Temporão lança medidas para ampliar tratamento de câncer no SUS

Nada como tempos de campanha, principalmente quando o adversário tem mais conhecimento na área de saúde do que a situação…O Ministério da Saúde, José Gomes Temporão, divulga daqui a pouco, às 11h, um pacote de medidas para ampliar o tratamento de câncer na rede publica de saúde. Nos bastidores do MS comenta-se que são muitos milhões.

O que está garantido é que a tabela de procedimentos oncologicos do SUS será reformada e novos tratamentos para câncer de mama e de pulmão incluídos.

O câncer é a segunda causa de óbito mais freqüente na população brasileira, sendo superado apenas pelas doenças do aparelho circulatório. Em 2003, os números de casos novos e de óbitos relacionados ao câncer no Brasil foram estimados em cerca de 402 mil e 127 mil, respectivamente. As estimativas para o ano de 2006 são de que cerca de 472 mil novos casos de câncer tenham sido diagnosticados.

Nos últimos anos, avanços nos cuidados dos pacientes com câncer têm resultado em maior probabilidade de controle ou cura da doença, com melhorias na sobrevida e na qualidade de vida. Em paralelo, a sobrevida dos pacientes com câncer que necessitam de internação na UTI aumentou na última década e o prognóstico destes parece melhor. Avanços nas áreas de terapia de intensiva e oncologia, e certamente um refinamento na avaliação da propriedade da internação na UTI contribuíram para estes fatos.

Preocupação – contudo, os oncologistas estão cada vez mais preocupados com a deteriorização progressiva das condições de atendimento ao paciente no Sistema Único de Saúde. E não é para menos: até o final deste ano, estima-se que no Brasil ocorrerão cerca de 466 mil novos casos de câncer, com uma mortalidade de cerca de 160 mil pacientes.

O tratamento de câncer no Brasil, no que se refere ao SUS, deixa enormes lacunas nas opções à disposição dos cancerologistas, impossibilitados de utilizar tecnologias e drogas já incorporadas à prática médica há muito tempo.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Roberto Fonseca, “cerca de 80% dos casos de câncer no Brasil são tratados no âmbito do SUS, tornando imprescindível a adoção de novos medicamentos e tecnologias, bem como a atualização da tabela de procedimentos oncológicos, nas quais ocorreram apenas alterações pontuais nos últimos 11 anos, com a transferência de parte dos custos para os prestadores de serviço.

Segundo Roberto Fonseca, “é necessária, ainda, a revisão do orçamento ministerial destinado aos procedimentos da oncologia clínica, assim como a melhoria no acesso e na cobertura do atendimento cirúrgico oncológico e de radioterapia”.