6º Simpósio de Reprodução Humana do Distrito Federal aborda sexualidade nas mulheres com endometriose

Nos dias 11 e 12 de abril, Brasília recebeu o 6º Simpósio de Reprodução Humana do Distrito Federal. O evento, realizado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), ofereceu a médicos, residentes e estudantes do curso de medicina importantes discussões e atualizações acerca de temas como climatérico, infertilidade, anticoncepção, sexualidade, abortamento e endometriose.

O painel sexualidade, um dos sete apresentados no Simpósio, contou com o tema “Sexualidade e endometriose: como abordar?”, abordado pelo Diretor do Centro de Excelência em Endometriose, Professor Doutor Frederico Corrêa.

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Professor Doutor Frederico Corrêa na palestra “Sexualidade e endometriose: como abordar?”

Na ocasião, o especialista enfatizou que a dor é o principal ponto de interesse no tratamento da endometriose. “As pacientes portadoras da doença são obrigadas a conviver com desconforto intenso e constante em suas vidas. Cólica extrema antes e durante a menstruação, dor para evacuar e urinar, dores abdominais, na região pélvica e durante as relações sexuais são alguns dos sintomas da patologia”, disse.

O sofrimento continuo provocado pela endometriose faz com que muitas mulheres paguem um preço pessoal incomensurável. Falta às atividades escolares e de lazer, ausência ao trabalho, baixo rendimento profissional, dificuldades conjugais e familiares relacionados aos sintomas físicos e emocionais da doença, comprometem profundamente a qualidade de vida destas mulheres.

Além disso, a endometriose está associada à infertilidade. Estudos demonstram que as portadoras da doença têm uma taxa de fecundidade (chance de engravidar por mês de exposição) bem menor do que mulheres sem endometriose, e que cerca de 40% das mulheres com infertilidade têm a doença. Essa relação é direta: quanto maior o grau da doença, maior a chance da mulher ser infértil.

Como a endometriose afeta a vida da mulher como um todo, atualmente existem centros de excelência no tratamento da doença que se preocupam cada vez mais em oferecer atendimento multidisciplinar com foco na qualidade de vida da paciente. Por isso, como as dores durante as relações sexuais e a infertilidade afetam diretamente a sexualidade das pacientes com endometriose, Frederico Corrêa acredita que “esta questão deve ser uma das prioridades no tratamento da doença”.

De acordo com o médico, foi apenas em 2001, quando o questionário Endometriosis Health Profile (EHP-30) foi traduzido e validado para o português, que se começou a pensar em fazer a avaliação da sexualidade da portadora de endometriose no Brasil.

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Questionário “The Endometriosis Health Profile” (EHP-30)

O EHP-30 traz as questões “(nas últimas quatro semanas) sentiu dor durante ou depois das relações sexuais?”, “sentiu-se preocupada em ter relações sexuais devido a dor?”, “evitou ter relações sexuais devido a dor?”, “sentiu-se culpada em não querer ter relações sexuais?” e “sentiu-se frustrada por não ter prazer nas relações sexuais?”.

Segundo Dr. Frederico, “a porcentagem de pacientes portadoras de endometriose com alguma disfunção sexual é relevante, mas o diagnóstico não é feito pois ainda hoje geralmente não há preocupação de se fazer a avaliação da sexualidade da mulher”.

Frederico Corrêa finalizou sua palestra afirmando que tanto o tratamento clínico quanto o tratamento cirúrgico da endometriose apresentam melhora em vários sintomas, como lubrificação, desejo, orgasmo e dor.

O médico ainda chamou atenção para a complexidade da doença em função do turbilhão emocional e psicológico pelo qual as mulheres portadoras de endometriose passam. Por isso, é necessário que cada caso seja avaliado com a individualidade que lhe compete para que cada paciente conquiste sua segurança, tranquilidade e bem estar.