Anticoncepcionais: Seguros e eficazes

Nos últimos meses têm sido frequentes os debates sobre o perfil de segurança dos Anticoncepcionais Orais Combinados (AOCs). Algumas mulheres relataram na mídia que tiveram problemas de saúde com o uso do método. De acordo com a presidente da Comissão de Anticoncepção da FEBRASGO, Marta Franco Finotti, não há o que temer quando o anticoncepcional é indicado pelo ginecologista, que é o profissional habilitado para esclarecer os riscos e benefícios, com a prescrição do fármaco mais seguro e eficaz para o caso.

A especialista chama atenção para uma avaliação detalhada com o ginecologista porque muitas mulheres banalizam o uso da pílula. “Por vezes usam o contraceptivo por indicação do balconista da farmácia, por uma amiga ou mesmo pela vizinha. Por isso, a necessidade da visita ao médico, que através de uma anamnese busca o histórico familiar de doenças específicas ou seja, rastreia se a  mulher apresenta comorbidades e com a análise dos hábitos de vida: se a mulher é tabagista, se tem alteração de pressão arterial ou peso. Todas as informações são necessárias para a prescrição do anticoncepcional adequado”, explica Marta Franco Finotti.

Estima-se que no mundo, 100 milhões de mulheres sejam usuárias dos anticoncepcionais, que são caracterizados por sua elevada eficácia: a falha é de menos de um a cada 100 mulheres ao ano com o uso perfeito, aumentando para 5 a cada 100 mulheres ao ano com sua utilização típica. No Brasil, de acordo com Marta Finotti, a estimativa é que aproximadamente 27% das mulheres em idade fértil utilizem os anticoncepcionais. “Desde sua introdução no mercado, em 1960, o método vem se destacando como um grupo de fármacos dos mais estudados. Grande número de publicações refere-se à rápida evolução da pílula, particularmente abordando a redução da dose do componente estrogênico e a síntese de novos progestagênios”, afirma.

Medidas urgentes – Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas (ONU) lançado no ano passado, ao todo, são 7,3 milhões de adolescentes grávidas. Entre elas, dois milhões têm menos de 15 anos. E a previsão é que, se nada for feito nos próximos anos, esse número salte para três milhões em 2030. Por isso a necessidade do uso do preservativo para evitar doenças e a gravidez indesejada. Os anticoncepcionais devem fazer parte da cultura dessas jovens. Estamos falando de 200 mil meninas que morrem por dia no mundo por problemas em decorrência do parto”, alerta a presidente da Comissão de Anticoncepção da FEBRASGO.

Sobre complicações com tromboembolismo venoso, infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral com o uso das pílulas anticoncepcionais, Dra. Marta enfatiza que são raros os casos. “Houve uma redução considerável nas doses do componente estrogênico, ao longo dos anos, o que culminou em uma diminuição do risco com o uso dos contraceptivos hormonais combinados disponíveis na atualidade, considerados de baixa dose. O método é eficaz e seguro, mas somente deve ser usado com a prescrição de um médico ginecologista”, reforça.