MATERNIDADE APÓS OS 40: ENTENDA COMO TER UMA GESTAÇÃO TARDIA COM SEGURANÇA

 

Ivete Sangalo, Luciana Gimenez, Karina Bacchi, dentre tantas outras famosas brasileiras, engrossam o coro da maternidade após os 40 anos. Adeptas às técnicas de reprodução humana, elas puderam realizar o sonho de serem mães em uma idade mais avançada. Isso porque, a partir dos 35, as mulheres começam a apresentar uma diminuição gradativa da fertilidade e da qualidade dos seus óvulos.

A médica geneticista Graziela Antonialli alerta para os riscos de uma gravidez nessa fase da vida, que incluem hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, além de diabetes materna e parto prematuro. “Existe também o risco aumentado para malformações fetais, principalmente relacionado ao aumento das anomalias cromossômicas, como a síndrome de Down, a síndrome de Turner, e as síndromes de Patau e de Edwards, que são as mais conhecidas. Por isso, se for necessário postergar a gravidez, deve-se consultar um médico para que possam receber as informações necessárias para uma gestação mais segura”, informa a especialista, que compõe o corpo clínico da Fertilcare, em Brasília.

As mulheres que pretendem recorrer às técnicas de reprodução humana receberão um estímulo hormonal, que permite que mais de um óvulo amadureça em um mesmo ciclo. Após esse primeiro passo, e com controles ultrassonográficos, os óvulos são coletados. Se for do desejo do casal, pode ser feita uma triagem genética para selecionar os embriões considerados cromossomicamente normais. A partir daí, podem ser transferidos para o útero materno os que foram selecionados.

Já as que vislumbram serem mães no futuro, podem preservar a fertilidade através do congelamento de óvulos. Eles poderão ser utilizados no momento que a mulher achar oportuno, mas a orientação é que a gestação ocorra antes dos 50 anos. Porém, em situações de exceção, justificada pelo médico e conscientes dos riscos, mulheres mais velhas podem gestar, segundo nova norma do Conselho Federal de Medicina”.

Outro benefício do congelamento de óvulos é para as mulheres que irão passar por tratamento de câncer. Dra. Graziela Antonialli esclarece que a quimioterapia e a radioterapia podem causar a infertilidade, por serem tratamentos agressivos que prejudicam as células reprodutivas. Assim, o indicado é que os óvulos sejam congelados antes de se iniciar o uso de medicações para a cura do câncer.

Existem também as pacientes com risco de ma falência ovariana precoce, devido a um histórico familiar de menopausa em idade jovem ou quando os exames ginecológicos apontam para o possível problema. Nestes casos, o congelamento de óvulos pode preservar o tempo de fertilidade dessas mulheres, permitindo a realização do sonho da gravidez.

Produção Independente – As que pretendem ter filhos de forma independente, a exemplo de Karina Bacchi, podem recorrer aos bancos de sêmen. A Dra. Graziela Antonialli, explica que em Brasília, a clínica Fertilcare, dispõe desse serviço. Ela detalha que antes da coleta dos gametas, os doadores passam por exames de saúde e realizam o cariótipo para afastar anomalias cromossômicas, além de preencherem um cadastro onde são coletados seus dados pessoais, como cor de pele, altura, peso, principais características físicas, hábitos de vida e dados da família, como doenças mais comuns, além das características físicas de pais e avós.

“Todo esse cuidado é necessário para garantir a saúde da mulher e do bebê. Quando se opta pela utilização de um sêmen doado, ela poderá fazer a escolha entre todos os doadores daquele banco, de acordo com as características que achar mais importantes. Vale reforçar que as técnicas de reprodução humana podem auxiliar na realização de sonhos de muitas mulheres que adiam a maternidade, seja por razões profissionais, emocionais ou de saúde. O mais importante é que seja procurado um centro de reprodução humana de referência, de acordo com as normas de Vigilância Sanitária e do CFM”, indica.