O apoio da família é essencial no tratamento da endometriose

Todo mês, o corpo da mulher se prepara para receber um espermatozoide e fecundar o óvulo para gerar um bebê. O endométrio, tecido que reveste o interior do útero, é o responsável por acolher e nutrir o embrião nos estágios iniciais da gravidez, oferecendo condições necessárias para a implantação e nutrição do óvulo fecundado, até a formação da placenta, para permitir o transporte de nutrientes e oxigênio entre mãe e feto. Porém, quando não há fecundação, toda a camada funcional do endométrio é expelida, dando início ao processo de menstruação.

Estima-se que cerca de 176 milhões de mulheres têm uma afecção onde, em vez de serem expelidas, as células do endométrio migram no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar. Essa disfunção é como doença e chama-se endometriose, caracterizada pela presença do endométrio em outros órgãos da pelve, como as trompas, ovários, intestinos e bexiga.

A endometriose ainda é considerada uma doença enigmática, pois embora tenha sido descrita em 1860, a sua causa e forma de evolução ainda são desconhecidas. A despeito do pouco conhecimento sobre a doença pela sociedade e até mesmo por alguns profissionais da saúde, as mulheres e as famílias das portadoras de endometriose sofrem sem perceber os males que ela ocasiona. A endometriose pode provocar sintomas cíclicos ou agudos bastante comprometedores. Em 70% dos casos, eles iniciam ainda na adolescência com quadro de cólica menstrual intensa muitas vezes incapacitante. A doença também cursa com dor pélvica fora da menstruação, dor na relação sexual além de sintomas intestinais e urinários dependendo da localização e tamanho das lesões de endometriose. Os sintomas são crônicos e tendem a piora progressiva com a evolução da doença, que também pode provocar infertilidade.

O sofrimento contínuo causado pela endometriose faz com que muitas mulheres paguem um preço pessoal incomensurável. Falta às atividades escolares e de lazer, ausência ao trabalho, baixo rendimento profissional, dificuldades conjugais e familiares relacionados aos sintomas físicos e emocionais da doença, comprometem profundamente a qualidade de vida dessas mulheres. Por isso, quando a paciente recebe o diagnóstico de endometriose, é fundamental que ela tenha todo o apoio de sua família.

Para o diretor do Centro de Excelência em Endometriose, Prof. Dr. Frederico Corrêa, a mulher portadora de endometriose precisa ser bem assistida tanto no tratamento da doença quanto no ambiente familiar e de trabalho. “As pacientes com endometriose experimentam dor, frustrações e limites senão de forma cotidiana, em suas dores cíclicas. Por isso, além da necessidade de fazer o tratamento com uma equipe multidisciplinar [composta por cirurgião ginecológico, urologista, proctologista, cirurgião geral especializado em videolaparoscopia, radiologista/ultrassonografista especializado no diagnóstico da endometriose, especialista em reprodução humana assistida, patologista, imunologista, geneticista, especialista em dor, psiquiatra, psicólogo, fisioterapeuta e enfermeiro], é fundamental que a mulher tenha a compreensão de sua condição no ambiente de trabalho, na medida em que precisa superar a dor para cumprir com suas obrigações profissionais, e da família. Isso porque a endometriose poderá comprometer sua vida pessoal, social e sexual, onde ela terá prejudicada, em casos mais extremos, a sua fertilidade”, afirma.

Atividade física e alimentação balanceada são aliadas no enfrentamento da endometriose. Recomenda-se a realização de exercícios físicos pelo menos meia hora todos os dias. O ideal é que a atividade se enquadre dentro do dia a dia de maneira que não seja um transtorno, mas, sim, prazerosa. Já na parte da alimentação, fibras alimentares presentes em frutas, verduras e legumes ajudam a eliminar o excesso de estrogênio – hormônios que podem acentuar a doença. É importante reforçar que em qualquer sintoma de dor fora do habitual e recorrente, é necessária a visita imediata ao médico, pois com o diagnóstico precoce pode-se minimizar o desconforto e ajudar no correto tratamento da doença.