Descriminalização da maconha no Brasil: O que a medicina revela sobre o uso da droga

 Segundo novo estudo de Harvard, regiões cerebrais podem ser afetadas até mesmo com o uso esporádico da maconha

 

O debate sobre descriminalização da maconha no Brasil tem ganho destaque nos vários meios de comunicação. Para esclarecer sobre os reais efeitos da maconha, um time de médicos psiquiatras, em Porto Alegre, especialistas em dependência química, entende que, antes de tudo, é necessário reavaliar os malefícios que a droga traz para a saúde do indivíduo.

 

De acordo com o psiquiatra e psicanalista Sérgio de Paula Ramos, os benefícios supostamente percebidos pelas pessoas, com o uso da maconha para fins medicinais, devem ser reavaliados.  “A medicina já comprovou que hoje existem remédios bem mais eficazes para o tratamento de doenças, como os para diminuição de vômitos e abrir o apetite, nos casos de câncer, por exemplo”, destaca o médico.

 

Sobre a descriminalização da maconha no Brasil, Sérgio de Paula Ramos é enfático. “É necessário frisar que quando se tem a liberação do uso da droga, diminui a percepção de risco e se tem um aumento do consumo. Infelizmente, os principais alvos são os adolescentes, que são influenciados com mais facilidade à dependência”, destaca.

 

Tal opinião é compartilhada pelo psiquiatra Carlos Salgado. Segundo ele, é nessa fase, ainda jovem, que o cérebro está em formação e sofre consequências duradouras. “Mesmo com o uso esporádico e baixo consumo, se tem um declínio da produção acadêmica. Hoje sabemos que o cérebro demanda até os 23 anos de idade para se tornar completo. O cérebro imaturo sofre sérios problemas e pode acarretar para indivíduos com história familiar de esquizofrenia, o surgimento da doença mais grave em Psiquiatria”, afirma.

 

Os médicos não se surpreendem com resultados da pesquisa da Escola de Medicina de Harvard, divulgada no dia 16 de abril no periódico The Journal of Neuroscience, que mostrou que o uso esporádico demaconha pode afetar regiões cerebrais relacionadas ao controle das emoções e à motivação. Os resultados sugerem que o uso recreativo da droga pode levar a mudanças cerebrais anteriormente não identificadas e ressaltam a importância da pesquisa voltada para os efeitos no longo prazo para o cérebro do uso baixo ou moderado da droga.

 

É preciso cautela – Em relação ao caso de Katiele Fischer, mãe de uma criança de 5 anos, que teve no início deste mês a aprovação judicial para a importação do remédio com princípio ativo do canabidiol (uma das substâncias derivadas da maconha) para o tratamento da encefalopatia epiléptica da filha, Carlos Salgado e Sérgio de Paula Ramos avaliam como um caso isolado e que isso não se aplica de forma geral. “Não devemos generalizar. A maconha não pode se r vista como uma  solução generalizada para o auxílio no tratamento, ou sua banalização poderá causar sérios prejuízos à vida”, concluem os médicos.

Efeitos_corporais_provocados_pelo_Cannabis