Cuidados Paliativos: Atenção necessária para vencer o câncer

O diagnóstico do câncer continua sendo o principal motivo de desencorajamento para o paciente enfrentar a doença. É o que explica o oncologista do Instituto Onco-Vida, Paulo Lages, que na sua prática diária, percebe que ainda existe o estigma que a oncologia é uma especialidade incurável. Para mudar essa realidade, o médico se dedicou em especialização no Brasil e no exterior em cuidados paliativos.

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O oncologista Paulo Lages

De acordo com Dra. Andreza Karine Souto, que compõe o corpo clínico do Instituto Onco-Vida, e também possui formação nacional e internacional na área de cuidados paliativos, trata-se de uma abordagem que promove a qualidade de vida de pacientes e seus familiares por meio da prevenção e do alívio do sofrimento, auxiliando o paciente a ter autonomia, para que esteja preparado para o tratamento e eventual evolução da doença. “Os pacientes que evoluem para uma doença sem possibilidade de cura perdem também a esperança de ter qualidade de vida. Por isso, os Cuidados Paliativos têm como um de seus princípios oferecer o apoio necessário para o paciente e seus familiares”, diz.

Para o suporte médico, Dr. Paulo Lages esclarece que é necessário a participação de uma equipe multidisciplinar, que deve ser composta, dentre vários profissionais, os oncologistas, psicólogos, fisioterapeutas e enfermeiros. A atuação é em conjunto, sempre visando o bem-estar integral do paciente que carece de atenção especializada, para saber como lidar com os efeitos das medicações, cuidar da saúde mental e, quando possível, voltar a praticar atividades antes prazerosas.

“Infelizmente nem todos os oncologistas têm formação para oferecer cuidados médicos especializados após o término do tratamento quimioterápico e radioterápico. Aqueles que possuem tal capacidade entendem que o cuidado vai muito além das medicações, visando sempre fazer uma abordagem multidimensional, considerando aspectos físicos, mas também psicológicos, sociais e mesmo espirituais”, afirma.

Paulo Lages e Andreza Karine Souto reforçam que essa abordagem requer identificação precoce, avaliação e tratamento da dor e outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual. Esse último vai depender da religião do paciente, para que se apegue no que acredita, como forma de seguir em frente. O tratamento se torna mais brando e a terapia consegue trazer melhores resultados.

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A oncologista Andreza Karine Souto

Além do Paciente – Deve-se enfatizar que os Cuidados Paliativos é uma abordagem que não visa apenas o cuidado para com o paciente, mas também para com seus familiares e cuidadores. Dra. Andreza Karine Souto explica a importância do acompanhamento precoce do paciente oncológico já ao diagnóstico, incluindo seus familiares, principalmente o cuidador principal, pois este, imbuído na função de cuidar, apresenta repercussões físicas, psíquicas e sociais em sua vida e precisa estar preparado para lidar com as possíveis adversidades do tratamento.

“Muitas vezes a família quer apoiar e encorajar o paciente, mas não sabe como fazê-lo, e isso pode resultar em retrocessos durante o tratamento, por isso a necessidade de se adotar os princípios dos Cuidados Paliativos, onde a companhia familiar também deve ser objeto de interesse e cuidado da equipe que atende a esse grupo de pacientes”, diz.

Paulo Lages resume que ao fazer Cuidados Paliativos, o médico é capaz de cuidar de seu paciente até o último dia de vida dele.  “Sabe-se que a perda de uma pessoa que amamos nunca é fácil, e o processo de luto sempre estará presente. Cabe a equipe de cuidados não deixar com que tal processo seja patológico, seguindo um curso natural. O objetivo é fazer com que a família esteja apta para lidar com a possível condição de morte. É claro que a intenção é sempre curar a doença, mas deve-se preparar para todas as situações”.

Por fim, Dra. Andreza Karine Souto cita a definição de uma das fundadoras dos Cuidados Paliativos, Cicely Sauders, 1967: “Cuidado Paliativo não é uma alternativa de tratamento, e sim uma parte complementar e vital de todo acompanhamento do paciente”.