Gravidez

FEBRASGO submete ao Ministério da Saúde projeto que pede a ampliação de métodos contraceptivos para adolescentes na rede pública

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) começou a discutir ontem (3/12) o projeto submetido recentemente pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) que pede a ampliação do acesso na rede pública de saúde a métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs) para adolescentes de 15 a 19 anos de idade. Serão avaliados os benefícios médicos, sociais e econômicos de uma eventual inclusão dos LARCs para essa população. O pleito da instituição que representa os médicos ginecologistas e obstetras no Brasil, tem como principal objetivo garantir o direito de as mulheres escolherem o melhor momento para ter filhos, garantido pela constituição federal (Lei 9.263/96).

A FEBRASGO priorizou a recomendação para mulheres entre 15 e 19 anos por considerá-las prioritárias e as maiores beneficiárias pela inclusão dos LARCs no SUS, já que a taxa de gravidez não programada entre adolescentes é alta, com consequências negativas para as jovens, suas famílias e também para a sociedade. “A gestação na adolescência é um grande problema de saúde pública, com alto impacto econômico para o país, e como entidade médica, estamos discutindo com o governo a implementação de uma política pública ampla, oferecendo os métodos de maior eficácia contraceptiva, que segundo nossas análises além do benefício clínico, trará economia ao país” ressaltou Dr. Etelvino Trindade, presidente da FEBRASGO.

“O planejamento reprodutivo voluntário é um dos maiores avanços do último século em saúde pública e um dos investimentos mais custo-efetivos que um país pode realizar para o bem das próximas gerações”, ressalta Marta Finotti, ginecologista, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da FEBRASGO e autora do dossiê que pede a inclusão dos métodos LARCs no SUS.

A iniciativa reforça a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de incluir os anticoncepcionais reversíveis de longa duração – como o implante subcutâneo de etonogestrel e o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel, que oferecem contracepção por 3 e 5 anos, respectivamente – na lista básica de medicamentos ofertados pelos sistemas públicos de saúde de diversos países. Além de oferecer alta eficácia contraceptiva, ambos os métodos não dependem da disciplina da mulher e podem ser interrompidos a qualquer momento, caso haja o desejo de ser mãe.

Vale reforçar que o Brasil registra mais de 235 mil gestações não planejadas de mulheres jovens por ano. O custo dessa realidade para o país é de mais de R$ 540 milhões anuais, uma média de R$ 2.293,00 por gestação. Do total de partos realizados no Sistema Único de Saúde (SUS), 20% ocorre em meninas com idades entre 10 e 19 anos, sendo que os estados das regiões Norte e Nordeste apresentam um índice superior à média nacional – a taxa é de quase 30% no Pará, por exemplo. Já as regiões Sul e Sudeste apresentam um percentual de partos na adolescência mais próximo à média brasileira. O único estado que destoa do restante do país é Santa Catarina, que registra apenas 5% dos partos em mulheres nessa faixa etária.

“O acesso a métodos contraceptivos reversíveis de longa duração contribui com a redução da mortalidade materna e infantil, diminui as taxas de gestações não programadas e abortos inseguros e contribui com o aumento das oportunidades para essas jovens, resultando em famílias e comunidades mais saudáveis e prósperas”, finaliza a especialista.

 

Impactos da gravidez não planejada


Social

  • Cerca de 30% das adolescentes engravidam novamente no primeiro ano pós-parto, e entre 25% e 50%, no segundo ano pós-parto5, tornando ainda mais difícil a reintegração da mãe à escola e ao mercado de trabalho.
  • Entre as adolescentes que têm filhos, 75,7% não estudam e 57,8% não estudam nem trabalham.
  • Pesquisa do Banco Mundial mostra que cada ano adicional de ensino secundário de uma adolescente aumenta sua renda potencial futura entre 15% e 25%.

Saúde

  • A incidência de mortalidade infantil é, em média, quatro vezes maior, quando comparada à de mães com idade acima de 20 anos. Tal fato se deve principalmente ao aumento da prematuridade e do baixo peso ao nascer. Estas intercorrências podem predispor o recém-nascido a infecções, hipoglicemia, hipóxia e atraso no desenvolvimento psicomotor.
  • Adolescentes têm maior risco de complicações durante a gestação e mortalidade, sendo o parto a principal causa de morte de mulheres jovens entre 15 e 19 anos em países em desenvolvimento. Outros problemas comuns, enfrentados pelas gestantes adolescentes, são a depressão e a ansiedade, que tendem a ser mais frequentes quando comparados com grávidas adultas11.
  • Filhos de mães adolescentes correm maior risco de abandono, menor adaptação escolar e distúrbios de comportamento12.

Econômico

  • O abortamento inseguro representa também um grave risco e alto custo para o sistema público, sendo frequentemente usado na falha ou no uso incorreto de contraceptivos.
  •   A curetagem pós-abortamento é o segundo procedimento obstétrico mais realizado nos serviços públicos de saúde no Brasil. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 31% das gestações no país terminam em aborto14 e são registradas cerca de 230 mil internações, por ano, para tratamento das complicações decorrentes do aborto.
  •  Cada dólar gasto em planejamento familiar pode economizar até 6 dólares, possibilitando que os governos invistam mais em atenção básica e outros serviços públicos de saúde.

 

Ranking de gestações de meninas entre 10 a 19 anos no Brasil
NÚMERO TOTAL
BRASIL
Número de partos de meninas entre 10 a 19 anos de idade Número Total de partos % de partos de meninas entre 10 e 19 anos em relação ao total de partos
474.015 2.365.514 20,04
DADO POR ESTADO Número de partos de meninas entre 10 a 19 anos de idade Número Total de partos % de partos de meninas entre 10 e 19 anos em relação ao total de partos
1 PARÁ 31.164 104.002 29,96
2 AMAZONAS 14.381 49.220 29,22
3 ALAGOAS 12.711 43.679 29,10
4 AMAPÁ 3.508 12.159 28,85
5 ACRE 3.745 13.085 28,62
6 MARANHÃO 23.821 85.727 27,79
7 RONDÔNIA 3.863 14.010 27,57
8 RORAIMA 2.056 7.465 27,54
9 MATO GROSSO 8.523 31.475 27,08
10 MATO GROSSO DO SUL 7.480 28.011 26,70
11 TOCANTINS 5.403 20.548 26,29
12 SERGIPE 6.564 25.476 25,77
13 PERNAMBUCO 26.879 104.922 25,62
14 PARANÁ 23.649 92.495 25,57
15 GOIÁS 9.817 38.614 25,42
16 RIO DE JANEIRO 24.812 97.782 25,37
17 PIAUÍ 9.709 40.106 24,21
18 ESPIRITO SANTO 8.209 34.016 24,13
19 BAHIA 39.452 163.607 24,11
20 CEARÁ 23.167 97.832 23,68
21 RIO GRANDE DO NORTE 9.100 38.625 23,56
22 PARAÍBA 9.598 41.088 23,36
23 RIO GRANDE DO SUL 18.571 82.958 22,39
24 SÃO PAULO 74.180 347.656 21,34
25 MINAS GERAIS 37.311 176.187 21,18
26 DISTRITO FEDERAL 8.114 39.702 20,44
27 SANTA CATARINA 28.228 535.067 5,28
Legenda de cores: Estados com percentual acima da média nacional.
Estado abaixo da média nacional.

 

Gravidez: gengiva saudável evita parto prematuro

Fatores comuns durante a gravidez como alterações hormonais e dieta irregular podem agravar problemas gengivais e provocar um parto antes da hora

fev8Problemas como a periodontite (inflamação grave da gengiva) tendem a aumentar durante a gestação, tornando os cuidados com a saúde bucal imprescindíveis para evitar problemas mais sérios, como um parto prematuro.

As alterações hormonais estão entre as maiores “culpadas” do aumento da incidência de problemas bucais durante a gestação. Neste período os níveis dos hormônios progesterona e estrógeno aumentam muito, chegando a ficar cerca de 10 e 30 vezes maiores, respectivamente.

“O alto nível de progesterona, por exemplo, aumenta a permeabilidade vascular, potencializa a inflamação e diminui a resistência dos tecidos gengivais aos desafios inflamatórios causados pelas bactérias que durante a gestação estão aumentadas e utilizam esses hormônios para sua nutrição”, diz Rosana Possobon, coordenadora do Cepae (Centro de Pesquisa e Atendimento Odontológico para Pacientes Especiais).

Porém, Rosana deixa bem claro que a gravidez não causa a doença periodontal e sim oferece condições para que quadros periodontais possam agravar-se. Isso também acontece por mudanças de hábitos. “Muitas gestantes diminuem a frequência de escovação nesta fase por causa de náuseas (algumas relatam que chegam a vomitar escovando os dentes) ou porque alegam que estão mais preocupadas com a saúde da criança do que com sua saúde oral”, diz Rosana.

Uma higienização inadequada associada ao fato de que mulheres grávidas costumam ter desejos alimentares malucos e uma certa impulsividade por comida faz com que o desenvolvimento de problemas gengivais fique ainda mais facilitado.

Risco de parto prematuro 
Além do incômodo normal que uma inflamação severa na gengiva pode causar, como dores, sangramento e sensibilidade, esse problema bucal ainda pode prejudicar a formação do feto. “Há fortes evidências de que as mães com doença periodontal têm mais chances de ter filhos prematuros (abaixo de 37 semanas de gestação) e com baixo peso (inferiores a 2,5kg) e ainda desenvolver quadros de pré-eclâmpsia”, diz Rosana.

Segundo a especialista, a inflamação pode induzir a hiperirritabilidade da musculatura do útero, provocando contração e dilatação cervical, o que pode ser um gatilho para um parto prematuro.

Ir ao dentista não prejudica o bebê 
Existe uma crença de que alguns tipos de tratamentos bucais durante esse período podem prejudicar a criança. “A gestante pode se submeter a tratamentos odontológicos de forma segura desde que sejam tomados os devidos cuidados com o uso de anestésicos, que as radiografias sejam feitas com a proteção adequada e que, de preferência, tais tratamentos sejam feitos no segundo trimestre de gestação, por ser uma fase mais confortável para a gestante”, diz Rosana.

Para a especialista, as consultas ao dentista devem fazer parte da rotina de exames realizados normalmente no pré-natal. “O profissional irá orientar a futura mamãe quanto aos seus hábitos de higiene oral e dieta, além de indicar, caso necessário, alguns métodos curativos como aplicação de flúor”, diz a especialista.

Fonte: Terra 

Uso do ácido fólico antes e durante a gravidez garante formação do bebê

O ácido fólico – uma vitamina do complexo B, distribuída gratuitamente nos postos de saúde – previne em até 80% os casos de má formação fetal e da espinha bífida

Tomar um comprimido de ácido fólico por dia, 30 dias antes da data em que a mulher planeja engravidar e manter o uso pelos três primeiros meses de gestação impede que o feto nasça com má-formação.

Apesar da medida ser simples e ter distribuição gratuita nos postos de saúde, um estudo realizado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) mostrou que quase 90% das mulheres engravidam sem realizar a suplementação necessária.

De acordo com o presidente da Comissão Especializada em Perinatologia da Febrasgo e idealizador da Campanha ‘Ácido Fólico Já!’, Eduardo Borges Fonseca,  no país, cerca de 3 mil crianças nascem com defeito no tubo neural – que é a estrutura que dará origem ao sistema nervoso central do bebê – incluindo cérebro e coluna.

“Com a suplementação de ácido fólico, ingerida na dosagem e período adequados, é possível reduzir de 70% a 80% esses casos”, afirma o médico.

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Do total de crianças que nascem com defeitos no tubo neural (DTN), 45% apresentam espinha bífida (que é a exposição da medula espinhal), sendo que 60% sobrevivem com sequelas variáveis e 40% morrem no útero.

O levantamento realizado pela Febrasgo mostrou também que do público pesquisado – entre pacientes de planos de saúde e da rede pública – 58% engravidaram sem planejar e só 13,8% receberam orientação e usaram o ácido fólico no período.

“Os dados demonstram que as mulheres não conhecem os efeitos do ácido fólico e não dá para dependermos apenas da alimentação”, diz o médico, lembrando que, em 2002, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a adição de 4,2 mg de ferro e de 150 mg de ácido fólico para cada 100 g de farinha de trigo e de milho.

“No entanto, para que essa quantidade tivesse efeito, as mulheres precisariam comer um bolo por dia, então a suplementação termina sendo a maneira mais viável e eficiente de fazer a reposição”, esclarece Eduardo Borges Fonseca.

Vitamina B

Segundo a farmacêutica e mestre em química Cinara Silva, o ácido fólico é uma vitamina do complexo B, responsável pelo processo de multiplicação das células e presente na formação de proteínas estruturais e da hemoglobina.

“O folato é encontrado naturalmente em hortaliças de cor verde escura, como couve, brócolis e espinafre, mas a biodisponibilidade é alterada no preparo dos alimentos, daí a indicação medicamentosa”, explica.

A farmacêutica ressalta que a carência de ácido fólico é importante fator de risco para os defeitos no tubo neural, porque sua ação ocorre na síntese de DNA e na divisão celular que ocorre durante o desenvolvimento fetal.

O tubo neural é formado logo no primeiro mês da gestação e é o sistema nervoso primitivo do futuro bebê. Por meio do seu desenvolvimento se formarão o cérebro e a medula espinhal.

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Eduardo Borges ressalta que, sem o ácido fólico, o tubo neural não se fecha, gerando má-formações, como o nascimento de crianças com apenas uma parte ou ausência do cérebro (anencefalia), que ocasiona a morte logo após  o nascimento; a espinha bífida, que é a exposição da medula espinhal e que deixa sequelas de graus variados ao longo da vida do bebê.

“Nosso grande desafio está na conscientização e na educação da mulher que não se programa para engravidar, inviabilizando o consumo de ácido fólico no período correto. Por isso, planejamento familiar é essencial e continuará sendo nosso foco”, completa o representante da Febrasgo.

Impacto

O médico também lembra que ausência de suplementação do ácido fólico não gera apenas problemas na fase fetal, pois as má-formações congênitas impactam na vida da família e da sociedade. “Os portadores terminam precisando de acompanhamento profissional prolongado, com comprometimentos para a realização das atividades cotidianas e na inclusão social.

“A melhor maneira de fazer a inclusão social é por meio da prevenção, tendo em vista que os cuidados que essa criança exige são necessários ao longo de toda a vida, por parte da família e dos médicos. Além disso, o custo com a prevenção é consideravelmente menor”.

Caso não seja realizada a prevenção e seja constatada a espinha bífida, existem as cirurgias intrauterinas que reduzem as complicações do bebê, mas o médico ressalta que, apesar de gerar resultados satisfatórios para a criança, esses procedimentos aumentam o risco da mãe durante o período gestacional.

Vale lembrar que o ácido fólico também evita outras alterações na formação do bebê e tem um papel fundamental na prevenção de doenças do coração,  trato urinário e fissura lábio-palatina. Para a mamãe, a vitamina traz benefícios uma vez que afasta o risco de doenças cardíacas, certos tipos de câncer e anemia.

Fonte: Correio 24 Horas

Mulheres que bebem na gravidez podem prejudicar fertilidade dos filhos

Mulheres que bebem durante a gravidez podem prejudicar a fertilidade futura de seus filhos, segundo afirmaram pesquisadores dinamarqueses em conferência da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia.

Em um estudo com quase 350 homens jovens, os níveis de espermatozoides eram um terço menor naqueles cujas mães tinham bebido mais do que quatro doses por semana durante a gestação, em comparação às abstêmias.

De acordo com os pesquisadores, esses homens podem ter mais dificuldade para ter um filho. Especialistas britânicos afirmam que o álcool pode não ser o problema, mas um conjunto de fatores.

O conselho atual é evitar o álcool durante a gravidez, mas aquelas que não o fazem são aconselhadas a não beber mais que uma ou duas doses de álcool, uma ou duas vezes por semana.

O estudo analisou homens, atualmente com idades entre 18 e 21 anos, cujas mães tinham participado de um grande estudo sobre estilo de vida quando estavam grávidas deles.

Os pesquisadores disseram durante a conferência que dividiram os homens em quatro grupos: aqueles cujas mães não beberam nada; os cujas mães bebiam de uma a uma dose e meia por semana; de duas a quatro doses por semana; e mais de quatro doses por semana.

Uma dose foi classificada como uma cerveja, um copo pequeno de vinho ou uma dose de destilado.

Quando os pesquisadores analisaram a quantidade de espermatozoides nas amostras de sêmen dos participantes, descobriram que aqueles com a maior exposição ao álcool no útero tinham concentrações médias de 25 milhões por mililitro em comparação a 40 milhões/ml naqueles cujas mães não beberam álcool.

Após verificarem fatores que poderiam influenciar o esperma, como fumo e histórico médico, eles calcularam que a concentração de esperma média foi 32% menor no grupo com maior consumo de álcool em relação ao grupo abstêmio.

Fonte: Estado de São Paulo