Câncer de ovário: Doença de difícil diagnóstico e sem exame preventivo

 

Na sexta-feira, 10 de novembro, a atriz Márcia Cabrita foi vítima do câncer de ovário, doença que segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) registrou, em 2016, 6.150 casos – o que representa, em média, 3% dos tumores femininos.

Para entender mais sobre a doença, como forma de alertar as mulheres para irem ao médico, uma vez que a detecção precoce é essencial para a cura do câncer, a redação do Médicos na Mídia conversou com a oncologista do Instituto de Câncer de Brasília (ICB), Dra. Camila Tapia. Confira:

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Dra. Camila Tapia, oncologista do Instituto de Câncer de Brasília (ICB)

Porque acontece o câncer de ovário, qual o tipo mais comum e como prevenir a doença?

O câncer de ovário é um tumor ginecológico, pouco frequente, de difícil diagnóstico, e que na maioria dos casos é detectado em estágios mais avançados da doença. O subtipo mais comum é o Carcinoma de linhagem epitelial. Ainda não existe um exame preventivo, como ocorre com o câncer de colo do útero. Medidas como pratica regular de atividade física, evitar a obesidade e manter uma dieta balanceada e pobre em gorduras parecem estar relacionadas à prevenção da doença, apesar disso ser um pouco controverso.

Quais os fatores de risco?

Fatores hormonais, ambientais e genéticos estão relacionados ao desenvolvimento do câncer de ovário. História Familiar de câncer de ovário é o fator de risco isolado mais importante. Dentre as alterações genéticas estão, por exemplo, mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. A obesidade, sedentarismo e reposição hormonal são outros possíveis fatores de risco.

Quais os sintomas do câncer de ovário?

Em fases precoces da doença, o câncer de ovário é na maioria das vezes assintomático. Conforme há o crescimento tumoral pode ocorrer: dor e aumento do volume abdominal, alteração de hábito intestinal, perda de peso e massa pélvica palpável.

Como é feito o diagnóstico da doença?

Exames de sangue, como o marcador tumoral CA 125; e de imagem, tais como ultrassonografia, tomografia, ressonância magnética, podem sugerir o diagnóstico, que deverá sempre ser confirmado por biopsia para comprovação anatomo-patológica da doença. No caso de suspeita de câncer de ovário a biópsia acaba sendo realizada através de um procedimento cirúrgico.

Quais os tratamentos mais avançados para tratar a doença?

O principal pilar do tratamento do câncer de ovário é a cirurgia. A quimioterapia é reservada como tratamento pós-operatório (adjuvante) ou em casos de doença avançada. Medicações que inibem a proliferação vascular, como o Bevacizumabe, são utilizadas em associação com a quimioterapia para melhor controle da doença avançada.