Novas regras do CFM para indicação de cirurgia bariátrica a pacientes com diabetes

O excesso de peso contribui para diversos problemas de saúde, como doenças cardiovasculares, hérnia de disco, apneia do sono, incontinência urinaria e de esforço. Praticar atividade física e ter uma alimentação equilibrada continua sendo a indicação dos especialistas, mas quando essas alternativas não contribuem para o emagrecimento, muitos recorrem à cirurgia bariátrica.

7ef9e9ed-51ed-4db0-8824-fd404e581964Mas o perfil que somente pessoas obesas devem ser submetidas à intenção cirúrgica tem mudado.  É que o Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou novas regras que ampliam a indicação da cirurgia bariátrica para o tratamento de pacientes com diabetes, incluindo aqueles com obesidade leve.

Com as novas regras do CFM, a cirurgia passa a ser indicada também para pacientes com diabetes tipo 2 não controlado e IMC (índice de massa corporal, que é o peso dividido pela altura ao quadrado) entre 30 kg/m² e 34,9 kg/m².

O cirurgião bariátrico Orlando Faria, que dirige a clínica Gastrocirurgia de Brasília, explica que o procedimento tem efeito independente da perda de peso. “As pesquisas foram evoluindo e descobriu-se que as pessoas que não eram tão obesas tinham um comprometimento metabólico importante. Hoje são mais de 49 estudos prospectivos, alguns randomizados e mostram de forma incontestável uma superioridade do tratamento cirúrgico”.

Dr. Orlando enfatiza que a obesidade deve ser encarada como doença, que traz mudanças estéticas, mas, principalmente, o comprometimento de vários órgãos do corpo. Por isso o médico chama atenção para que o paciente com indicação à cirurgia seja atendido por uma equipe multidisciplinar, que envolve cardiologista, endócrino, psicólogos, dentre outros profissionais de saúde.

   

                                                         Sintomas duradouros – O professor de matemática Afonso Medeiros (36), explica que as constantes crises de mal-estar foram responsáveis para que recorresse à cirurgia. Ele conta que ganhou d7903df5-f476-448c-b885-b4162c26dbcdpeso na adolescência, e na idade adulta, mesmo seguindo a orientação de nutricionistas e endócrinos, sentia diversos sintomas. “Já pesei 106 kg, e tenho 1.69m. Hoje estou com 96kg e só consegui diminuir o peso na balança após muito esforço”, diz o brasiliense.

Afonso tem diabetes e sofre com apneia do sono. “Para mim, não se trata da estética, mas de saúde. Estou com o fígado gordo e mesmo que, aparentemente, eu não demonstre ser tão gordo, os problemas são metabólicos. Sinto tontura às vezes para amarrar o sapato, por exemplo. Mas agora estou entusiasmado com a cirurgia”, celebra ele, que espera pela intervenção para o dia 11 de janeiro de 2018.

Dr. Orlando Faria avalia que hoje a cirurgia bariátrica baixos índices de complicações pós-operatórias. “A maioria das cirurgias é feita por via laparoscópica, com menos risco de complicação com a melhor recuperação”, diz o médico, que acrescenta que após dois dias o paciente pode receber alta para ir para casa.

O médico acredita que as regras do CFM irão beneficiar muitas pessoas que só poderiam passar pela cirurgia quando estivessem muito obesas. “Isso possibilitou uma amplificação muito grande, pois quem tem problemas metabólicos pode ser submetido ao tratamento. E quando mais precoce se indica a cirurgia, mais rápido o diabetes é controlado, antes mesmo da perda de peso”, afirma.