Nova diretoria da Fenam toma posse em Brasília

Toma posse nesta quinta-feira, dia 29, a nova diretoria da Federação Nacional dos Médicos, eleita no dia 19 de junho durante o Congresso da Fenam. A solenidade será realizada no Centro de Convenções Brasil XXI, a partir das 20 horas, em Brasília. O novo presidente da Fenam, é o médico, Cid Carvalhaes. A nova diretoria da FENAM é composta pela presidência, duas vice-presidências, 11 secretarias, oito diretorias, além do Conselho Fiscal e seis regionais, e comandará a entidade no biênio 2010/2012, priorizando, segundo afirmou o presidente eleito, lutas como a implantação da carreira de Estado para os médicos, a valorização do trabalho médico no Sistema Único de Saúde, o Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos (PCCV), a qualidade do ensino médico e a aprovação do projeto de lei que estabelece em 7 mil reais o salário mínimo profissional para a categoria.

Em entrevista à assessoria de comunicação da Fenam, o presidente, Cid Carvalhaes, revela como irá desenvolver seu trabalho à frente de uma das maiores entidades representativas da categoria médica no país.

Como o senhor pretende desenvolver seu trabalho no comando da Fenam nos próximos dois anos? Quais são as suas expectativas e quais são os seus planos em relação ao movimento médico?

O movimento médico brasileiro, o movimento de saúde do país, passa por problemas graves, com dificuldade na formação, na grade curricular clássica, no aumento abusivo de faculdades de medicina, na má qualificação do ensino e má distribuição das faculdades em todo o território nacional, além de problemas na residência médica. Além disso, não temos uma política de saúde definida. Alguns estados têm uma posição um pouco mais favorável, outros têm posições extremamente desfavoráveis, outros em severo e tremendo sofrimento. A gestão tripartite no serviço público traz uma série de problemas, especialmente na contratação de recursos humanos e no provimento de médicos. Não se obedece a um plano de cargos, carreiras e salários, não tem porta de entrada no serviço público definida, não há distribuição de recursos financeiros e materiais, nem humanos médicos e, essencialmente, as condições de trabalho são precárias e as remunerações terrivelmente ruins. Isso tudo constitui um gigantesco problema, que as entidades médicas vem enfrentando com determinação que serão grandes desafios para a Fenam.

 
De todas essas situações que o senhor relacionou, qual será o seu maior desafio nos próximos dois anos?

O grande desafio é fazer o médico feliz.

E como fazer o médico feliz?

Nas pesquisas de confiabilidade de atividades profissionais, o médico tem um índice de aprovação acima de 80%. E, apesar de todas as situações adversas que ele enfrenta no dia a dia, o médico é o profissional que menos abandona percentualmente a profissão. Não chega a 0,5% de abandono. Apesar do seu comprometimento, o médico trabalha em condições ruins, é mau remunerado, e a despeito de tudo isso, ainda cumpre bem a sua função. Um dos trabalhos que faremos será tentar implantar o Plano de Carreira, Cargos e Salários que a Fenam elaborou, além da carreira de estado para os médicos, e a aprovação da regulamentação da Emenda 29. Isso vai tornar o médico mais feliz, mais satisfeito para trabalhar melhor.

2010 é ano de eleições. O senhor pretende

manter contato com os candidatos para conhecer as propostas que eles têm na área de saúde?

A Fenam poderá solicitar aos principais candidatos que respondam nossas questões para que possamos conhecer o pensamento a respeito do equacionamento da saúde no país. No palanque todas as soluções são maravilhosas e no Palácio todos os encaminhamentos são desastrosos.
Que mensagem o senhor gostaria de deixar para os médicos brasileiros e o que eles podem esperar do Sr. como presidente da Federação Nacional dos Médicos?

Eu gostaria de dizer para os médicos brasileiros que é preciso quebrar um pouco o individualismo, a tentativa de solução pessoal, para fortalecer as entidades médicas. Todas elas têm sua relevância, sua importância, mas é preciso que os médicos saibam que quem efetivamente defende os interesses, as condições e qualidades de trabalho e remuneração adequada é o movimento sindical. Assim, é preciso que os médicos entendam isso e que possam se agregar através dos seus sindicatos constituídos. São 53 sindicatos espalhados por todo o país. Então, modifiquem, invertam caminhos, se façam presentes nos sindicatos, nas demais entidades, debatam as questões.

E o senhor considera que o trabalho das regionais também vai ser fundamental nesse sentido?

Sim, o trabalho das regionais da Fenam é fundamental na função de agregação que é o fortalecimento dos sindicatos de base. Se nós fortalecermos as entidades médicas, fortaleceremos os sindicatos médicos e, consequentemente, a Fenam o que vai nos levar a ter mais facilidade para encontrar as soluções.

Fonte : Denise Teixeira/Fenam