Falta tudo no maior hospital do Distrito Federal

Falta tudo no Hospital de Base do DF

Na maior unidade da rede pública de saúde do Distrito Federal, os médicos trabalham sem o mais básico dos materiais hospitalares. Há uma semana, o esparadrapo sumiu das prateleiras do Hospital de Base (HBDF). Mas a lista dos produtos em falta é bem mais extensa. Os estoques de sondas, agulhas, cateter, coletor de urina, bisturi, luvas e até fio de sutura acabaram e não há previsão de entrega dos insumos. Sem as mínimas condições de trabalho, muitos médicos preferem cancelar as operações agendadas e até mesmo as de emergência. Na semana passada, a direção do HBDF afixou uma lista dos produtos em falta na porta do centro cirúrgico. “Caso os profissionais optem em realizar as cirurgias mesmo na ausência desses materiais, que fique claro que não temos previsão de reposição”, alerta a circular.
Diante desse quadro de desabastecimento, muitos médicos, principalmente os residentes, preferem comprar material com recursos do próprio bolso a suspender a cirurgia de um paciente em estado grave. Mas a revolta com o caos no Hospital de Base é grande. Um médico que atua no centro cirúrgico conta que a falta de materiais hospitalares causou a suspensão de várias operações nas últimas semanas. “Falta tudo, não temos nenhuma condição de atender bem o paciente. Se não tem nem esparadrapo para trabalharmos, é porque realmente chegamos ao fundo do poço”, lamenta. Ele afirma que os profissionais da cirurgia estão atuando “na base do improviso”. “Isso prejudica também o programa de residência”, acrescenta o médico.

O secretário de Saúde, Joaquim Barros Neto, diz que a descentralização das verbas para a saúde, anunciada na última sexta-feira (leia Para saber mais), deve ajudar a solucionar o problema, mas ele destaca que acabar com o desabastecimento é uma questão complexa. “Mais de 80% dos pregões que realizamos recentemente fracassaram. O Tribunal de Contas (TCDF) exigia que as compras fossem feitas com o preço mínimo, mas com isso as empresas desistiam de participar do processo”, explica. “É um motivo totalmente alheio à nossa vontade. Fazemos todo o pregão de acordo com a lei, mas a compra fracassa na maioria das vezes”, lamenta.

 Fonte: Correio Braziliense (Helena Mader e Noelle Oliveira)