Uso do ácido fólico antes e durante a gravidez garante formação do bebê

O ácido fólico – uma vitamina do complexo B, distribuída gratuitamente nos postos de saúde – previne em até 80% os casos de má formação fetal e da espinha bífida

Tomar um comprimido de ácido fólico por dia, 30 dias antes da data em que a mulher planeja engravidar e manter o uso pelos três primeiros meses de gestação impede que o feto nasça com má-formação.

Apesar da medida ser simples e ter distribuição gratuita nos postos de saúde, um estudo realizado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) mostrou que quase 90% das mulheres engravidam sem realizar a suplementação necessária.

De acordo com o presidente da Comissão Especializada em Perinatologia da Febrasgo e idealizador da Campanha ‘Ácido Fólico Já!’, Eduardo Borges Fonseca,  no país, cerca de 3 mil crianças nascem com defeito no tubo neural – que é a estrutura que dará origem ao sistema nervoso central do bebê – incluindo cérebro e coluna.

“Com a suplementação de ácido fólico, ingerida na dosagem e período adequados, é possível reduzir de 70% a 80% esses casos”, afirma o médico.

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Do total de crianças que nascem com defeitos no tubo neural (DTN), 45% apresentam espinha bífida (que é a exposição da medula espinhal), sendo que 60% sobrevivem com sequelas variáveis e 40% morrem no útero.

O levantamento realizado pela Febrasgo mostrou também que do público pesquisado – entre pacientes de planos de saúde e da rede pública – 58% engravidaram sem planejar e só 13,8% receberam orientação e usaram o ácido fólico no período.

“Os dados demonstram que as mulheres não conhecem os efeitos do ácido fólico e não dá para dependermos apenas da alimentação”, diz o médico, lembrando que, em 2002, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a adição de 4,2 mg de ferro e de 150 mg de ácido fólico para cada 100 g de farinha de trigo e de milho.

“No entanto, para que essa quantidade tivesse efeito, as mulheres precisariam comer um bolo por dia, então a suplementação termina sendo a maneira mais viável e eficiente de fazer a reposição”, esclarece Eduardo Borges Fonseca.

Vitamina B

Segundo a farmacêutica e mestre em química Cinara Silva, o ácido fólico é uma vitamina do complexo B, responsável pelo processo de multiplicação das células e presente na formação de proteínas estruturais e da hemoglobina.

“O folato é encontrado naturalmente em hortaliças de cor verde escura, como couve, brócolis e espinafre, mas a biodisponibilidade é alterada no preparo dos alimentos, daí a indicação medicamentosa”, explica.

A farmacêutica ressalta que a carência de ácido fólico é importante fator de risco para os defeitos no tubo neural, porque sua ação ocorre na síntese de DNA e na divisão celular que ocorre durante o desenvolvimento fetal.

O tubo neural é formado logo no primeiro mês da gestação e é o sistema nervoso primitivo do futuro bebê. Por meio do seu desenvolvimento se formarão o cérebro e a medula espinhal.

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Eduardo Borges ressalta que, sem o ácido fólico, o tubo neural não se fecha, gerando má-formações, como o nascimento de crianças com apenas uma parte ou ausência do cérebro (anencefalia), que ocasiona a morte logo após  o nascimento; a espinha bífida, que é a exposição da medula espinhal e que deixa sequelas de graus variados ao longo da vida do bebê.

“Nosso grande desafio está na conscientização e na educação da mulher que não se programa para engravidar, inviabilizando o consumo de ácido fólico no período correto. Por isso, planejamento familiar é essencial e continuará sendo nosso foco”, completa o representante da Febrasgo.

Impacto

O médico também lembra que ausência de suplementação do ácido fólico não gera apenas problemas na fase fetal, pois as má-formações congênitas impactam na vida da família e da sociedade. “Os portadores terminam precisando de acompanhamento profissional prolongado, com comprometimentos para a realização das atividades cotidianas e na inclusão social.

“A melhor maneira de fazer a inclusão social é por meio da prevenção, tendo em vista que os cuidados que essa criança exige são necessários ao longo de toda a vida, por parte da família e dos médicos. Além disso, o custo com a prevenção é consideravelmente menor”.

Caso não seja realizada a prevenção e seja constatada a espinha bífida, existem as cirurgias intrauterinas que reduzem as complicações do bebê, mas o médico ressalta que, apesar de gerar resultados satisfatórios para a criança, esses procedimentos aumentam o risco da mãe durante o período gestacional.

Vale lembrar que o ácido fólico também evita outras alterações na formação do bebê e tem um papel fundamental na prevenção de doenças do coração,  trato urinário e fissura lábio-palatina. Para a mamãe, a vitamina traz benefícios uma vez que afasta o risco de doenças cardíacas, certos tipos de câncer e anemia.

Fonte: Correio 24 Horas