Maconha

Oferta banalizaria o consumo?

Se não é possível controlar o uso de drogas dentro de uma segurança máxima, é possível fazê-lo na sociedade livre?” A questão, levantada pelo advogado e escritor americano Anthony Papa – no filme “Quebrando o Tabu”, de 2012, do diretor Fernando Grostein Andrade –, deixa, no mínimo, uma provocação no ar. Mas as perguntas não param por aí. Quando o assunto é mudar os padrões e decidir pela proibição ou não do consumo e venda de entorpecentes, há muitas dúvidas, resistências e pontos divergentes sobre os impactos que isso teria.

Os que defendem a descriminalização partem do princípio de que substâncias psicoativas são usadas pelos seres humanos desde os primórdios e que pensar um mundo sem drogas é pura utopia. “Toda violência se alimenta da ilegalidade da droga”, afirmou Ludmila Ribeiro, socióloga do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O que tem sido feito para reprimir as drogas é mandar para a cadeia. E por mais que o governo amplie o número de presídios, o sistema permanece sempre com déficit de vagas. Os negros e pobres são os que mais morrem e também os que mais param atrás das grades. “Se houvesse a descriminalização, já seria possível reduzir o encarceramento, mas ainda é pouco. Legalizar (a venda) ajudaria a pensar o problema como um todo, a pensar por que a violência ocorre além do tráfico de drogas”, completa Ludmila. Ela não acredita que a descriminalização levaria a uma geração de “zumbis”, como se teme. “Todos os estudos mostram que não é porque um produto é legal que as pessoas começam a usar”, comentou.

Por outro lado, quem é contra a liberação das drogas defende que a Lei Antidrogas do Brasil já separa usuários de traficantes. “Não há mais prisão para usuário. O que teria que ser feito é pegar a lei que já existe e classificar exatamente as quantidades que diferenciam o consumidor do traficante”, afirmou a presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Ana Cecília Marques.

Para ela, a legalização não acabaria com o tráfico e aumentaria o número de consumidores. “Se liberar todas as drogas, o traficante vai traficar armas, mulheres etc. Estamos falando de produtos psicotrópicos que causam sérios danos. Como vamos descriminalizar as drogas numa sociedade que não tem prevenção, que não sabe nada sobre o tema? O Brasil não está preparado para essa mudança”, disse.

O portal de O Tempo está com a enquete: “Você é a favor da descriminalização das drogas no Brasil?”. Até a tarde de ontem, 54% dos internautas votaram não (mil), contra 46% (844) que responderam sim.

Fonte: O Tempo

Descriminalização da maconha no Brasil: O que a medicina revela sobre o uso da droga

 Segundo novo estudo de Harvard, regiões cerebrais podem ser afetadas até mesmo com o uso esporádico da maconha

 

O debate sobre descriminalização da maconha no Brasil tem ganho destaque nos vários meios de comunicação. Para esclarecer sobre os reais efeitos da maconha, um time de médicos psiquiatras, em Porto Alegre, especialistas em dependência química, entende que, antes de tudo, é necessário reavaliar os malefícios que a droga traz para a saúde do indivíduo.

 

De acordo com o psiquiatra e psicanalista Sérgio de Paula Ramos, os benefícios supostamente percebidos pelas pessoas, com o uso da maconha para fins medicinais, devem ser reavaliados.  “A medicina já comprovou que hoje existem remédios bem mais eficazes para o tratamento de doenças, como os para diminuição de vômitos e abrir o apetite, nos casos de câncer, por exemplo”, destaca o médico.

 

Sobre a descriminalização da maconha no Brasil, Sérgio de Paula Ramos é enfático. “É necessário frisar que quando se tem a liberação do uso da droga, diminui a percepção de risco e se tem um aumento do consumo. Infelizmente, os principais alvos são os adolescentes, que são influenciados com mais facilidade à dependência”, destaca.

 

Tal opinião é compartilhada pelo psiquiatra Carlos Salgado. Segundo ele, é nessa fase, ainda jovem, que o cérebro está em formação e sofre consequências duradouras. “Mesmo com o uso esporádico e baixo consumo, se tem um declínio da produção acadêmica. Hoje sabemos que o cérebro demanda até os 23 anos de idade para se tornar completo. O cérebro imaturo sofre sérios problemas e pode acarretar para indivíduos com história familiar de esquizofrenia, o surgimento da doença mais grave em Psiquiatria”, afirma.

 

Os médicos não se surpreendem com resultados da pesquisa da Escola de Medicina de Harvard, divulgada no dia 16 de abril no periódico The Journal of Neuroscience, que mostrou que o uso esporádico demaconha pode afetar regiões cerebrais relacionadas ao controle das emoções e à motivação. Os resultados sugerem que o uso recreativo da droga pode levar a mudanças cerebrais anteriormente não identificadas e ressaltam a importância da pesquisa voltada para os efeitos no longo prazo para o cérebro do uso baixo ou moderado da droga.

 

É preciso cautela – Em relação ao caso de Katiele Fischer, mãe de uma criança de 5 anos, que teve no início deste mês a aprovação judicial para a importação do remédio com princípio ativo do canabidiol (uma das substâncias derivadas da maconha) para o tratamento da encefalopatia epiléptica da filha, Carlos Salgado e Sérgio de Paula Ramos avaliam como um caso isolado e que isso não se aplica de forma geral. “Não devemos generalizar. A maconha não pode se r vista como uma  solução generalizada para o auxílio no tratamento, ou sua banalização poderá causar sérios prejuízos à vida”, concluem os médicos.

Efeitos_corporais_provocados_pelo_Cannabis