heterogênea – O levantamento, feito com base no endereço de correspondência informado pelos profissionais nos Conselhos Regionais de Medicina do país, aponta heterogeneidade na.distribuição dos profissionais: na região Norte, há um médico para cada grupo de 1.130 habitantes, enquanto na região Sul a proporção é de um para cada 509 habitantes.

O Sudeste concentra 42% da população do país e 55% dos médicos, com 439 habitantes por profissional. No Centro-Oeste, há um médico para cada grupo de 590 habitantes. No Nordeste, um para cada grupo de 894. E no Distrito Federal há um médico para cada 297 habitantes – a melhor média entre as unidades da federação.

Em São Paulo, estado que abriga 21% da população, segundo o estudo, estão concentrados 30% dos médicos, se consideradas as inscrições primárias e secundárias efetuadas em conselhos de medicina.
O número de mulheres registradas no país subiu de 35,5% para 39,8% no período de coleta de informações, aponta o levantamento, enquanto o de médicos cresceu 20,1%.
Segundo o CFM, é fundamental que a estrutura e os recursos tecnológicos da saúde sejam aperfeiçoados: “Não dá para fazer medicina sem investimento. O médico precisa ao menos de uma estrutura básica para atender adequadamente a população.”