Brasil investe mais em pesquisa

O câncer deve dobrar seu impacto no mundo pelos próximos 30 anos, segundo relatório de 2008 da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc) / Organização Mundial da Saúde (OMS). A boa notícia é que a doença começa a ser combatida no Brasil. O investimento nas pesquisas ganhou importância nos últimos 10 anos, refletindo na colocação do país em 15º lugar no ranking mundial de produção científica. Há alguns anos, o Brasil nunca conseguiu colocar-se abaixo do 100º lugar.

A coordenadora de Projetos e Financiamento em Pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Marisa Dreyer Breitenbach, explicou que o investimento específico para o câncer pelo Ministério da Saúde começou em 2005.

A partir daí houve um edital para financiamento de projetos em tumores para 81 pesquisadores, no valor total de R$ 6,1 milhões declarou.

Essa mudança de postura governamental, de acordo com o diretor-geral da instituição, Luiz Antonio Santini, melhorou a partir da administração do atual ministro José Gomes Temporão, em 2007. O objetivo é a unificação dos centros de pesquisa em rede.

Em 2008, após um edital, foram repassados R$ 4,18 milhões para formar redes de pesquisa genômica e proteômica, clínica e epidemiologia clínica, que contemplou 23 grupos.

O fortalecimento dos recursos humanos e dos poucos centros de pesquisa existentes no país, além de maior aplicação de recursos em projetos permitiram o avanço informou.

Câncer no Brasil O Inca calcula que, para os próximos dois anos, surjam 489.270 novos casos no Brasil. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam o crescimento do índice em 5% ao ano e uma previsão de 30 mil mortes em 2020.

Os estudos concentram-se nos cânceres com maior incidência na população brasileira. Nas mulheres, o de mama, colo do útero e colo e reto; e nos homens, o de próstata (com poucos pesquisadores especializados), colo e reto e pulmão.

As parcerias com a UFRJ e a Fiocruz intensificaramse, e projetos com a British Columbia, no Canadá, o Instituto Nacional do Câncer dos EUA e de países da América Latina foram viabilizados, como, por exemplo, a parceria com o Inca na criação de bancos de tumor.

Santini acredita que os resultados poderão ser sentidos a longo prazo, e adianta um prognóstico: Mesmo com recursos insuficientes, o futuro para das pesquisas é promissor.

Fonte: Valor