ABEAD

Oferta banalizaria o consumo?

Se não é possível controlar o uso de drogas dentro de uma segurança máxima, é possível fazê-lo na sociedade livre?” A questão, levantada pelo advogado e escritor americano Anthony Papa – no filme “Quebrando o Tabu”, de 2012, do diretor Fernando Grostein Andrade –, deixa, no mínimo, uma provocação no ar. Mas as perguntas não param por aí. Quando o assunto é mudar os padrões e decidir pela proibição ou não do consumo e venda de entorpecentes, há muitas dúvidas, resistências e pontos divergentes sobre os impactos que isso teria.

Os que defendem a descriminalização partem do princípio de que substâncias psicoativas são usadas pelos seres humanos desde os primórdios e que pensar um mundo sem drogas é pura utopia. “Toda violência se alimenta da ilegalidade da droga”, afirmou Ludmila Ribeiro, socióloga do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O que tem sido feito para reprimir as drogas é mandar para a cadeia. E por mais que o governo amplie o número de presídios, o sistema permanece sempre com déficit de vagas. Os negros e pobres são os que mais morrem e também os que mais param atrás das grades. “Se houvesse a descriminalização, já seria possível reduzir o encarceramento, mas ainda é pouco. Legalizar (a venda) ajudaria a pensar o problema como um todo, a pensar por que a violência ocorre além do tráfico de drogas”, completa Ludmila. Ela não acredita que a descriminalização levaria a uma geração de “zumbis”, como se teme. “Todos os estudos mostram que não é porque um produto é legal que as pessoas começam a usar”, comentou.

Por outro lado, quem é contra a liberação das drogas defende que a Lei Antidrogas do Brasil já separa usuários de traficantes. “Não há mais prisão para usuário. O que teria que ser feito é pegar a lei que já existe e classificar exatamente as quantidades que diferenciam o consumidor do traficante”, afirmou a presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Ana Cecília Marques.

Para ela, a legalização não acabaria com o tráfico e aumentaria o número de consumidores. “Se liberar todas as drogas, o traficante vai traficar armas, mulheres etc. Estamos falando de produtos psicotrópicos que causam sérios danos. Como vamos descriminalizar as drogas numa sociedade que não tem prevenção, que não sabe nada sobre o tema? O Brasil não está preparado para essa mudança”, disse.

O portal de O Tempo está com a enquete: “Você é a favor da descriminalização das drogas no Brasil?”. Até a tarde de ontem, 54% dos internautas votaram não (mil), contra 46% (844) que responderam sim.

Fonte: O Tempo

Em três anos, Ligue 132 atendeu mais de 50 mil casos sobre tabaco

Desde que passou a atender 24 horas por dia, o Serviço de Orientações e Informações sobre Drogas, o Ligue 132, atendeu 50.344 pessoas referente ao uso de tabaco. Os dados são do período de janeiro de 2012 a abril de 2015.

Nesse período, o serviço realizou mais de 130 mil atendimentos envolvendo todas as substâncias. Os usuários de tabaco representaram 69% dos atendimentos, enquanto que os familiares 24%, outros 7% foram de pessoas que não quiseram se identificar. Em relação ao perfil, 63% dos que ligaram eram do sexo masculino e 40% com mais de 35 anos.

O Ligue 132 é um serviço gratuito e anônimo criado em 2005 para atender pessoas que necessitam de ajuda a problemas relacionados ao uso de cocaína, maconha, álcool e tabaco, entre outras substâncias. É um projeto do Ministério da Justiça através do programa Crack, é possível vencer.

No serviço, as ligações relacionadas ao tabaco são atendidas conforme a demanda de quem procura. Caso a pessoa utilize cigarro e tenha desejo de parar, é proposto um tipo de atendimento personalizado. Se a pessoa for um familiar com objetivo de ajudar um parente próximo, outra abordagem é utilizada.

De acordo com a coordenadora do Ligue 132, Maristela Ferigolo, o serviço desenvolveu uma metodologia própria para realizar os atendimentos. “O serviço se propõe a fazer uma conscientização sobre as consequências do uso e como buscar auxílio para mudar o comportamento do uso de drogas. O atendimento é personalizado e baseado no estágio motivacional que a pessoa se encontra, pois cada indivíduo tem uma demanda específica.”

Das 50.344 ligações atendidas, 65% das pessoas aceitaram passar pelo acompanhamento do Ligue 132. O acompanhamento é feito pelo telefone e tem como objetivo auxiliar o usuário a parar de consumir a substância.

“O indivíduo tem a disposição consultores para tirar todas as suas dúvidas sobre dependência química, informar locais de tratamento, e conversar sobre o problema com o objetivo de mudança. Essa mudança no caso dos usuários é para a abstinência, para os familiares é melhorar a relação com o parente dependente. Além disso, todos que aceitam o auxílio do Ligue 132 recebem em casa cartilhas informativas sobre as substancias.”, relata o supervisor do serviço Roger Camargo.

Desde 2012, o tabaco é a terceira substância mais questionada no serviço, superada apenas pelo álcool (58.832) e a cocaína (58.350).

Em relação aos atendimentos por estados, São Paulo foi o que mais realizou chamadas referentes ao tabaco, foram 7.646 ligações no período. Rio Grande do Sul foi o segundo com 4.463 e Rio de Janeiro o terceiro com 3.829.

Sobre o Ligue 132

O Ligue 132 é um serviço do programa “Crack, é possível vencer”, financiado pelo governo federal, que tem como objetivo prevenir o uso de drogas no País. A central faz parte de uma parceria entre a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. O serviço atende de forma sigilosa e anônima 24 horas por dia, incluindo feriados e finais de semana.

Fonte: Brasil Post

Redução da maioridade penal pode ter efeito na legislação eleitoral e trabalhista

Redução da maioridade penal, você é contra ou a favor? O tema é tão polêmico e desperta tantas paixões que a resposta a essa pergunta costuma sair de pronto. O que pouca gente sabe é que uma possível alteração na lei vai abrir caminho para mais do que cadeia para adolescentes infratores. Se aprovada pelo Congresso Nacional, a redução da idade penal de 18 para 16 anos pode causar situações contraditórias e desdobramentos em diversas outras áreas da legislação brasileira.

De acordo com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto, a referência aos 18 anos está presente em diferentes matérias, como a eleitoral e a trabalhista. “As coisas estão entrelaçadas. A lógica é uma só”, afirma. Ele alerta que, apesar de não causar mudanças automáticas, a redução abre precedente para questionar, por exemplo, o limite de idade para dirigir e para ser obrigado a votar.

Britto ressalta que haverá necessidade de se reinterpretar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), uma vez que o documento trata tanto da proteção quanto da punição de brasileiros entre 12 e 18 anos. “O entendimento da Constituição é que o desenvolvimento da personalidade não se perfaz senão a partir de 18 anos. Até essa faixa etária, a Constituição diz que o indivíduo está em formação”, explica. Para o ministro aposentado, a redução viola cláusula pétrea da Constituição – dispositivo que não pode ser alterado.

A reportagem ouviu especialistas de diferentes áreas para entender os reflexos da alteração em áreas como trânsito, venda de bebidas alcoólicas, leis trabalhistas e no próprio ECA. A preocupação é compartilhada pelo ministro do STF Marco Aurélio Mello. “É razoável você dizer que responde como adulto (ao cometer crimes) e ao mesmo tempo ser proibido de conduzir um veículo automotor?”, questiona. Ele lembra que tais reflexos vão depender da precisão do texto aprovado pelo Legislativo, que pode, por exemplo, restringir a redução da maioridade penal apenas em casos de infratores que cometam crimes hediondos. Mello avalia, ainda, que a PEC vai aumentar o encarceramento e não vai reduzir a criminalidade. “Entre prós e contras, os contras sobrepujam os prós. Eu não vejo como algo desejável”, comenta.

No âmbito trabalhista, apesar de a redução da maioridade penal não causar alterações diretas, pode motivar discussões para futuras mudanças. “A redução da maioridade penal não afeta diretamente as relações trabalhistas, contudo, inicia-se assim mais uma discussão sobre o abandono escolar para a entrada de jovens no mercado de trabalho em atividades que hoje são vedadas”, explica o advogado trabalhista Marcílio Braz. A legislação atual impede o trabalho para menores de 14 anos. Entre 16 e 18, há restrições, como não trabalhar em ambiente penoso, insalubre, perigoso, que prejudique a formação moral e psicológica, desenvolvimento físico, além de trabalho noturno. Menores tampouco podem fazer hora extra, e o empregador é obrigado a ceder tempo necessário para o comparecimento às aulas.

“Hoje, essas proibições mantêm o jovem na escola. Qualquer alteração nessa legislação trará graves prejuízos aos jovens, que são o futuro de nosso país”, afirma Braz. O critério usado é que pessoas nessa faixa etária ainda estão em fase de desenvolvimento. O argumento encontra respaldo nas outras esferas do direito brasileiro, além das normas internacionais ratificadas pelo Brasil, como a Convenção 138, da Organização Internacional de Trabalho (OIT). Há, ainda, uma relação direta com a possível liberação do consumo de bebidas alcoólicas, uma vez que é proibido o trabalho de menores em estabelecimentos que comercializem esse tipo de produto.

Habilitação para dirigir no alvo
O efeito cascata da redução da maioridade penal pode colocar atrás do volante adolescentes de 16 anos. Isso porque a primeira condição para um brasileiro se habilitar a conduzir um veículo é ser plenamente imputável. Para o professor de direito penal e processual e conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF) Rafael Augusto Alves, com a aprovação da emenda, o efeito automático na legislação de trânsito só não ocorrerá se o Congresso criar mecanismos que impeçam a extensão dos direitos e deveres. “É preciso ver como o texto será aprovado. A imputabilidade será para toda e qualquer espécie de infração penal ou vai se restringir a crimes hediondos, por exemplo? Mas há uma questão mais profunda ainda: se o ECA fosse cumprido integralmente, talvez não precisássemos disso”, defende.

Caso a PEC seja realmente aprovada, o Brasil terá que repensar a formação do condutor. Doutor em estudos de transportes, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Paulo César Marques entende que não há restrição do ponto de vista cognitivo para um adolescente de 16 pegar o volante. Mas defende a necessidade de um “esforço adicional” na formação dos futuros motoristas, porque há diferenças consideráveis do ponto de vista da maturidade. “Teoricamente, se uma pessoa com 16 anos pode votar e decidir o futuro do país, ela pode conduzir um carro. Mas a maturidade precisa ser mais trabalhada e o processo de formação necessitaria ser ajustado para a nova realidade”, destaca Marques.

Diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran-DF, Silvain Fonseca não tem dúvidas sobre o que chama “efeito dominó” da redução da maioridade penal na legislação de trânsito. “Se isso acontecer, o Estado terá que reforçar a educação, além de trabalhar as questões de maturidade e comportamento nas vias. Teremos um perfil novo de condutores e seremos obrigados a pensar como seria a forma de capacitação desse público”.

A prevenção ao uso de drogas lícitas, como o álcool, está no pacote de normatizações que poderão ser afetadas (Nando Chiappetta/DP/D. A Press)
A prevenção ao uso de drogas lícitas, como o álcool, está no pacote de normatizações que poderão ser afetadas

VENDA DE ÁLCOOL
A prevenção ao uso de drogas lícitas, como o álcool, está no pacote de normatizações que poderão ser afetadas diretamente pela redução da maioridade penal. Há menos de dois meses, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei Federal 13.106, que torna crime a venda e a oferta de bebidas alcoólicas e outras drogas que podem causar dependência a menores de 18 anos. “Há um interesse econômico que se sobrepõe ao direito à saúde da população como um todo”, lamenta Alessandra Diehl, psiquiatra e secretária da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead). Ela diz não enxergar desdobramento imediato, uma vez que a legislação que veta a venda e oferta de drogas lícitas e ilícitas a menores está bem fundamentada. Quem desrespeita a Lei 13.106 pode ficar preso por dois a quatro anos e pagar multa de até R$ 10 mil.

Contradições na proteção de jovens
A redução da maioridade penal criaria uma situação contraditória em que um jovem de 16 anos pode ser punido por um crime como adulto, mas continua sendo protegido como adolescente, uma vez que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – que trata da faixa etária de 12 a 18 anos – continuaria vigente. “Desmontaria todo o sistema legal de proteção da juventude, então geraria uma série de incompatibilidades e contradições nos diferentes sistemas”, explica Sinara Guimieri, consultora jurídica do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero. “A aprovação criaria um precedente perigoso para que o Congresso venha a reformular o ECA”, reforça a procuradora da República Mariane Guimarães.

Se o ECA for alterado, crimes cometidos contra adolescentes entre 16 e 17 anos seriam descaracterizados. Entram nessa categoria exploração sexual, pornografia infantil, sequestro e tráfico internacional de pessoas, entre outras questões. Atualmente, quem envia criança ou adolescente de até 18 anos para o exterior com a finalidade de obter lucro pode cumprir de quatro a seis anos de prisão, além de pagar multa. Se houver emprego de violência, a pena sobe para oito anos, somada ao tempo correspondente aos atos violentos praticados. Com a possível aprovação da PEC 171, seria considerada vítima desse tipo de crime pessoa com até 16 anos. A alteração valeria também para crimes como filmar ou fotografar menores em cenas pornográficas, cuja punição inclui multa e reclusão de quatro a oito anos. A pena aumenta se o autor do crime for agente público ou parente da vítima.

CRIMES SEXUAIS
Na avaliação do sociólogo Dijaci David de Oliveira, da Universidade Federal de Goiás (UFG), a aprovação da emenda pode incentivar crimes sexuais se causar alterações no ECA. “Vai ter a exploração sexual legal entre 16 e 17 anos e abrir a porta para ampliar a exploração no segmento logo abaixo, entre 14 e 15 anos, que já existe”, afirmou. Ele lembra ainda que a capacidade de fiscalização do cumprimento da lei é precária, o que agrava o problema. Em 2013, o serviço Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos (SDH-PR) registrou 124.079 denúncias de violência cometidas contra criança e adolescente no país. Desse montante, 28% se referiam a violência sexual. Para Oliveira, os números mostram como, mesmo com a proteção legal, a adolescência brasileira é vulnerável.

Como a família pode atuar na prevenção e no tratamento do usuário de drogas?

Ouça entrevista com presidenta da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (ABEAD)

Cessar o uso de drogas com ajuda especializada e cuidar das famílias, é um desafio para milhares de brasileiros. Familiares de usuários de drogas também precisam de cuidado especializado. Diante do cenário desfavorável, alguns dos principais especialistas do país vão se reuniram na nesta sexta-feira (29), em Recife (PE), para um dia de debates e esclarecimentos sobre o assunto. Com o tema “Família e Drogas”, tem dentre os vários objetivos,  discutiram qual é o papel da família na prevenção e no tratamento do dependente.Para falar do assunto o Programa Revista Brasil entrevistou Ana Cecília Marques, presidenta da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (ABEAD).

Durante a entrevista,  Ana Cecília Marques afirma que a família ainda esta presa a um conceito moral do consumo de drogas. Com isso, se perde tanto na sua intervenção dentro do próprio sistema familiar de como conversar com o jovem, de como cuidar dele para que ele tenha um modelo de proteção, como também no momento de procurar ajuda, complementa a presidenta da ABEAD.

Ouça a entrevista:

 

 

Fonte: EBC

Congresso da ABEAD abordará o impacto social e econômico do álcool

O XXIII Congresso Brasileiro de Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (XXIII CBABEAD) será mais um evento de atualização profissional da ABEAD. Com o tema “Álcool e suas interfaces: muitos temas, pouco debate”, o logo_CBABEAD-02evento será realizado de 23 a 26 de setembro em Campos do Jordão, em São Paulo.

No Congresso será abordado o impacto social e econômico que o álcool traz para o Brasil. Nesse contexto, o objetivo é discutir o álcool e gestação, na infância e adolescência, as peculiaridades do uso do álcool entre mulheres, álcool e trânsito, os diferentes tipos de violência por causa da bebida, o álcool tabaco e outras drogas, a dependência, o álcool e o trabalho, a saúde física e mental, a predisposição genética à bebida, o álcool e a sexualidade, as leis e prevenção, o papel da comunidade e o controle da oferta, o custo e a economia e a propaganda e suas políticas.

Com uma programação completa no tema proposto, a presidente da ABEAD, Ana Cecília Marques, diz que o Congresso é uma oportunidade de conhecimento das evidências científicas nacionais e internacionais dos planejadores de políticas e serviços, das famílias, dos educadores, dos profissionais e do próprio dependente.

Para a psiquiatra, esta será uma oportunidade exercitar o pressuposto mais importante nesta área, que é a revisão do estigma, dos mitos, trazendo para o debate um tema tão relevante, de uma forma atualizada, ética e justa, para promover ações mais eficazes.

É correta a aplicação de teste antidrogas para renovação de CNH de motoristas profissionais? Sim

ALBERTO ANGERAMI: PELA PRESERVAÇÃO DE VIDAS

post_teste_antidrogasMais de 40 mil vidas são perdidas em acidentes de trânsito todos os anos no Brasil. Iniciativas como a Lei Seca, obrigatoriedade de “air bag”, freios ABS e o aumento do cerco ao consumo de drogas nas estradas são aperfeiçoamentos recentes das regras vigentes pela preservação da vida.

A aprovação do projeto de lei nº 4.246/12 pela Câmara dos Deputados, e que agora vai à sanção presidencial, torna obrigatório o exame toxicológico de larga janela de detecção na habilitação e renovação para as categorias C, D e E.

É um importante avanço na segurança das estradas e resultarão em vidas salvas, tanto dos motoristas em relação ao transporte de cargas como dos que os circundam.

Temos nas estradas brasileiras uma grande prevalência do consumo de substâncias psicoativas, sobretudo estimulantes, como anfetaminas e cocaína, ingeridas na ilusão de manter-se alertas por muitas horas, arruinando o descanso e a saúde desses profissionais, vítimas de traficantes de drogas e da concorrência desleal.

Esse cenário contribui enormemente para a ocorrência de acidentes, muitas vezes envolvendo veículos de grande porte, como ônibus e caminhões, e geralmente com vítimas fatais e enormes prejuízos à nossa economia.

A Policia Rodoviária Federal estima que cerca de 30% dos motoristas profissionais dirijam sob efeito de estimulantes nas estradas.

Ressalte-se que a situação nas estradas brasileiras é única, combinando distâncias continentais, condições de tráfego nem sempre adequadas, oferta abundante de drogas em muitas das paradas e –até recentemente– falta de elementos de dissuasão e controle do consumo de substâncias que afetam a habilidade de dirigir de forma segura.

Os exames de larga janela verificam, de forma segura e eficiente, o uso pregresso de diversas substâncias psicoativas por 90 dias, possibilitando uma avaliação objetiva da condição de dependente de drogas de abuso prescritas, categorizada como doença pela Organização Mundial da Saúde e potencial fator impeditivo temporário à habilitação, com decisão final do médico avaliador responsável, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro.

O Contran (Conselho Nacional de Trânsito) aprovou recentemente resolução que trata de maneira muito parecida o problema, o que demonstra a consonância entre o conselho e o Congresso Nacional a respeito desse tema.

É importante destacar que tanto a lei como a resolução tratam do exame para habilitação e renovação da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) dos condutores nas categorias citadas, desempenhando importante papel preventivo e inibitório, diferentemente dos importantes exames surpresa a serem realizados nas estradas –coercitivos e complementares– cuja matéria ainda precisa ser regulamentada.

Os exames toxicológicos de larga janela têm sido utilizados com sucesso há mais de uma década no Brasil por diversas empresas, polícias e Forças Armadas para a seleção de pessoal e para o desempenho de atividades sensíveis, acumulando resultados muito positivos.

Especificamente nas estradas, em estudos consistentes envolvendo dezenas de milhares de motoristas profissionais, monitorados por anos, a adoção dos exames de larga janela resultaram na diminuição em sete vezes na acidentalidade relacionada às drogas, mensurada por exames pós-acidente e pós-morte.

Assim, é evidente que esse avanço legislativo contribuirá definitivamente para segurança de todos nós.

ALBERTO ANGERAMI, 74, é diretor do Denatran – Departamento Nacional de Trânsito e presidente do Contran – Conselho Nacional de Trânsito

Fonte: Folha Uol

ABEAD homenageia ex-associada, Irinéa Catarino, pelas contribuições à saúde mental brasileira

A IV Jornada de Psicologia do LAFAM, preparatória para o XXIII Congresso Brasileiro da ABEAD, que aconteceu nos dias 13 e 14 de novembro, no Recife – PE, foi marcada pelo debate sobre a necessidade de políticas eficazes contra as drogas. A presidente da ABEAD, Ana Cecília Marques, abordou os princípios da prevenção, e a psiquiatra Alessandra Diehl reforçou a importância da prevenção no núcleo familiar. Já o 1º vice-presidente da ABEAD, Gilberto Lucio da Silva, somou conhecimento sobre prevenção e a interface com a justiça e aproveitou o momento para homenagear a professora do curso de Psicologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Irinéa Catarino, que faleceu no dia 28 de outubro passado, vítima de um câncer na região abdominal.

Nascida no Juazeiro do Norte – CE, Irinéa foi exemplo de profissional, mulher guerreira e amiga, características que fizeram com que conquistasse o carinho de colegas de várias partes do país. Sua presença atuante na comunidade acadêmica fez com que assumisse a coordenadoria de estágio no departamento de psicologia da Unicap e participasse do projeto de pesquisa 1º levantamento sobre o uso de drogas entre estudantes de 1º e 2º graus no Sertão de Pernambuco. Aprofundando seus estudos na área, a especialista desenvolveu várias pesquisas nas escolas do Recife. Em 1º de fevereiro de 2010, foi nomeada coordenadora da Clínica de Psicologia, cargo que exerceu até este ano, quando passou a se dedicar ao Núcleo de Apoio ao Discente (NAD).

Por suas contribuições à saúde mental, o vice-presidente da ABEAD, Dr. Gilberto Lucio, fez questão de externar durante a IV Jornada do LAFAM, as atividades que Irinéa desenvolveu com qualidade. Dentre as muitas, destaca-se o livro “Adolescência, Drogas e Violência: Proteger é Preciso”, além da participação em diversas mesas redondas em jornadas e congressos da especialidade. Como exemplo de abeadeana, Irinéa Catarino defendeu com perspicácia o serviço gratuito para tratamento de jovens brasileiros dependentes de drogas. Por esse importante apoio, a ABEAD agradece in memorian Irinéa Catarino, também conhecida carinhosamente pelos amigos como ‘madrecita’. A Associação espera que o trabalho desenvolvido sirva de inspiração e reflexo para que outros especialistas realizem ações contra a dependência química.

Por fim, a ABEAD reelembra parte de um texto escrito por Irinéa, em 2008:

“[…] o gozo do dependente químico não se liga somente aos efeitos do produto droga, mas, também à organização psíquica do sujeito, bem como ao processo da civilização em que se encontra inserido. […] alivia a dor de existir, essa dor do impossível e da decepção incluída nas coisas humanas […], agravada, sem dúvida, nas malhas de um social, que promove a crença de que tudo é possível, e de uma família, que tudo permite.A dependência química é a resposta que o dependente de drogas devolve à sociedade […] marcada pelo individualismo, pelo narcisismo, pela violência, pela falta de restrições e controle dos pulsões, e por uma grande dosagem de ausência de limites”.

Catarino, 2008

Participe do Congresso online de dependência química

De 10 a 16 de novembro mais de 30 palestrantes, todos com grande experiência, se revezarão para tratar dos mais diversos temas relacionados à dependência química. Trata-se de de um congresso online inteiramente gratuito para o acesso de todos.

Na sexta-feira, dia 14 de novembro às  18h, a presidente da ABEAD, Ana Cecília Marques, irá falar sobre como entender e prevenir os problemas com álcool.

Para assistir as palestras é fácil. Basta acessar o site www.condeq.com.br e se cadastrar para ter acesso às informações de atualização profissional.

Participe!

Médico é indicado para receber prêmio em Houston, pela Universidade do Texas

O pesquisador associado da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (ABEAD) e professor Raul Caetano, foi indicado para receber em Houston, pela Universidade do Texas, um prêmio por suas contribuições na investigação científica. O prêmio é concedido anualmente a cada dois membros do corpo docente, que tem 1.700 especialistas.

A entrega do prêmio acontecerá no dia 12 de maio durante solenidade no centro médico. Participarão do evento seis escolas de saúde da Universidade, as quais concorreram ao prêmio. São elas: médica, pública, enfermagem, odontologia, biomédica de informática e escola de pós-graduação em ciências biomédicas.

Para chegar até o nome dos agraciados, é feita uma seleção e o presidente do centro médico forma um comissão de professores que avalia cada trabalho. Além de todo o mérito pela relevância do prêmio, a instituição concederá aos premiados um cheque com uma quantia significante pela dedicação à pesquisa e ao ensino.

Como um expressivo associado, Dr. Raul Caetano estará representando a ABEAD nos dias 4 e 5 de setembro em Chicago, durante a International Confederation of Alcohol, Tobacco and Other Drugs Research Associations (ICARA). O evento tem como objetivo promover, apoiar e aumentar num nível global, a investigação científica.

“Num momento em que a indústria do álcool se organiza para promover os seus produtos, aumentar a venda, e o consumo de álcool, é preciso que os cientistas e profissionais de saúde que trabalham nesta área se organizem para solidificar e promover o conhecimento científico a respeito dos problemas com o abuso do álcool, tabaco e o uso de outras drogas”, diz Dr. Raul Caetano.

A ABEAD parabeniza Dr. Raul Caetano e espera que suas pesquisas sejam ainda mais promissoras. Que o conhecimento do especialista seja disseminado, afim de que tantos outros profissionais de saúde possam desenvolver trabalhos tão graciosos.

ABEAD e ACTbr assinam parceria para a realização de eventos

A vice-diretora da ACTbr, Mônica Andreis e a presidente da ABEAD, Ana Cecília Marques
A Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (ABEAD) assinou, no dia 19 de março com a Aliança de Controle do Tabagismo (ACTbr), uma parceria de participação em eventos da especialidade. O objetivo é que as duas instituições colaborem com a promoção de ações direcionadas à saúde.

O primeiro dos eventos já tem data marcada. No dia 29 de abril acontecerá, em São Paulo, um curso de “como e o que fazer para influenciar a formulação e execução de políticas junto ao poder público e à sociedade”.

Ministrado pela vice-diretora da ACTbr, Mônica Andreis; a advogada da ACTbr Adriana Carvalho e a coordenadora de relações institucionais da ACTbr, Daniela Guedes, o evento discutirá a prática doadvocacy – uma atividade de extrema importância na busca de uma democracia justa e representativa, que fortalece a participação nos debates de interesse público.

O objetivo do curso é esclarecer como se deve formular e conseguir a aprovação e execução de políticas públicas junto ao poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e à sociedade, por meio do trabalho em redes e a mobilização da mídia.

O treinamento visará a capacitação de profissionais para a prática de advocacy com base em experiências nacionais e internacionais de êxito em diferentes áreas, com o uso de material multimídia, exercícios em grupo e troca de experiências.

O próximo encontro sobre o mesmo assunto acontecerá no dia 18 de novembro, também em São Paulo. Para grupos interessados em participar do treinamento, a inscrição para o 4º participante é gratuita. Para ter acesso a programação completa e demais informações basta clicar Aqui.

A ABEAD acredita que os eventos voltados à promoção da saúde auxiliam as instituições para que sejam mais representativas em suas áreas de atuação, na busca de políticas públicas que contemplem a atenção integral à sociedade, com base na prevenção de doenças, para uma saúde de qualidade, como todos os brasileiros merecem.

Anote da Agenda:
Advocacy e Políticas Públicas
Dias: 29 de Abril e 18 de Novembro
Local: Auditório Engº João Francisco Zeppelini. Rua Bela Cintra, 178. Consolação (Centro) – São Paulo/SP
Mais informações: (11) 2626-4019