Laboratórios miram Nordeste e periferia

O aumento do emprego com carteira assinada tem ampliado as fronteiras no mercado de medicina diagnóstica do país.
Os grandes laboratórios intensificam a presença em mais Estados -como na região Nordeste- e nas periferias dos grandes centros.
Juntos, os dois maiores grupos do setor-Fleury e Dasa-,donos de 34 marcas de laboratórios, têm planos de investimento de R$ 300 milhões neste ano, que inclui os programas de expansão.
O trabalho formal proporciona ao funcionário o benefício do plano de saúde, aumentando a demanda pelos exames de laboratório.
Em 2009, 995 mil vagas com carteira assinada foram criadas. No primeiro semestre deste ano, 1,47 milhão de postos foram criados, recorde para o período. O governo já projeta 2,5 milhões de vagas formais criadas em 2010.
“Isso envolve um grande número de novos usuários de plano de saúde. Hoje, menos de 25% da população brasileira tem convênio”, destaca Mauro Figueiredo, presidente do Grupo Fleury.
A empresa, de São Paulo, tem hoje 16 marcas de laboratórios em seis Estados (entre eles, Bahia e Pernambuco) e no Distrito Federal.
O grupo possui 140 unidades e planeja continuar a expansão para além dos grandes centros, com novos pontos ou transferências.
“Em regiões mais afastadas, é importante estar perto de transporte coletivo, por exemplo”, diz Figueiredo.

Unidades simples – A Dasa, dona de 18 marcas -como Delboni Auriemo, Lavoisier e Bronstein- em 12 Estados e Brasília, também vai atrás do potencial da nova classe média.
Esse segmento de clientes, segundo Felipe Rodrigues, diretor de relações com investidores da Dasa, é o que cresce mais rápido hoje.
“E essa tendência deve se manter nos próximos cinco a dez anos”, afirma.
Rodrigues diz que a empresa continuará apostando no crescimento com unidades de perfil mais simples.
Neste ano, foram abertas quatro desse tipo no interior de São Paulo. E mais quatro devem ser inauguradas até dezembro.

Concorrência – Os gigantes da medicina diagnóstica avançam em um território que, durante muito tempo, foi ocupado por companhias de origem popular.
O laboratório Nasa é uma dessas empresas.
Quando abriu o negócio em sociedade com o irmão, em 1972, no Tatuapé, o médico Eduardo Manna Filho, então recém-formado, nem sonhava que o bairro chegaria a ter um dos metros quadrados mais caros da cidade.
“Mas a situação mudou muito. A renda melhorou e ter plano de saúde passou a ser desejo da população emergente”, constata Manna, hoje aos 60 anos.

Fonte: Folha de São Paulo