A volta ao trabalho de mulheres que venceram o câncer de mama

O Painel de Debates: Superando o Câncer de Mama- Saúde e Empregabilidade, do Grupo Mulheres do Brasil, que ocorreu no dia 29 de outubro, foi enriquecedor. O evento reuniu no auditório do BRB diversos médicos onde foi discutido a saúde e a empregabilidade após o câncer, e assuntos como: o câncer de mama documentado na arte, desde a antiguidade e o renascimento, até os dias de hoje; reconstrução mamária após o câncer de mama; epidemiologia do câncer de mama; câncer de mama- empregabilidade após a cura. Nas palestras, foi possível esclarecer sobre a prevenção do câncer de mama, e de como superar a doença.

A Dr. Ana Paula Faber, psiquiatra e membro da Associação de Psiquiatria de Brasília (APBr) mediou o evento, discutindo como as mulheres podem se prevenir, qual as formas de cuidado que se deve ter quando descobrir a doença. ‘’Quanto mais existe o conhecimento, e quanto mais a gente divulga, mais as pessoas vão atrás de resolver os seus problemas, vão detectar com mais facilidade. O conhecimento do risco, é a primeira forma de prevenir esse risco. O objetivo do evento é esse’’, afirma.

Durante as palestras, foi bastante frisada a importância da retomada ao trabalho e a rotina para mulheres que vencem o câncer de mama, que tem muito valor para elas. Além de ajudar na confiança da mulher, faz com que a autoestima que não estava tão boa durante a doença aumente, além de ser um voto de confiança. É o que relata a psicóloga comportamental, Mônica Muller. ‘’O período mais difícil é o do diagnóstico e o do tratamento. Muitas vezes essa mulher é a empoderada, nesse tempo ela vai precisar reaprender, criar, atividades que sejam reforçadoras, que sejam prazerosas para lidar com esse momento difícil, diminuindo assim o impacto no tratamento. O que a mulher precisa é se adaptar a situação atual que ela enfrenta, ou diminuir a carga horária de trabalho, ou encontrar um que se adeque a situação em que se encontra’’, pontua a psicóloga.

O presidente da Associação Médica de Brasília, Dr. Ognev Cosac, compartilha sobre como a importância de ações voltadas para essas mulheres. “A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica promoveu na semana passada, no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), promovemos cinquenta cirurgias de reposição mamária, tirando pacientes de diversas filas de hospitais, e conseguimos atender essas pacientes com reconstruções complexas. Isso faz esse tipo de evento ser muito importante’’, afirmou o cirurgião plástico.

Painel de debates: Superando o câncer de mama- Saúde e empregabilidade

O Painel de Debates: Superando o Câncer de Mama- Saúde e Empregabilidade, proporcionou o esclarecimento em diferentes assuntos relacionados ao câncer de mama. O painel tinha o objetivo de proporcionar a população, discussões sobre diversos temas relacionados a doença. Para o evento acontecer, o painel contou com a colaboração de médicos que falaram sobre o surgimento do câncer de mama, o diagnóstico, a reconstrução, e a saúde mental e física da mulher para voltar a vida normal antes, durante, e depois de superar a doença.

A programação, que era voltada para a saúde e empregabilidade da mulher depois do câncer de mama, contou com a presença de ginecologista e mastologista, radiologista, cirurgião plástico, psicóloga, gestora de pessoas. As palestras, apesar de individuais, eram interligadas, e fazia um memorial de como o câncer de mama surgiu, como era os primeiros tratamentos, a importância do exame de toque entre as mulheres, e esclareceu muitas dúvidas até mesmo do público com temas relacionados a prevenção, a importância de cuidar da saúde, e a importância de ter pessoas que realmente se preocupam do seu lado.

Para o mastologista Carlos Calvano, o painel é de extrema importância para a sociedade, e atingiu o objetivo inicial, que era de informar sobre a volta das mulheres que vencem o câncer de mama ao mercado de trabalho. ‘’ Eu acho importante como divulgação, como compartilhamento de informação, que precisa ser feita. Eventos como esse justifica muita coisa, justifica muitos medos que são enfrentados pelas mulheres, e faz com que as mulheres se alertem com relação aos sintomas, se sentirem alguma coisa, esse diagnóstico mais precoce, não fique em casa esperando evoluir, o que é muito comum.

Por fim, a diretora social da Rede Feminina de Combate ao câncer, Rita Márcia, resumiu o que o evento representa para as mulheres que enfrentam a doença.‘’É um evento de esclarecimento, de troca de informação, e o despertar do desejo de ajudar o próximo’’, termina.

Câncer de mama no Brasil

O tratamento do câncer de mama ainda é um fato que preocupa não só as mulheres no Brasil, mas também os médicos, por ser a doença que mais mata mulheres no país. Não existe só uma causa pra ele, os fatores são diversos, e um dos motivos que influencia bastante, é que quanto mais a mulher tiver idade avançada, a probabilidade da doença aumenta. A quantidade de mamografias feitas no Brasil ainda é um número alarmante, são 2,6 milhões de mamografias em mulheres entre 50 e 60 anos. A incidência da doença entre 2012 e 2016 encontra-se em 7 mil casos. Sendo 29,3% dessas mulheres apenas que conseguem a reconstrução mamária.

Um estudo feito em 2017 com mulheres tratadas no Instituto do Câncer em São Paulo (ICESP), na faixa etária mulheres de 18 a 57 anos, e que trabalhavam pelo menos seis meses antes de serem diagnosticadas com câncer, entrevistou 125 mulheres que já haviam passado por esse tratamento. A pesquisa comprovou de 94% das mulheres gostavam bastante do trabalho que tinham antes do câncer, e que 73% delas receberam apoio do empregador, e apenas 29% relataram que o empregador ofereceu aumento após o diagnóstico da doença.

A gestora de pessoas do Grupo Hospitalar Santa Lucia, Carla Antunes Cavalcanti, relata a importância do apoio nesse período de tratamento. ‘’Esse período é vida também, precisa de alguns ajustes, como a permissão para sair a qualquer momento para fazer terapia, ela precisa de ajustes tanto no dia a dia como na carga horaria de trabalho, são mudanças necessárias. Por não ter apoio, a maioria delas fica bastante tempo fora do trabalho, até ter força o suficiente para voltar ao trabalho’’, termina.