Infertilidade afeta mais de 278 mil casais brasileiros: saiba as causas e os tratamentos

No Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 278 mil casais em idade fértil têm dificuldade para conceber um filho. Neste mês de junho, que é voltado à Conscientização da Infertilidade, vale reforçar que o problema pode ser devido a alterações femininas e masculinas. É o que explica a médica ginecologista Luciana Potiguara, especialista em reprodução humana. “São vários os fatores que podem acometer homens e mulheres, por isso a necessidade de buscar ajuda especializada, a fim de serem feitos os exames necessários para o correto diagnóstico”, afirma.

No que refere às causas femininas, Dra. Luciana detalha as patologias mais comuns. “Pode ser devido a obstrução tubária uni ou bilateral, aderências tubárias, infecções pélvicas, ausência de ovulação, síndrome dos ovários policísticos, falência ovariana prematura, malformações, miomas, sinéquias intrauterinas, adenomiose e endometriose – doença que atinge uma em cada dez mulheres”, diz a médica, que dirige, em Brasília, a Clínica FertilCare, que dispõe de um centro de reprodução assistida.

Já a infertilidade masculina está relacionada a produção anormal do sêmen, seja em quantidade ou qualidade, e, até mesmo, na impossibilidade ou dificuldade de deposição do ejaculado na vagina, em razão de malformações no pênis. A médica esclarece que as principais causas de alteração no sêmen são: varicocele, infecções, traumas e malformações genitais. “Fatores comportamentais como tabagismo, etilismo e uso de drogas também podem causar infertilidade nos homens”, destaca.

Com a avaliação médica e exames complementares, o tratamento pode ser por meio de cirurgias, uso hormonais e com técnicas de reprodução assistida. “Em alguns é indicado a indução da ovulação com medicações específicas, a inseminação intrauterina que é uma técnica de reprodução assistida de baixa complexidade e fertilização in vitro – em que há manipulação de óvulos, espermatozoides e embriões”, esclarece Dra. Luciana Potiguara.

Prolongar a fertilidade – Pacientes que serão submetidos ao tratamento de câncer também podem ter a fertilidade comprometida em razão da quimioterapia e radioterapia. Para que possam ter filhos após a cura da doença, de acordo com a Dra. Luciana Potiguara, podem ser congelados o tecido ovariano e oócitos (células germinativas femininas), assim como os espermatozoides.

”No caso de coleta seminal, o material é congelado e mantido em botijões de nitrogênio líquido a uma temperatura negativa (processo chamado de criopreservação) por tempo indeterminado. O uso do sêmen congelado só pode ser solicitado pelo paciente que realizou o armazenamento do material através da clínica que fará a utilização em técnicas de reprodução assistida”, pontua a médica.

Para os casais que desejam ter filhos e há ausência de gravidez após 12 meses de relação sexual sem uso de método contraceptivo, Dra. Luciana Potiguara reforça: “É preciso fazer uma anamnese para entender as possíveis causas da infertilidade. O mais importante é saber que a medicina dispõe de recursos de comprada eficácia que podem, sim, ajudar no sonho da maternidade”.