Infectologista alerta sobre diagnóstico precoce do HIV: DF registra, por dia, cerca de três casos de pessoas com a doença

Relatório divulgado na segunda-feira (27), pela Secretaria de Saúde do DF, aponta que entre janeiro a setembro deste ano, foram registrados 567 novos casos de pessoas com HIV e 269 pacientes com Aids. Os dados mostram que, por dia, são diagnosticadas cerca de três pessoas com a doença, o que reforça, neste 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids, a importância da detecção precoce.

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O infectologista do Instituto de Câncer de Brasília (ICB), Dr. Werciley Saraiva, chama atenção para o aumento da contaminação entre pessoas 20 a 24 anos. “É necessário uma mobilização para o reconhecimento da doença. Muitos jovens não têm receio e utilizam de comportamentos de risco, como a relação sexual desprotegida, inclusive o sexo oral e o uso de drogas injetáveis. É preciso reforçar que as doenças sexualmente transmissíveis são a porta de entrada para o HIV, e isso inclui a sífilis, que tem aumentado os casos em Brasília”, alerta.

O médico faz referência à meta da Organização Mundial de Saúde, chamada de 90/90/90, que tem a intensão de eliminar a Aids até 2030, mas somente com ações precisas será possível atingir as taxas mínimas de contaminação viral no país, e isso inclui a interrupção da cadeia de transmissão da doença, uma vez que, segundo o Ministério da Saúde, a estimativa é que 830 mil brasileiros tenham HIV. “Por isso são necessárias campanhas específicas e uma maior abordagem diagnóstica”, afirma.

Lançamento do Prep – O Dr. Werciley Saraiva é entusiasta ao lançamento, na próxima sexta-feira, 1º de dezembro, do medicamento de prevenção do HIV, que será disponibilizado pelo SUS, a chamada Profilaxia Pré-Exposição (Prep) – o qual faz do Brasil o primeiro país em desenvolvimento a implementar como política pública. Para ele, será possível fazer uma redução potencial da transmissão do HIV e incorporar de forma gradativa o medicamento, como forma de evitar com que a pessoa que não tem o HIV adquira – quando se expor ao vírus.

Por outro lado, o infectologista acredita que medidas efetivas para o diagnóstico e tratamento dos soropositivos continuam sendo as formas mais eficazes de evitar a disseminação na doença. “Existem alguns estudos que mostram um avanço significativo para neutralizar o vírus, mas é preciso mais aprofundamento para que tenham aplicabilidade. Por isso é necessário que as pessoas façam os exames de diagnóstico e sigam o tratamento. Sabe-se que os chamados pacientes ‘indetectáveis’ têm baixas chances de transmitir o vírus. Já os que não têm o HIV controlado estão mais propensos a ter neoplasias, como o câncer de próstata, o digestivo, o de pele, o de pulmão e linfomas”, destaca Dr. Werciley Saraiva.