Falta de pagamento do GDF faz hospitais particulares demitirem funcionários

Oitenta funcionários dos Hospitais Santa Helena e ProntoNorte, em Brasília, foram demitidos na manhã desta quarta-feira (1º/12), por motivos financeiros. Desde o ano passado, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal não paga a utilização das Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) destinadas a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A dívida com a rede privada de saúde chega a R$ 103 milhões. Desse total, R$ 40 milhões referem-se ao ano de 2009 e R$ 63 milhões este ano. Segundo o diretor executivo do Sindicato Brasiliense de Hospitais (SBH), José Carlos Daher, do total da dívida, a Secretaria de Saúde pagou apenas R$ 30 milhões e, embora reconheça a inadimplência, não quer receber os representantes dos hospitais privados para discutir o assunto. “Os hospitais privados de Brasília não podem continuar prejudicados, devendo aos bancos e restringir o atendimento aos nossos pacientes. Não estamos discutindo preços, queremos apenas receber os atrasados para manter o funcionamento”. explicou Daher em entrevista exclusiva a jornalista Elisabel Ferriche do “Blog Médicos na Mídia”.

José Carlos Daher confirmou que 100 UTIs de 16 hospitais particulares, contratadas pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal foram fechadas nos últimos dias e que 50 estão ocupados por decisão liminares na Justiça. Só os Hospitais Alvorada e Hospital das Clínicas de Brasília, fecharam 23 leitos de UTIs. São 348 leitos de UTI no Distrito Federal, 223 da rede pública e 125 contratados em hospitais particulares.

O vice-presidente do Sindicato dos Médicos do DF (SindMédico-DF), Gustavo Arantes, acredita que nem sempre há necessidade de UTIs e que a utilização dessas unidades devem ser revistas com mais critério por parte dos médicos. Mas, segundo ele, o fechamento das UTIs vai colocar em risco os pacientes da Capital que procurarem os hospitais da rede pública.