Cinco hospitais se unem por turismo médico

Concorrentes no mercado de saúde brasileiro, os hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Samaritano e Hospital do Coração – o chamado G5 da medicina paulista – uniram forças para garantir uma fatia do mercado mundial de turismo médico, que movimenta por ano cerca de US$ 60 bilhões.

Estima-se que em 2005, 48 mil estrangeiros buscaram tratamento médico no Brasil – a maioria deles cirurgia plástica. Entre 2007 e 2009, segundo a Deloitte Center for Health Solutions, foram cerca de 180 mil. Na Tailândia, apenas em 2007, esse número chegou a 1,2 milhão.

Por perceber um mercado potencial que vai muito além da medicina estética, os membros do G5 criaram nos últimos anos departamentos de relações internacionais com profissionais bilíngues para receber os visitantes, que representam até 5% dos atendimentos. “Cuidamos de todos os detalhes, como hotel, transporte e até passeios turísticos para acompanhantes”, diz Gilberto Galletta, gerente de relações internacionais do Sírio-Libanês.

Com foco no atendimento de alta complexidade, como cirurgia cardíaca, oncologia e neurologia, os hospitais firmam convênios com operadoras de saúde internacionais – para as quais muitas vezes é mais barato trazer o segurado para o Brasil do que levá-lo aos EUA, por exemplo.

Outra iniciativa comum é a expansão da capacidade de atendimento. “Os cinco somam hoje 1,5 mil leitos, mas trabalhamos com taxa de ocupação entre 85% e 90%”, afirma Paulo Ishibashi, diretor comercial do Einstein. Porém, o faturamento somado das instituições, de US$ 1,5 bilhão ao ano, lhes dá uma capacidade de crescimento que explica o interesse em abocanhar o mercado internacional.

“Não deve haver nesse momento investidas individuais. Por isso os concorrentes se apresentam aqui hoje como um grupo que quer trazer para o Brasil um mercado. Aí sim vamos conseguir um volume de pacientes para favorecer a todos”, diz Ishibashi.

Antonio Antonietto, gerente de relacionamento médico do Sírio-Libanês, ressaltou a necessidade de se discutir meios para garantir a segurança do paciente após o retorno ao país de origem. “É importante ter contatos para que ele possa ser atendido no caso de uma complicação.”

Mas a preocupação com o pré e o pós operatório não é comum no Brasil, afirma Antonio Pereira Filho, do Conselho Regional de Medicina de São Paulo. “O que vemos na maioria dos casos é que pacientes e médicos só se conhecem no centro cirúrgico. Há mais um interesse econômico do que científico”, critica Pereira Filho.

Já os defensores do turismo médico argumentam que para cada US$ 1 gasto em medicina no País, US$ 8 são gastos com lazer. “Quando você posiciona o País em um segmento, você o divulga também em outros. Beneficia a todos”, afirma Saskia Lima, do Ministério do Turismo.
Em alta

18%
dos hóspedes internacionais nos hotéis da cidade de São Paulo vieram ao País em busca de atendimento médico.

40%
foi o crescimento no fluxo de pacientes estrangeiros no Hospital do Coração (HCor) em 2009. Para este ano, a estimativa é de até 60% de expansão.

 Fonte: O Estado de São Paulo