Lucia Fernandes

Perda auditiva pode ocasionar transtornos que vão de depressão a Alzheimer

O otorrinolaringologista Dr. Wady Buhaten esclarece que vários estudos científicos apontam que o deficiente auditivo não tratado adequadamente “é mais propenso ao isolamento social e familiar, afetando sua personalidade para uma forma mais introspectiva e ocasionando um estado depressivo crônico”, afirma.

“Os portadores de perda auditiva não protetizados (sem aparelhos auditivos) desenvolvem demência senil de forma mais precoce. Por este motivo, têm maiores dificuldades de memória e na realização de atividades laborais do dia-a-dia. Alguns estudos ligam até o aparecimento do Mal de Alzheimer (tipo de demência muito comum atualmente) a pacientes com perda auditiva não tratada”, afirma.

Dr. Wady Buhaten chama a atenção para os pacientes que ainda estão no mercado e trabalho. Segundo ele, os indivíduos não tratados com aparelhos auditivos “apresentam mais queixas de cansaço físico e mental no fim da jornada e rendem menos, quando comparados aos que utilizam aparelho auditivo”.

Para o médico,a surdez neurossensorial – forma mais comum de perda auditiva – tem como principal causa, o envelhecimento. No entanto, exposição ao ruído, infecções e doenças congênitas também estão as razões conhecidas desta perda auditiva.

Diagnóstico e tratamento

Dr. Wady Buhaten alerta para as consequências do diagnóstico e tratamento tardios quando o assunto é déficit auditivo. “Quanto mais tardiamente for realizado o diagnóstico, mais difícil será o tratamento. Isso se dá em razão da perda da capacidade do processamento auditivo central. O processamento auditivo central está relacionado a capacidade de compreender, pois não importa apenas ouvir os sons, eles precisam ser compreendidos”, afirma.

A tomada de iniciativa para um diagnóstico e tratamento é fundamental para a recuperação e minimização dos danos do déficit. De maneira geral, as pessoas demoram para tomar providências em relação a possíveis deficiências. No entanto, esta demora pode acarretar no agravamento do quadro.

“O portador de deficiência auditiva que não tem um diagnóstico precoce, como não recebe estímulos, vai perdendo essa via auditiva por desuso, ocasionando uma dificuldade enorme de tratamento com o passar dos anos”, conta o Otorrinolaringologista.

Sinais de alerta

O principal sinal de déficit auditivo está na impressão de ouvir, mas não compreender o que foi dito. Este indício, normalmente, surge em situações de locais mais barulhentos, como festas ou eventos em família. De acordo com Dr. Wady Buhaten,outro sinal importante é o aparecimento de zumbido. “Este pode ser o primeiro sinal do início de perda auditiva”, afirma o médico.

Cotidiano moderno

Nos dias de hoje, o fone de ouvido é companheiro inseparável de grande parte da população mundial. O uso exagerado do equipamento, no entanto, é uma das causas notáveis de déficit auditivo no mundo.

“Atualmente, estamos vivendo uma epidemia de surdez neurossensorial precoce pelo uso disseminado dos fones de ouvido. Na geração tecnológica que vivemos, desde de muito cedo estamos expostos ao fone com sons elevados. O problema não está no fone em si, mas nas horas e no volume utilizados”, explica.

O médico afirma que o uso racional do fone e a precaução em relação a equipamentos de em alto volume sonoro são fundamentais para a saúde auditiva.

“É importante usar de forma racional o fone de ouvido, em altura fisiológica e dando um intervalo de no mínimo 10 minutos a cada 45 minutos de uso. Assim como evitar exposição a barulhos elevados, como de máquinas (sem a proteção auditiva). Além disto, é fundamental evitar ficar perto de caixas de sons em festas ou boates”, esclarece.

Preconceito atrapalha tratamento

De acordo com Dr. Wady Buhaten, o preconceito com um importante aliado do tratamento, é uma das causas para que o paciente retarde a procura por ajuda.

“A principal causa, infelizmente, ainda é o preconceito ao aparelho auditivo. O paciente acha que ficará estereotipado usando aparelhos para surdez. Precisamos investir em campanhas para demonstrar a importância do tratamento precoce, Mostrar as vantagens e como podemos evitar várias patologias relacionadas a esse problema de saúde pública, principalmente com o envelhecimento global da população”, explica Dr. Wady Buhaten.

Segundo o médico outro fator determinante para a lentidão na busca por tratamento é o ainda alto custo dos aparelhos auditivos.

“Infelizmente a grande maioria da nossa população não tem condição financeira para a aquisição de aparelhos auditivos e o serviço público não possui a capacidade de fornecer para todos que precisam”, afirma.

 

 

Sancionada lei que permite internação involuntária de dependentes químicos

O presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei aprovada pelo Congresso que autoriza a internação involuntária (sem consentimento) de dependentes químicos sem a necessidade de autorização judicial.

A medida ainda gera divergências entre profissionais responsáveis pelo tratamento. O texto foi publicado no Diário Oficial da União.

Além de endurecer a política nacional antidrogas, a lei fortalece as comunidades terapêuticas, instituições normalmente ligadas a organizações religiosas.

A nova lei estabelece que:

a internação involuntária só poderá ser feita em unidades de saúde e hospitais gerais

a internação voluntária dependerá do aval de um médico responsável e terá prazo máximo de 90 dias, tempo considerado necessário à desintoxicação

A solicitação para que o dependente seja internado poderá ser feita pela família ou pelo responsável legal; não havendo nenhum dos dois, o pedido pode ser feito por um servidor da área da saúde, assistência social ou de órgãos integrantes do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad).

Voluntária x involuntária

A Lei de Drogas em vigor não trata da internação involuntária de dependentes químicos. Com a nova lei, que vale já a partir desta quinta-feira, passa a haver um clara distinção da internação voluntária, com consentimento do dependente, e da involuntária.

A lei sancionada por Bolsonaro também estabelece que a internação involuntária depende de avaliação sobre o tipo de droga consumida pelo dependente e será indicada “na hipótese comprovada da impossibilidade de utilização de outras alternativas terapêuticas previstas na rede de atenção à saúde”.

Pelo texto, a família ou o representante legal do paciente poderão solicitar a interrupção do tratamento “a qualquer tempo”. Além disso, a lei determina que tanto a internação involuntária quanto a voluntária devem ser indicadas somente quando “os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes”.

Comunidades terapêuticas

A lei inclui as Comunidades Terapêuticas Acolhedoras no Sisnad. De acordo com o texto, a permanência dos usuários de drogas nesses estabelecimentos de tratamento poderá ocorrer apenas de forma voluntária. Para ingressar nessas casas, o paciente terá de formalizar por escrito seu desejo de se internar.

O texto estabelece que esses locais devem servir de “etapa transitória para a reintegração social e econômica do usuário de drogas”. Ainda que o paciente manifeste o desejo de aderir às comunidades, será exigido uma avaliação médica prévia do dependente.

O acolhimento dos dependentes nessas comunidades deve ser dar em “ambiente residencial, propício à formação de vínculos, com a convivência entre os pares, atividades práticas de valor educativo e a promoção do desenvolvimento pessoa”. Fica vedado o isolamento físico do usuário nesses locais.

O presidente, entretanto, vetou quatro itens que haviam sido aprovados pelo Congresso sobre as comunidades terapêuticas. Os trechos barrados permitiam que:

pessoas que não são médicas avaliassem o risco de morte de um dependente, para que o acolhimento pudesse ser feito de imediato nessas comunidades

fosse dada prioridade absoluta no SUS para as pessoas que passam por atendimento em comunidades terapêuticas

a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) definisse as regras de funcionamento das comunidades terapêuticas

as comunidades não fossem caracterizadas como equipamentos de saúde

Atualização em diagnóstico de doenças infecciosas

A Associação Médica de Brasília (AMBr), realizou, na sexta (24) o Programa de Educação Continuada (PEC) “Viroses Endêmicas e os Desafios no Diagnóstico e Tratamento”.

Durante as palestras, o médico infectologista Dr. Dalcy Albuquerque falou sobre quatro viroses específicas: Influenza, Dengue, Hantavirose e Chikungunya. Especialista em Medicina Tropical, Dr. Dalcy abordou características dos vírus, formas de transmissão, manifestações clínicas, sinais de agravamento das doenças, diagnóstico laboratorial, protocolos a serem seguidos, formas de prevenção, imunização e tratamento.

Na abertura do evento, o Diretor de Planejamento da Associação Médica, Dr. Nasser Sarkis (cardiologista), destacou a relevância do tema escolhido para esta edição do PEC.

“Escolhemos estes quatro tópicos (Influenza, Dengue, Hantavirose e Chikungunya), dada a importância deles e pelo momento em que nós vivemos. É um assunto que é comum a todas as especialidades médicas. Da Psiquiatria a Pediatria, do intensivista ao clínico e a todos que fazem Medicina e que se interessam pela ciência médica”, disse.

Dr. Nasser chamou a atenção para a evolução histórica e biológica dos vírus e alertou para a necessidade de atualização científica a respeito do assunto, no sentido dos profissionais estarem preparados para possíveis epidemias.

“Nós assistimos, nesses últimos 30 anos, algumas mudanças muito peculiares. O mundo biológico é dinâmico, está em constante evolução e mutação. Nós vimos emergir a AIDS – a nível de todos os países, praticamente – e algumas doenças tidas como emergentes, que nós sabemos haver o risco potencial destas doenças infecciosas surgirem, através de mutações, e se tornarem epidemias a qualquer instante”, disse.

Dr. Dalcy Albuquerque abordou os temas, sob o aspecto da saúde pública, com foco na parte prática, para profissionais que trabalham em Emergências, UPA’s, Unidades Básicas e hospitais em geral.

De acordo com o palestrante, “estas doenças representam um grande problema de saúde pública. Por isso, é importante mostrar a importância que a vigilância tem, principalmente, no apoio ao trabalho do clínico que está lá na ponta, no plantão, na frente de uma fila enorme, com uma pressão por atendimento da própria comunidade, da imprensa e com uma série de outros fatores, que acabam pressionando, e em condições que nem sempre são as melhores”, disse.

Sobre a Dengue, o infectologista chamou a atenção para o número de casos já registrados, até o momento, no Distrito Federal.

“Este ano aumentou muito o número de casos. Já estamos hoje com 17 mil. Embora a tendência agora – com a redução da chuva – seja a diminuição dos casos, provavelmente chegaremos na nossa marca histórica, que é em torno de 21 e 22 mil casos.

O palestrante destacou o fato de as viroses abordadas no PEC fazerem parte da rotina do atendimento médico.

“Influenza, Dengue, Hantavirose e Chikungunya são doenças que estão presentes no nosso cotidiano. Tem a Influenza que acontece mais no período frio e dengue, que acontece mais no calor. Hantavirose é uma doença que, embora com número pequeno, acontece. Já a Chikungunya, felizmente, ainda não tivemos uma grande epidemia no Distrito Federal, embora estas epidemias já tenham acontecido em vários locais do Brasil, com uma série de consequências”, afirmou.

Laboratório Sabin no mercado médico de imagem

O Sabin Medicina Diagnóstica inicia 2018 com uma nova participação no mercado médico: inaugura em março uma unidade na Asa Norte, no centro de Brasília, direcionada para o diagnostico por imagem.
A presidente executiva do Sabin, Lídia Abdalla, afirma que a empresa vai “oferecer um serviço de alta tecnologia, com equipamentos que estão entre os melhores do mundo, mas principalmente, focada na comodidade, conforto e bem estar dos pacientes, integrando os serviços de diagnóstico por imagem e analises clinicas no mesmo local.

Lidia Abdalla destaca que o novo serviço oferecerá à “comunidade médica mais agilidade e precisão nos diagnósticos, com recurso de inteligência artificial e imagens de altíssima qualidade”.

A nova unidade contará com parque tecnológico resultado de uma cooperação técnico-científica do Sabin com a Siemens Healthineers. A parceria permitiu a instalação de um equipamento de Ressonância Magnética 3 Tesla inédito na América Latina – o MAGNETOM Vida. Por meio de inteligência artificial, o equipamento capta automaticamente as características fisiológicas e anatômicas de cada indivíduo, possibilitando, assim, que as estratégias de exames sejam personalizadas e permitindo que os profissionais de saúde obtenham informações valiosas para escolher o protocolo mais adequado para cada tipo de paciente, mesmo aqueles mais críticos.

Também será instalado na nova unidade um tomógrafo computadorizado de 256 canais e dupla energia. O SOMATOM Drive proporciona exames mais rápidos, com menor dose de radiação e de contraste, o que permite que um maior número de pacientes possa se submeter ao procedimento.

Ressonância magnética, tomografia computadorizada, mamografia, ultrassonografia, densitometria óssea estão entre os exames que farão parte do novo portfólio de serviços. O médico radiologista Marcelo Canuto é o Gerente Médico que está à frente da área de diagnóstico por imagem e será o responsável pela equipe desta nova unidade.

Obstrução urológica e os homens com mais de 60 anos

A Obstrução Urológica é um problema de saúde mais comum do que se imagina em homens acima de 60 anos. É o que explica o médico urologista Heder Murari Borba.  “Na maioria das vezes a obstrução urológica é causada pela hiperplasia benigna da próstata. Isso ocorre quando a glândula cresce de maneira concêntrica ou se expande para os lados, o que ocasiona a dificuldade em urinar”, informa.

Como o principal sinal da disfunção é a dificuldade para urinar, a visita ao médico é de extrema importância para que sejam tomadas as medidas necessárias. “Normalmente o homem faz prensa abdominal com o objetivo de esvaziar a bexiga, mas se a próstata estiver muito grande, causando obstrução, a urina acaba não saindo. O acúmulo do líquido na bexiga pode desencadear o aumento da pressão intra-vesical, sangramento, infecções, cálculos e lesões nos rins. Por isso, a indicação é que seja feita, no mínimo, uma visita anual  ao médico para evitar surpresas indesejáveis”, destaca Dr. Heder Murari.

O especialista elucida que a ida ao urologista para que seja detectado um possível crescimento precoce da próstata, deve ser a partir dos 45 anos. “Quando mais cedo for diagnosticado alguma disfunção, melhores são os tratamentos. O que acontece é que muitos homens chegam ao consultório quando o problema já está avançado, inclusive em quadro de câncer de próstata, que é o crescimento maligno”, compartilha.

Novembro Azul – No mês de combate ao câncer de próstata, o Novembro Azul, Dr. Heder Borba enfatiza que o problema traz uma reflexão para que os homens façam exames de rotina. Para o diagnóstico do câncer, o médico solicita o ultrassom e o PSA, que servem para evidenciar alterações na próstata. Também é importante a realização do toque retal, a fim de ampliar as possibilidades de diagnóstico da doença. “Evito fazer o toque retal na primeira consulta para que os pacientes, após obterem uma melhor explicação do que pode estar acontecendo, fiquem mais tranquilos quanto ao exame, já alguns ainda são culturalmente resistentes ao procedimento”, justifica.

Dr. Heder chama atenção para dados sobre o crescimento neoplásico da próstata. “Sabe-se que no Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Em valores absolutos, e considerando ambos os sexos, é o quarto tipo mais comum e o segundo mais incidente. A taxa de é maior em países desenvolvidos se comparado aos países em desenvolvimento, e mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos”.

“Com o aumento da qualidade de vida, do desenvolvimento técnico científico, estamos vivendo mais, por isso é importante reforçarmos que o homem deve ir com frequência ao urologista. Além de evitar complicações futuras, os tratamentos precoces são em maioria curativos”, finaliza Dr. Heder Murari Borba.

 

HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS LANÇA MANUAL DE
CONDUTAS PRÁTICAS EM CARDIO-ONCOLOGIA

O Hospital Sírio-Libanês lançará no dia 16 de junho, durante o 38º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, o primeiro Manual de Cardio-Oncologia do Brasil. O objetivo é que o trabalho possa ser utilizado como um guia para profissionais que atuam nas duas áreas, focando em estratégias diagnósticas e condutas terapêuticas em cardio-oncologia.

“Alguns tratamentos de quimioterapia e radioterapia podem gerar riscos de complicações cardíacas, como insuficiência do músculo cardíaco ou arritmia. Tanto os tratamentos cardiológicos quanto os oncológicos, precisam de decisões rápidas por parte dos médicos. Por isso, pensamos nesse manual como uma contribuição aos profissionais”, explica a Dra. Marília Harumi Higuchi dos Santos, Coordenadora do Serviço de Cardio-Oncologia do Sírio-Libanês.

A publicação, destinada a cardiologistas e oncologistas, é resultado da experiência acumulada no cuidado oferecido por duas das principais áreas do Hospital Sírio-Libanês – o Centro de Cardiologia, dirigido pelo Prof. Dr. Roberto Kalil Filho, e o Centro de Oncologia, liderado pelo Prof. Dr. Paulo Hoff – que apoiaram a Sociedade Brasileira de Cardiologia na elaboração da I Diretriz Brasileira de Cardio-Oncologia. O livro é editado pelos Professores Drs. Ludhmila Abrahão Hajjar, Paulo Hoff e Roberto Kalil Filho.

Alguns tratamentos quimioterápicos podem atingir uma taxa de risco de até 30% de complicações cardíacas. A Cardio-Oncologia une duas especialidades que avançam a cada dia em diagnóstico e no desenvolvimento de novas terapêuticas, com o objetivo de cuidar melhor do paciente com câncer, promovendo saúde cardiovascular, aumento da sobrevida e qualidade de vida.

 

Infertilidade afeta mais de 278 mil casais brasileiros: saiba as causas e os tratamentos

No Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 278 mil casais em idade fértil têm dificuldade para conceber um filho. Neste mês de junho, que é voltado à Conscientização da Infertilidade, vale reforçar que o problema pode ser devido a alterações femininas e masculinas. É o que explica a médica ginecologista Luciana Potiguara, especialista em reprodução humana. “São vários os fatores que podem acometer homens e mulheres, por isso a necessidade de buscar ajuda especializada, a fim de serem feitos os exames necessários para o correto diagnóstico”, afirma.

No que refere às causas femininas, Dra. Luciana detalha as patologias mais comuns. “Pode ser devido a obstrução tubária uni ou bilateral, aderências tubárias, infecções pélvicas, ausência de ovulação, síndrome dos ovários policísticos, falência ovariana prematura, malformações, miomas, sinéquias intrauterinas, adenomiose e endometriose – doença que atinge uma em cada dez mulheres”, diz a médica, que dirige, em Brasília, a Clínica FertilCare, que dispõe de um centro de reprodução assistida.

Já a infertilidade masculina está relacionada a produção anormal do sêmen, seja em quantidade ou qualidade, e, até mesmo, na impossibilidade ou dificuldade de deposição do ejaculado na vagina, em razão de malformações no pênis. A médica esclarece que as principais causas de alteração no sêmen são: varicocele, infecções, traumas e malformações genitais. “Fatores comportamentais como tabagismo, etilismo e uso de drogas também podem causar infertilidade nos homens”, destaca.

Com a avaliação médica e exames complementares, o tratamento pode ser por meio de cirurgias, uso hormonais e com técnicas de reprodução assistida. “Em alguns é indicado a indução da ovulação com medicações específicas, a inseminação intrauterina que é uma técnica de reprodução assistida de baixa complexidade e fertilização in vitro – em que há manipulação de óvulos, espermatozoides e embriões”, esclarece Dra. Luciana Potiguara.

Prolongar a fertilidade – Pacientes que serão submetidos ao tratamento de câncer também podem ter a fertilidade comprometida em razão da quimioterapia e radioterapia. Para que possam ter filhos após a cura da doença, de acordo com a Dra. Luciana Potiguara, podem ser congelados o tecido ovariano e oócitos (células germinativas femininas), assim como os espermatozoides.

”No caso de coleta seminal, o material é congelado e mantido em botijões de nitrogênio líquido a uma temperatura negativa (processo chamado de criopreservação) por tempo indeterminado. O uso do sêmen congelado só pode ser solicitado pelo paciente que realizou o armazenamento do material através da clínica que fará a utilização em técnicas de reprodução assistida”, pontua a médica.

Para os casais que desejam ter filhos e há ausência de gravidez após 12 meses de relação sexual sem uso de método contraceptivo, Dra. Luciana Potiguara reforça: “É preciso fazer uma anamnese para entender as possíveis causas da infertilidade. O mais importante é saber que a medicina dispõe de recursos de comprada eficácia que podem, sim, ajudar no sonho da maternidade”.

Laboratórios passam a oferecer teste para detectar vírus da zika no sêmen

O teste para detecção do vírus da zika – que já vinha sendo feito no sangue, urina, saliva, líquido amniótico e líquor – agora está disponível também para o sêmen. O laboratório Chromosome Medicina Genômica, de São Paulo, já oferece a técnica e ao menos outras duas instituições estão validando o método e passarão a oferecê-lo em breve: o Fleury Medicina e Saúde, que tem unidades no estado de São Paulo e Distrito Federal, e o Richet Medicina & Diagnóstico, no Rio de Janeiro.

Trata-se de um teste de biologia molecular (PCR), que consiste em multiplicar a quantidade de RNA do vírus na amostra coletada, ou seja, amplificar o material genético do vírus para que seja possível identificá-lo quimicamente.

Verificar a presença do zika no sêmen é importante porque o vírus permanece no fluido muito tempo depois de ter desaparecido do sangue. Um estudo publicado na revista “Emerging Infectious Diseases” já detectou zika no sêmen de um paciente 62 dias depois do início dos sintomas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já considera a transmissão sexual do vírus da zika como um fato confirmado. Portanto, a presença do vírus do sêmen é preocupante por colocar em risco as parceiras sexuais de homens contaminados. A situação é mais alarmante no caso de mulheres que estejam grávidas ou em idade reprodutiva devido à forte associação entre a infecção nas gestantes e a ocorrência de microcefalia em bebês.

Segundo o geneticista Ciro Martinhago, do laboratório Chromosome, ainda não há estudos que apontem quais seriam as possíveis consequências de uma fecundação com esperma contaminado por zika. “Os estudos estão começando agora. A gente acredita que possa haver a destruição do embrião, que ele não iria para frente”, diz.

A expectativa é que, em breve, o teste de zika no sêmen seja oferecido por mais instituições. O preço, similar ao do teste de PCR no sangue, pode variar de R$ 400 a R$ 1000.

Teste de zika para fertilização – Em 22 de março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que doadores de sêmen ou óvulo para procedimentos de fertilização in vitro em clínicas de reprodução assistida façam o teste sorológico no sangue para detecção do vírus da zika. O teste sorológico é capaz de detectar se a pessoa já teve a doença no passado, já que identifica os anticorpos contra o vírus, e não o vírus em si.

Mulheres que tiverem resultado positivo ou inconclusivo devem repetir o teste sorológico após 30 dias ou fazer teste de biologia molecular no sangue em qualquer momento. Homens que tiverem resultado positivo ou inconclusivo devem fazer teste de biologia molecular no sêmen.

Casais que vão se submeter ao procedimento de fertilização in vitro também terão de passar pelos testes. Nem a doação nem o tratamento poderão ser feitos caso o vírus seja detectado em seu organismo.

Preservativo na gravidez – Mesmo para casais que não se submeteram à fertilização in vitro, a recomendação é o uso de preservativo durante a gravidez para evitar que o homem possa contaminar a mulher. “Pelo fato de não conhecermos direito a ação do vírus, o que sugiro para o casal em que a mulher engravidou é o uso de preservativo nas relações sexuais durante a gestação toda por precaução”, diz Martinhago.

 

Fonte: Bem Estar

Com recorde de inscritos, Revalida reprova 57% dos médicos

Cinquenta e sete por cento dos médicos que prestaram o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras (Revalida)  foram reprovados, de acordo com dados do Ministério da Educação. O Revalida é obrigatório para quem cursou medicina fora do Brasil, inclusive brasileiros, e deseja atuar como médico no país.

Em 2015, 1.683 médicos foram aprovados no revalida – o que representa 42% dos inscritos. Ao todo, 54,7% desse total é de brasileiros que se formaram em medicina em outro país.

O exame foi criado em 2011 com o objetivo de unificar o processo de revalidação em consonância com as diretrizes curriculares nacionais dos cursos de medicina. Antes do Revalida, cada instituição de ensino superior estabelecia os processos de análise seguindo a legislação.

Enquanto o médico não for aprovado e não obtiver a revalidação do diploma pelas instituições do ensino público, ele fica impedido de atuar no país. O índice de aprovação na prova, em 2014, foi de mais de 30%. Se um médico for reprovado no Revalida, ele pode se inscrever para fazer o exame do ano seguinte.

De acordo com o MEC, os países que apresentaram o maior número de inscritos foram Brasil (2.349), Bolívia (771), Colômbia (248), Cuba (183), Venezuela (142), Peru (133) e Argentina (109).

Quanto à origem do diploma, após a Bolívia (com 2.168 inscritos de diferentes nacionalidades), aparecem Cuba (877), Colômbia (231), Paraguai (215), Argentina (214) e Venezuela (212).

Em relação ao ano anterior, houve mais quase o dobro de inscritos. Em 2014, foram 2.157 candidatos.

Etapas da revalidação – A prova da primeira etapa é composta de uma prova objetiva com 110 questões e de uma discursiva com 5 questões. A taxa de inscrição para esta etapa foi de R$ 100.

A prova objetiva é aplicada pela manhã, das 8h às 13h. À tarde, das 15h às 18h (horário de Brasília), os participantes fazem a prova discursiva. Caso o candidato seja aprovado na primeira fase, ele deve pagar mais uma taxa, desta vez de R$ 300, para efetuar sua inscrição na segunda etapa do certame, quando os participantes são submetidos a 10 testes práticos de habilidades clínicas.

Entenda a diferença da vacina da gripe do SUS e da rede particular

O Ministério da Saúde começou a distribuir nessa sexta-feira (1/4) as primeiras doses da vacina contra a gripe para os estados que quiserem adiantar a campanha de vacinação marcada para começar oficialmente no dia 30. O que motivou a decisão foi a antecipação do surto da doença que assusta principalmente São Paulo.

Neste ano, já foram confirmados 305 casos de um subtipo da gripe Influenza A, o H1N1, em 11 estados e no Distrito Federal. Desde janeiro, 46 pessoas morreram em decorrência da doença no país.

O número assusta porque já é maior que o total de 2015, quando 141 pessoas tiveram a doença e 36 foram a óbito.

A preocupação com a gripe H1N1, que já esvaziou das prateleiras das farmácias da cidade de São Paulo o medicamento indicado para combater o vírus, também tem levado pessoas a procurar por doses restantes da vacina da gripe de 2015 não só na capital paulista, mas em outras cidades do país.

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Isabella Ballalai, explica que a proteção para o H1N1 oferecida pela vacina trivalente, disponível no ano passado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é a mesma da vacina deste ano.

Então, considerando apenas esse subtipo de gripe, foi adotada como medida de emergência em São Paulo a estratégia de usar as doses que sobraram de 2015 para conter o surto de H1N1 naquele estado.

Porém, tanto o subtipo H3N2 quanto o subtipo da Influenza B de 2016 são diferentes da vacina de 2015. Portanto, quem tomou a vacina de 2015 para se proteger do surto atual, deverá voltar ao posto de saúde para atualizar a imunização. O intervalo recomendado entre uma e outra é de 30 dias.

De um ano para outro, a vacina da gripe é alterada de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) que leva em consideração os vírus que mais estão circulando em cada hemisfério.

Professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, o pediatra e epidemiologista José Geraldo Leite Ribeiro lembra ainda que as vacinas de gripe têm eficácia de 6 meses a um ano, dependendo da reposta do indivíduo à imunização. “Mesmo que a vacina oferecida em 2016 fosse idêntica a de 2015, seria necessário repetir”, reforça.

Coordenadora do setor de vacinas do Hermes Pardini, Marilene Lucinda afirma que na composição da vacina trivalente de 2016 consta a proteção para dois subtipos do vírus Influenza A, o H1N1 California e o H3N2 Hong Kong, e um subtipo da Influenza B, o Brisbane.

A tetravalente, só encontrada na rede privada, oferece a proteção a mais para outro subtipo do vírus Influenza B, o Victoria.

A presidente da Sbim, Isabella Ballalai, afirma que 80% dos casos de gripe que ocorrem no Brasil são do tipo Influenza A e 20% do Influenza B.

“Os vírus da Influenza A e B são da mesma ordem de gravidade quando acometem indivíduos de grupo de risco. A diferença é a facilidade da Influenza A causar pandemia porque o vírus se modifica com uma velocidade maior. No caso da Influenza B, os surtos são mais localizados”, explica.

O preço médio da trivalente é R$ 70 e da quadrivalente, R$ 90.

É considerado grupo prioritário para a vacina da gripe

  • idosos (acima de 60 anos),
  • gestantes,
  • mulheres no período de até 45 dias após o parto (puerpério),
  • crianças entre 6 meses e menos de 5 anos de idade,
  • profissionais de saúde,
  • indígenas,
  • doentes crônicos (pessoas que têm diabetes, asma, bronquite e hipertensão).

A presidente da Sbim reforça que tanto a trivalente quanto a tetravalente são vacinas seguras, com eficácia igual, as mesmas indicações, as mesmas contraindicações e o mesmo esquema de doses.

Ou seja, criança menor de 3 anos recebe meia dose de duas vezes com intervalo de um mês; criança menor de 9 anos, que nunca tomou a vacina da gripe, também precisa receber duas doses para garantir a imunidade e, no caso de adulto, é dose única.

Para quem está fora dos grupos de risco contemplados na campanha de vacinação do Ministério da Saúde, a recomendação da Sociedade Brasileira de Imunizações é a vacina tetravalente.

Isso por que, segundo a presidente da entidade, acontece de a aposta da OMS para o vírus da Influenza B que vai circular em determinado hemisfério não coincidir com o vírus que, de fato, vai predominar.

“Na última década, a OMS errou em 50% das vezes a aposta de vírus da Influenza B que circularia no Brasil”, afirma Isabella Ballalai.

A especialista reforça que os Estados Unidos são o único país que vacina toda a população contra gripe. As demais nações fazem como o Brasil e imunizam os grupos prioritários. “Não há vacina disponível no mundo para todos”, acrescenta.

A incidência maior dos casos de gripe Influenza no Brasil ocorre no final do outono e início do inverno. A antecipação do surto tem sido explicada por profissionais da saúde como resultado de viagens de brasileiros aos Estados Unidos, Canadá e Europa que trouxeram o vírus ao hemisfério Sul.

Gripe

Transmissão – A transmissão ocorre por meio das secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada ao falar, espirrar ou tossir. A transmissão também pode ocorrer pelas mãos. Após o contato com superfícies contaminadas por secreções respiratórias de um indivíduo infectado, as mãos podem carregar o vírus diretamente para a boca, nariz e olhos.

Período – O período de transmissão em humanos geralmente se inicia 24 horas antes do início dos sintomas. As crianças transmitem a doença por um período de 10 a 14 dias, os imunodeprimidos por mais de 14 dias e o adulto saudável por pelo menos por sete dias.

Sintomas – Os sintomas da H1N1 são similares aos da gripe comum e incluem febre, tosse, garganta inflamada, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fadiga. Algumas pessoas relatam diarreia e vômitos associados à enfermidade. Nas manifestações graves da doença, os pacientes podem apresentar um quadro de pneumonia, falência respiratória e morte.

Como se prevenir

  • Manter as mãos sempre limpas, principalmente antes de consumir algum alimento
  • Use lenço descartável para higienizar o nariz
  • Quando for tossir ou espirrar, cubra o nariz a boca com o braço
  • Lave as mãos depois de tossir ou espirrar
  • Evite tocar mucosas de olhos, nariz e boca
  • Não compartilhe objetos de uso pessoal
  • Mantenha os ambientes bem ventilados
  • Evite contato próximo com pessoas que apresentem sinais de gripe

Gripe x resfriado

O resfriado também é uma doença respiratória frequentemente confundida com a gripe. No entanto, é causado por vírus diferentes como o rinovírus, os vírus parainfluenza e o vírus sincicial respiratório (RSV), que geralmente acometem crianças.

Os sintomas do resfriado, apesar de parecidos com da gripe, são mais brandos e duram menos tempo, entre dois e quatro dias. Os sintomas incluem tosse, congestão nasal, coriza, dor no corpo e dor de garganta leve. A ocorrência de febre é menos comum e, quando presente, é em temperaturas baixas.

 

Fonte: Saúde Curiosa