Ética médica e liberdade de expressão abrem segundo dia do Seminário Médico/Média

A ética médica, a liberdade de expressão e o sigilo profissional, foi o tema da palestra do médico cardiologista, Roberto D’Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), que abriu o segundo dia do V Seminário Nacional Médico/Mídia, nesta sexta-feira (16/04), promovido pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam), no Hotel Pestana, no Rio de Janeiro 

Segundo ele, o CFM cassa dois médicos por mês, 20 médicos por ano. “Digo isso com tristeza. Os médicos estudam 10 anos para fazer uma bobagem  e serem caçados. Mas medicina não é comércio”. A maioria dos médicos cassados em função de técnicas inadequadas, aborto e propaganda da medicina, explicou Roberto D’Ávila.

Em sua palestra ele disse que como presidente do CFM nunca se escondeu da imprensa, “sempre me coloquei a disposição e na grande maioria fui bem compreendido pela imprensa, o que falei foi reproduzido integralmente respeitando o contexto, mas confesso que em algumas vezes me decepcionei”. E citou como exemplo, sua última entrevista, dada domingo passado, para a jornalista Sônia Bridi, para o Programa Fantástico da TV Globo. A matéria sobre o Código de Ética Médica, que entrava em vigor, ele contou que após duas horas de entrevista, “em que a jornalista mostrava certa animosidade, tentei explicar a ela as dificuldades de trabalho nos hospitais, os baixos salários, mas ela já tinha uma reportagem pronta. Queria saber e o que o CFM iria fazer com os médicos que violam a ética médica. “A jornalista só usou essa parte da entrevista, o que ficou negativo para a instituição que represento. Uma das críticas que recebi, foi de que o CFM deveria aproveitar o momento para defender os médicos que hoje trabalham em condições inadequadas. Em busca da notícia, existem momentos favoráveis para a instituição e, em outros não. Por esta razão, alguns conselheiros não falam, mas deixar de falar é pior”, ponderou o presidente.

Roberto D’Ávila disse que cabe aos CRMs proteger a sociedade e sua função legal é disciplinar, julgar aos que afrontam o Código de Ética Médica. “Por isso me agrada muito esses tipo de discussão. Assim como tem médicos que não respeitam valores éticos, existem também limite para a notícia. Isso precisa ser pensado do lado de quem tem a responsabilidade e o dever de informar”.

Segundo Roberto D’Ávila, a relação médico-imprensa, deve seguir determinados parâmetros, principalmente ligado a ciência e a tecnologia, passamos a ter um poder enorme e podemos fazer praticamente tudo. O médico chega a fazer quase que milagre, graças ao uso da tecnologia que se coloca a favor da sociedade e a imprensa tem o dever de informar. Muitos jornalistas científicos ajudam a divulgar o avanço tecnológico”.

Para o presidente do CFM, as diferenças entre a medicina e a mídia são basicamente: liberdade de expressão e direito de informação, para os jornalistas; e direito a privacidade e a confidencialidade, para os médicos. “Somos confidentes, na maioria das vezes. A nossa intenção é de proteger qualquer informação sobre os pacientes. E está aí a nossa resistência. Os donos da informação não são os médicos. São os pacientes.  O médico só pode revelar se tiver a autorização expressa do paciente, principalmente as figuras públicas, principalmente, cuja revelação da saúde, pode trazer prejuízos a um candidato”. Segundo o presidente do CFM, a mídia deve fazer uma reflexão da sua função social.