Perda auditiva pode ocasionar transtornos que vão de depressão a Alzheimer

O otorrinolaringologista Dr. Wady Buhaten esclarece que vários estudos científicos apontam que o deficiente auditivo não tratado adequadamente “é mais propenso ao isolamento social e familiar, afetando sua personalidade para uma forma mais introspectiva e ocasionando um estado depressivo crônico”, afirma.

“Os portadores de perda auditiva não protetizados (sem aparelhos auditivos) desenvolvem demência senil de forma mais precoce. Por este motivo, têm maiores dificuldades de memória e na realização de atividades laborais do dia-a-dia. Alguns estudos ligam até o aparecimento do Mal de Alzheimer (tipo de demência muito comum atualmente) a pacientes com perda auditiva não tratada”, afirma.

Dr. Wady Buhaten chama a atenção para os pacientes que ainda estão no mercado e trabalho. Segundo ele, os indivíduos não tratados com aparelhos auditivos “apresentam mais queixas de cansaço físico e mental no fim da jornada e rendem menos, quando comparados aos que utilizam aparelho auditivo”.

Para o médico,a surdez neurossensorial – forma mais comum de perda auditiva – tem como principal causa, o envelhecimento. No entanto, exposição ao ruído, infecções e doenças congênitas também estão as razões conhecidas desta perda auditiva.

Diagnóstico e tratamento

Dr. Wady Buhaten alerta para as consequências do diagnóstico e tratamento tardios quando o assunto é déficit auditivo. “Quanto mais tardiamente for realizado o diagnóstico, mais difícil será o tratamento. Isso se dá em razão da perda da capacidade do processamento auditivo central. O processamento auditivo central está relacionado a capacidade de compreender, pois não importa apenas ouvir os sons, eles precisam ser compreendidos”, afirma.

A tomada de iniciativa para um diagnóstico e tratamento é fundamental para a recuperação e minimização dos danos do déficit. De maneira geral, as pessoas demoram para tomar providências em relação a possíveis deficiências. No entanto, esta demora pode acarretar no agravamento do quadro.

“O portador de deficiência auditiva que não tem um diagnóstico precoce, como não recebe estímulos, vai perdendo essa via auditiva por desuso, ocasionando uma dificuldade enorme de tratamento com o passar dos anos”, conta o Otorrinolaringologista.

Sinais de alerta

O principal sinal de déficit auditivo está na impressão de ouvir, mas não compreender o que foi dito. Este indício, normalmente, surge em situações de locais mais barulhentos, como festas ou eventos em família. De acordo com Dr. Wady Buhaten,outro sinal importante é o aparecimento de zumbido. “Este pode ser o primeiro sinal do início de perda auditiva”, afirma o médico.

Cotidiano moderno

Nos dias de hoje, o fone de ouvido é companheiro inseparável de grande parte da população mundial. O uso exagerado do equipamento, no entanto, é uma das causas notáveis de déficit auditivo no mundo.

“Atualmente, estamos vivendo uma epidemia de surdez neurossensorial precoce pelo uso disseminado dos fones de ouvido. Na geração tecnológica que vivemos, desde de muito cedo estamos expostos ao fone com sons elevados. O problema não está no fone em si, mas nas horas e no volume utilizados”, explica.

O médico afirma que o uso racional do fone e a precaução em relação a equipamentos de em alto volume sonoro são fundamentais para a saúde auditiva.

“É importante usar de forma racional o fone de ouvido, em altura fisiológica e dando um intervalo de no mínimo 10 minutos a cada 45 minutos de uso. Assim como evitar exposição a barulhos elevados, como de máquinas (sem a proteção auditiva). Além disto, é fundamental evitar ficar perto de caixas de sons em festas ou boates”, esclarece.

Preconceito atrapalha tratamento

De acordo com Dr. Wady Buhaten, o preconceito com um importante aliado do tratamento, é uma das causas para que o paciente retarde a procura por ajuda.

“A principal causa, infelizmente, ainda é o preconceito ao aparelho auditivo. O paciente acha que ficará estereotipado usando aparelhos para surdez. Precisamos investir em campanhas para demonstrar a importância do tratamento precoce, Mostrar as vantagens e como podemos evitar várias patologias relacionadas a esse problema de saúde pública, principalmente com o envelhecimento global da população”, explica Dr. Wady Buhaten.

Segundo o médico outro fator determinante para a lentidão na busca por tratamento é o ainda alto custo dos aparelhos auditivos.

“Infelizmente a grande maioria da nossa população não tem condição financeira para a aquisição de aparelhos auditivos e o serviço público não possui a capacidade de fornecer para todos que precisam”, afirma.