Brasil pode ter mais de um milhão de usuários de crack

A epidemia de crack no Brasil levou o Congresso Nacional a lançar a Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack. Em sua primeira reunião, que aconteceu no último dia 5 de maio, estiveram presentes o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, além de especialistas na área como o psiquiatra Pablo Roig e a pediatra Gabrielle Cunha, pesquisadora do Rio Grande do Sul. O Ministro da Saúde afirmou que o governo deve anunciar, nas próximas semanas, um programa interministerial que terá como objetivo ampliar a rede pública para tratamento, além de criar medidas de prevenção. “O presidente Lula pediu uma integração de esforços. Vamos reunir ações de educação, saúde, cultura e combate ao tráfico para tentar diminuir o acesso à droga”, explicou. A Secretaria Nacional Antidrogas, do Ministério da Justiça, informa não que o governo não sabe quantos brasileiros são viciados em crack, mas admite que o vício é a segunda causa de internação nos centros de recuperação do Sistema Único de Saúde. 

Já o psiquiatra Pablo Roig  afirma que  o número de usuários de crack no país é de aproximadamene de 1,2 milhão e a idade média é de 13 anos. “Esse número é uma estimativa feita com base em dados do censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas)”, completa. Os especialistas presentes na audiência da Comissão Parlamentar apontaram que os países gastam de 0,5% a 1,3% do PIB como o combate e tratamento ao uso de droga.

A pediatra Gabrielle Cunha apresentou dados de pesquisa de sua autoria, feita em 1999, que mostram que o índice de gestantes usuárias do crack atinge 4,6%, número superior a de outros países. “Nós não temos estatísticas nacionais sobre isso. Mas imaginamos que atualmente seja no mínimo o dobro [desse percentual de 1999] tendo em vista o número de pacientes que chegam até nós”, explicou. A pediatra explicou ainda que os recém-nascidos que foram expostos ao crack ainda na barriga da mãe apresentam logo nas primeiras 48 horas de vida “alterações neurológicas e comportamentais provocados pela exposição prolongada à droga. No início se pensava que esses bebês teriam má-formações e problemas graves, mas, na verdade, as alterações são no neurocomportamento. Eles são mais irritáveis, são bebês que geralmente têm dificuldade de alimentação. Mas conforme o estímulo e o tratamento que ele recebe, é possível reverter essa situação que é temporária”.

Nova reunião – a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) da Câmara dos Deputados vai se reunir na terça-feira (11), para uma audiência pública sobre o consumo de crack. O senador Augusto Botelho (PT-RR), solicitante da reunião, afirma que “o Brasil enfrenta uma epidemia dessa droga” e segundo ele, “os efeitos do crack suplantam os malefícios causados em conjunto por outras substâncias ilícitas ou de venda controlada, como os solventes, a maconha, as anfetaminas e a cocaína”.