MULHERES QUE PASSARÃO POR TRATAMENTO DE CÂNCER PODEM TER A FERTILIDADE COMPROMETIDA

Pela primeira vez pesquisadores conseguiram mensurar o impacto que o tratamento do câncer pode ter sobre a fertilidade feminina

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Dra. Luciana Potiguara

Mulheres que serão submetidas ao tratamento de câncer podem ter a fertilidade comprometida em razão da quimioterapia e da radioterapia. Para entender o impacto da medicação na fertilidade, pela primeira vez pesquisadores do Centro de Saúde Reprodutiva da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, conseguiram relacionar os cânceres diagnosticados até a gravidez subsequente e descobriram que as sobreviventes tinham 38% menos chances de conseguir uma gestação do que as mulheres que não foram diagnosticadas com a doença.

A médica Luciana Potiguara, diretora da Clínica FertilCare, em Brasília, explica que trata-se de um grande estudo populacional publicado no início deste mês de julho durante a reunião anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), em Genebra, na Suíça, que quantificou a chance de gravidez após o tratamento do câncer em mulheres de até 39 anos. “Essa análise fornece a evidência robusta do efeito do câncer e seu tratamento na faixa etária reprodutiva”, enfatiza a especialista em reprodução humana.

Dra. Luciana Potiguara destaca que a necessidade de um melhor acesso à preservação da fertilidade tornou-se mais premente nos últimos anos em razão das melhores de taxas de sobrevivência após o diagnóstico do câncer e por causa das melhorias nas técnicas de congelamento de óvulos e tecido ovariano para restaurar a fertilidade. “Muitas mulheres desconhecem que a fertilidade pode ser comprometida por causa da medicação. Apesar de mais modernos, os tratamentos para os vários tipos de câncer, que incluem cirurgia, quimioterapia e radioterapia, podem ter efeitos devastadores sobre a fertilidade, impedindo que após a cura da doença, as mulheres possam ter seus filhos”.

A médica esclarece os danos provocados pelas drogas contra o câncer. “A alteração ovariana depende do tipo de medicação, da dose utilizada e da idade da mulher durante o tratamento, acontecendo a falência reprodutiva em pacientes jovens. A quimioterapia leva a destruição dos folículos ovarianos e consequentemente a alteração da sua função. Já a radioterapia também pode levar a lesão irreversível no ovário. Importante ressaltar que muitas destas consequências são permanentes e irreversíveis, o que compromete para sempre o futuro reprodutivo”, reforça.

Realidade Brasileira – No Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 278 mil casais em idade fértil têm dificuldade para conceber um filho. A alternativa para a mulher que passará pelo tratamento de câncer é congelar o tecido ovariano e oócitos (células germinativas femininas). “Após o tratamento, o material só pode ser solicitado pela paciente que pediu o armazenamento através da clínica que fará a utilização em técnicas de reprodução assistida”, informa Dra. Luciana Potiguara. Por isso, a especialista chama atenção para as implicações do diagnóstico e do tratamento planejado e, quando apropriado, as opções para a preservação da fertilidade devem ser discutidas com a paciente e sua família.