Primeiro hospital público para transplantes

A Secretaria de Saúde de São Paulo inaugurou hoje (15) um hospital especializado em transplantes. A unidade tem capacidade para realizar até 636 cirurgias por ano: 240 de rim, 200 de córnea, 100 de fígado, 48 de pâncreas e 48 de medula óssea. Os procedimentos serão realizados em nove salas cirúrgicas, com a retaguarda de 153 leitos de internação, entre eles 21 reservados para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O hospital, que consumiu R$ 37,3 milhões e dois anos de reforma, tem o nome do primeiro médico a fazer um transplante de coração no Brasil – Euryclides de Jesus Zerbini. A unidade será administrada pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), uma organização social de saúde (OSS) ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Embora afirme não ser possível precisar o tempo em que os pacientes à espera de um órgão compatível serão atendidos, o superintendente do hospital, Nacime Salomão Mansur, garante que as novas instalações terão um “impacto brutal para a população”. “Queremos ser [em breve] o principal transplantador de fígado, córnea, medula óssea e pâncreas e, em curto espaço de tempo, esperamos fazer praticamente a metade do número de transplantes renais que o Hospital do Rim faz hoje. Agora, a queda no tempo de espera vai depender dos doadores e do aumento da captação de órgãos”, disse Mansur durante a inauguração do hospital.

O  superintendente afirmou que o hospital continuará atendendo a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) de outros estados (hoje, um em cada cinco transplantados nos hospitais paulistas são moradores de outros estados) e que a triagem e o encaminhamento dos pacientes continuará sendo feito pelos ambulatórios especializados. Constatada a necessidade de transplante, o paciente é inscrito em uma lista de espera, cujo tempo de atendimento depende do órgão necessário e do estágio da doença.

O número de doadores de órgãos em São Paulo, de janeiro a maio deste ano, aumentou 34,5% em relação ao mesmo período de 2009.