ABEAD homenageia ex-associada, Irinéa Catarino, pelas contribuições à saúde mental brasileira

A IV Jornada de Psicologia do LAFAM, preparatória para o XXIII Congresso Brasileiro da ABEAD, que aconteceu nos dias 13 e 14 de novembro, no Recife – PE, foi marcada pelo debate sobre a necessidade de políticas eficazes contra as drogas. A presidente da ABEAD, Ana Cecília Marques, abordou os princípios da prevenção, e a psiquiatra Alessandra Diehl reforçou a importância da prevenção no núcleo familiar. Já o 1º vice-presidente da ABEAD, Gilberto Lucio da Silva, somou conhecimento sobre prevenção e a interface com a justiça e aproveitou o momento para homenagear a professora do curso de Psicologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Irinéa Catarino, que faleceu no dia 28 de outubro passado, vítima de um câncer na região abdominal.

Nascida no Juazeiro do Norte – CE, Irinéa foi exemplo de profissional, mulher guerreira e amiga, características que fizeram com que conquistasse o carinho de colegas de várias partes do país. Sua presença atuante na comunidade acadêmica fez com que assumisse a coordenadoria de estágio no departamento de psicologia da Unicap e participasse do projeto de pesquisa 1º levantamento sobre o uso de drogas entre estudantes de 1º e 2º graus no Sertão de Pernambuco. Aprofundando seus estudos na área, a especialista desenvolveu várias pesquisas nas escolas do Recife. Em 1º de fevereiro de 2010, foi nomeada coordenadora da Clínica de Psicologia, cargo que exerceu até este ano, quando passou a se dedicar ao Núcleo de Apoio ao Discente (NAD).

Por suas contribuições à saúde mental, o vice-presidente da ABEAD, Dr. Gilberto Lucio, fez questão de externar durante a IV Jornada do LAFAM, as atividades que Irinéa desenvolveu com qualidade. Dentre as muitas, destaca-se o livro “Adolescência, Drogas e Violência: Proteger é Preciso”, além da participação em diversas mesas redondas em jornadas e congressos da especialidade. Como exemplo de abeadeana, Irinéa Catarino defendeu com perspicácia o serviço gratuito para tratamento de jovens brasileiros dependentes de drogas. Por esse importante apoio, a ABEAD agradece in memorian Irinéa Catarino, também conhecida carinhosamente pelos amigos como ‘madrecita’. A Associação espera que o trabalho desenvolvido sirva de inspiração e reflexo para que outros especialistas realizem ações contra a dependência química.

Por fim, a ABEAD reelembra parte de um texto escrito por Irinéa, em 2008:

“[…] o gozo do dependente químico não se liga somente aos efeitos do produto droga, mas, também à organização psíquica do sujeito, bem como ao processo da civilização em que se encontra inserido. […] alivia a dor de existir, essa dor do impossível e da decepção incluída nas coisas humanas […], agravada, sem dúvida, nas malhas de um social, que promove a crença de que tudo é possível, e de uma família, que tudo permite.A dependência química é a resposta que o dependente de drogas devolve à sociedade […] marcada pelo individualismo, pelo narcisismo, pela violência, pela falta de restrições e controle dos pulsões, e por uma grande dosagem de ausência de limites”.

Catarino, 2008