Entidades médicas criticam falta de tratamento para doente mental

O fechamento de leitos psiquiátricos em hospitais e a falta de uma política mais eficiente para o tratamento de pacientes com transtornos mentais, seja por uso de drogas ou por outras patologias, foi o principal tema de discussão na abertura do 2º Congresso Brasileiro de Gestão e Políticas em Saúde Mental (ClasSaúde) que aconteceu durante a Feira Hospitalar 2011, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), lembrou que a entidade que representa de 8 mil a 10 mil médicos psiquiatras no Brasil defende e apóia tratamentos dignos aos pacientes.

“Defendemos ações que possibilitam um tratamento digno. Não existe saúde mental sem psiquiatra. O Ministério da Saúde precisa entender isso, e não adotar uma postura anti-médico”, afirmou. O presidente da ABP lamentou ainda a falta de estrutura adequada a pacientes usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). “Quem tem dinheiro vai para o hospital privado. E o pobre fica sofrendo, sem tratamento digno”, lamentou.

Para Humberto Gomes de Melo, presidente da Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde (FENAESS), a população está desassistida. “E não sentimos alento por parte dos governantes, infelizmente”.

A falta de uma política pública de reinserção social para os doentes mentais e uma rede de assistência aos familiares são também um grande problema, na opinião de Emmanuel Fortes, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM). Ele falou ainda da situação de pacientes que não conseguem acesso ao tratamento médico.

“Durante muito tempo, predominou um discurso virulento, de que os psiquiatras torturavam pacientes. Hoje, a atual legislação sufoca os hospitais até a morte. E apregoam que os hospitais não cumprem os pré-requisitos para atender os doentes mentais. Segundo ele, o fechamento de leitos no Brasil tem como conseqüência muitas pessoas morrendo nas ruas. E ninguém ousa dizer que a culpa é do Ministério da Saúde. Quando o doente mental mata, é uma demonstração clara que falta estrutura que permita o acesso dele ao tratamento adequado”, declarou o vice-presidente do CFM. Emmanuel Fortes defendeu a reabertura de leitos psiquiátricos extintos.

Segundo Carlos Eduardo Zacharias, diretor do Centro de Estudos Psiquiátricos Vera Cruz, de São Paulo, para o sistema funcionar é preciso a união de todos. “Médicos, gestores, assistentes sociais, psicólogos e terapeutas ocupacionais, todos devem unir forças pela melhoria da saúde mental no Brasil”.