Olimpíadas RIO 2016: Entenda como funciona o congelamento de sêmen, técnica que os atletas têm aderido por causa do Zika vírus

Atletas e turistas que pretendem participar dos Jogos Olímpicos Rio 2016, em agosto, estão congelando o sêmen antes da viagem ao Brasil. Mesmo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar o contágio do vírus, como não frequentar locais sem saneamento básico e não fazer sexo desprotegido, existem os que têm investido nessa prática de congelamento seminal. É o caso do jogador de basquete espanho Pau Gasol, o campeão britânico de salto em distância, Greg Rutherford e o treinador de vôlei John Speraw, dos EUA.

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Beatriz de Mattos, embriologista e diretora do Centro de Reprodução Humana FertilCare

A embriologista Beatriz de Mattos, do Centro de Reprodução Humana FertilCare, em Brasília, explica que a OMS já relatou que, pelos jogos serem realizados no inverno, o tempo seco e frio reduz habitualmente a população do mosquito Aedes aegypti, transmissor do Zika. Ela esclarece que a opção de congelamento do sêmen antes de embarcar no Brasil é preventiva, porém desnecessária visto que esse vírus não se comporta como o HIV. “Ao retornar para seus países de origem, os atletas poderiam adotar o uso de preservativo nas relações sexuais ao longo de oito semanas ou durante a fase gestacional, caso suas parceiras já estejam grávidas”, afirma. No entanto, se o atleta apresentar sintomas positivos para o Zika vírus, a OMS orienta o período de seis meses.

Mesmo assim, quem prefere aderir à técnica, a especialista explica que é altamente segura e eficaz. Para o procedimento, após a coleta, é feita análise macroscópica e microscópica do sêmen. Depois, é necessário diluí-lo com crioprotetor (substância que protege os espermatozoides em temperaturas de criogenia) e manter em vapor de nitrogênio líquido antes de ser mergulhado nesse nitrogênio. O material é armazenado em botijões a uma temperatura de -196ºC.

Além disso, o indivíduo necessita realizar uma triagem sorológica obrigatória prévia ao congelamento, dentre eles, a pesquisa do Zika. A embriologista enfatiza que após esses testes, o sêmen pode ser utilizado em técnicas de reprodução assistida. “É importante ressaltar que não há um tempo máximo de armazenamento deste material. Existem relatos de crianças nascidas saudáveis proveniente de sêmen criopreservado por mais de 10 anos”.

Para quem tem dúvida sobre a presença do Zika no sêmen, Beatriz destaca que o tempo de permanência do vírus no sêmen é aumentada em relação à corrente sanguínea, por isso a necessidade do uso de preservativo por oito semanas até seis meses. “Por medida de segurança, a Anvisa adota o período de 180 dias para liberação da amostra de doadores de sêmen”, diz Dra. Beatriz de Mattos.

Dentre os testes laboratoriais, o mais preciso e indicado para avaliar a ausência ou presença do Zika vírus é o estudo por biologia molecular no sêmen (PCR), no qual o material genético do vírus será amplificado e detectado. No entanto, como em alguns casos o contágio pelo Zika é assintomático, Dra. Beatriz de Mattos acredita que pode ser prudente que os atletas, ao retornarem para seus países, realizem o teste sorológico preventivo para o Zika IgM (detecção da fase aguda) e IgG (detecção de ter tido contato com o vírus). “No Brasil, a rede pública de saúde oferece testes gratuitos para um grupo restrito de pacientes sintomáticos e grávidas. Mas já existe o teste rápido que embora possa trazer um resultado duvidoso, é válido  pela rapidez e baixo custo”, finaliza.