Ludotecas nos hospitais do DF

Ludoteca patrocinada pelo Instituto Sabin

Crianças supostamente vítimas de agressão ou maus tratos ganharam áreas especiais em quatro hospitais da rede pública e no Centro de Orientação Médico-Psicopedagógico (Compp).

No mês de abril, o Núcleo de Estudos e Programa de Prevenção aos Acidentes e Violências (Nepav) da Secretaria de Saúde inaugurou, com o apoio do Instituto Sabin, ludotecas que funcionam em salas cedidas pelos hospitais regionais de Ceilândia, da Asa Sul, de Taguatinga e da Asa Norte.

No espaço, há brinquedos e material pedagógico que auxiliam as crianças, sob a orientação de psicólogos e assistentes sociais, a expressar seus sentimentos e esclarecer os sinais evidentes ou prováveis de violência.

Somente em Taguatinga, segundo a diretora de Atenção à Saúde da Regional, Carla Watanabe, no ano passado foram realizados 1.385 atendimentos na sala de Psicologia e até fevereiro deste ano o número chegou a 411.

No Hospital Regional da Asa Sul, o primeiro do DF a realizar um trabalho mais específico com os que foram agredidos, a diretora do Projeto Violeta, Janice Fróes Fonseca, explica que “contamos com apenas sete profissionais da Secretaria de Saúde, mas conseguimos fechar uma parceria com as faculdades de Psicologia, para que os alunos façam estágio obrigatório atendendo as mais de 1.700 crianças notificadas”.

Casinha – as crianças encaminhadas por meio da Notificação de Agravos e Violências – um documento que pode ser preenchido por qualquer profissional de saúde que observe sinais de violência – têm entre os brinquedos uma casinha de madeira.

Este brinquedo auxilia no diagnóstico por possibilitar uma representação da dinâmica familiar da criança e incluir os prováveis locais onde a violência tenha ocorrido, ou as pessoas que poderão estar envolvidas. A casinha também pode representar uma creche, a escola ou outro ambiente frequentado pela criança. E tem ambientes e objetos semelhantes aos de um desses locais.

O material de apoio das ludotecas é composto ainda de livros, brinquedos como quebra-cabeças, jogos de tabuleiro e de encaixe, e uma família de bonecos sexuados, representando pessoas de diferentes raças, idades e profissões.

Psicólogos e assistentes sociais incentivam o manuseio dos brinquedos e atividades envolvendo a casinha, a fim de estimular a criança a desabafar e a contar o que se passou com ela. Muitas vezes, por medo da convivência diária ou por não saberem descrever os fatos, segundo os especialistas as vítimas absorvem a violência e podem se tornar adultos violentos.

Alguns dos sinais evidentes de violência podem ser a simples mudança de comportamento ou de hábitos, como medo excessivo de pessoas, sono perturbado, comer em excesso ou, ao contrário, deixar de comer, além de choro e agressividade. Os sinais físicos costumam ser falsamente atribuídos a quedas ou outras situações improváveis.