Presidente da Febrasgo participa de painel no CFM sobre assédio na medicina

O presidente da Febrasgo, Dr. Etelvino Trindade, participou de painel no Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília, para debater o assédio sexual na medicina. O objetivo foi abordar as condutas inadequadas na profissão, já que existem casos de médicos que assediam pacientes e são vítimas da má intenção.

O debate foi mediado pela gastroenterologista e intensivista com doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), Dra. Cacilda Pedrosa Oliveira. Participaram também do encontro os médicos Maria do Patrocínio Tenório Nunes e Cláudio Cohem – ambos especialistas da USP.

slide cfm febrasgo

Dra. Cacilda explicou que um dos vieses relacionados ao assédio sexual na medicina é a educação dos médicos e a importância de que a comunidade médica esteja consciente dessa questão. No painel realizado no CFM, foi feita uma reflexão sobre a diferença entre médico com grave comportamento sociopático, que precisa ser afastado, e o médico que comete o assédio por falta de treinamento e suporte.

Para Dr. Etelvino Trindade, alguns casos podem acontecer esporadicamente, mas existe um perfil de assediador, o qual é preciso atentar, para que a ética no ambiente de trabalho seja mais rigorosa. “Tem que existir câmeras científicas a fim de discutir o assédio sexual no ambiente de trabalho. É preciso saber que somos cuidadores e não curadores, por isso, devem ser realizados mais debates como esse, para conscientizar os especialistas”, destacou.

No debate foi discutido o papel da Universidade nesse processo. Isso porque a bioética e a ética são medidas que devem permear todo o curso de medicina. Em relação aos médicos que se envolvem com os pacientes, e que são iludidos com expectativas errôneas, é preciso saber que já existem pequenas quadrilhas que querem extorquir dinheiro do especialista.  Assim, é necessário reavaliar toda a conduta.

No que se refere ao toque do médico no paciente, para o diagnóstico correto, os especialistas acreditam que a relação de confiança tem se perdido. Já foi comprovado por meio de pesquisas que ao tocar um paciente –  com HIV por exemplo, se tem melhor expectativa de vida. Muitas vezes o médico serve de consolo, mas é preciso delimitar até onde pode-se ir para evitar más interpretações.

No painel também foi esclarecido que é importante saber antecipadamente a razão do assédio e o que levou o assediador a cometer o ato, isso porque nem todo assediador é psicopata, mas os que têm problema de saúde mental, devem ser melhor assistidos. Por isso, as medidas cabíveis não se restringem ao veto do exercício na medicina, pois o assediador pode causar um problema ainda maior, quando envolvido sem o adequado tratamento na sociedade.

O debate realizado no CFM poderá ser acompanhado na íntegra na revista humanidades médicas “Medicina CFM”. A publicação estará disponível para leitura no fim de abril.