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Falta de médicos é o principal problema do SUS, mostra Ipea

Pesquisa revela: faltam médicos no SUS

Instituto ouviu 2.773 pessoas sobre a percepção dos serviços de saúde.
Em relação aos planos de saúde, preço da mensalidade é o maior problema.

A falta de médicos é o principal problema do Sistema Único de Saúde (SUS), mostra estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgada nesta quarta-feira (9) sobre a percepção da população sobre serviços de saúde. O instituto ouviu 2.773 pessoas de todas as regiões do país entre os dias 3 e 19 de novembro passado.

De acordo com o Ipea, 57,9% dos entrevistados que usaram ou acompanharam familiares para atendimento no sistema público de saúde nos 12 meses anteriores à pesquisa apontaram a falta de médicos como o problema mais grave do SUS. Dentre os que não utilizaram o sistema público, a falta de médicos foi apontada como principal problema por 58,8%.

Para 35,9% das pessoas que utilizaram o SUS, a demora no atendimento é o segundo maior problema da rede pública (32,8% para os que não utilizaram o serviço), seguido da demora para conseguir uma consulta com especialista – 34,9% dos que utilizaram ou acompanharam familiares, contra 28,9% que não utilizaram o sistema público de saúde.

Na outra ponta, os principais pontos positivos do SUS apontados por usuários e não usuários foi a universalidade do atendimento – para mais da metade dos entrevistados (53,2% dos que utilizam o sistema e 50,1% dos que não utilizam), essa é a principal vantagem da rede pública de saúde.

A igualdade no atendimento é apontada como o segundo ponto mais positivo do SUS (48,9% dos que usam o sistema e 43,7% dos que não utilizam), à frente da distribuição gratuita de medicamentos, considerada o terceiro ponto mais positivo para 33,4% dos entrevistados que utilizam o sistema e para 30,1% dos que não utilizam.

Planos de saúde
Dos entrevistados que têm ou tiveram um plano de saúde, a rapidez para a realização de consulta ou exame é apontada como o principal motivo para aderirem à saúde suplementar (40%). O segundo motivo mais apontado para se ter um plano de saúde privado é o fornecimento gratuito do benefício pelo empregador (29,2%).

Os principais problemas relacionados aos planos de saúde são o preço das mensalidades (39,8% das respostas), não haver cobertura para algumas doenças ou procedimentos (35,2%) e o fato de às vezes o plano não pagar o tratamento necessário (21,9%).

Remédio novo no mercado

Resveratrol, extraído da uva, em remédio

 O Biotiva, um suplemento à base de vinho de tinto, mais especificamente, do resveratrol, antioxidante encontrado na casca das uvas e presente no vinho tinto. Dizem que previne câncer, doenças cardiovasculares, diabetes, Alzheimer e é anti-envelhecimento. Especialistas sugerem que estes comprimidos não substituam uma dieta alimentar saudável. Nem a prática regular de exercícios. Em declarações no site DrinksBusiness.com, o médico ingles Alex Barber diz que o comprimido é “uma boa aposta”, já que resveratrol protege dos malefícios das gorduras e das doenças cardiovasculares porque reduz o colesterol e pressão sanguínea. O suplemento, sucesso nos Estados Unidos e Inglaterra, está à venda no site da Biotivia em embalagens de 30 comprimidos. Custa cerca de 30 euros.

Número de leitos cai e fica abaixo do recomendado pelo Ministério da Saúde

O número de leitos para internação no país sofreu uma redução de 2,5% entre 2005 e 2009, confirmando uma tendência de queda verificada desde 1999. Os dados constam da pesquisa “Estatísticas da Saúde – Assistência Médico-Sanitária”, divulgada nesta sexta-feira (19) pelo IBGE. O estudo, no entanto, não considera as vagas de UTI.

De acordo com o IBGE, o total de leitos disponível no país passou de 443,2 mil para 431,9 mil no período. A queda é explicada pelo comportamento do setor privado, que teve uma redução de 5,1% nas vagas. No setor público, foi registrada expansão de 2,6%.

Com o movimento, o número de leitos por mil habitantes passou de 2,4 em 2005 para 2,3 em 2009, ficando abaixo do preconizado pelo Ministério da Saúde. Portaria publicada pelo órgão em 2002 estima em 2,5 a 3 a necessidade de leitos para cada grupo de mil habitantes.

Segundo o IBGE, apenas a região Sul está acima desse parâmetro, com 2,6. O pior resultado foi verificado na região Norte, com 1,8 leitos por mil habitantes, seguida pelo Nordeste, com 2 leitos por mil habitantes.

A pesquisa também revelou discrepâncias regionais no número de postos de trabalho médico. No Norte, foram encontrados 1,9 postos para cada mil habitantes. No Nordeste, já são 2,3, no Sudeste, 4,3, no Sul, 3,4, e no Centro-Oeste, 3,1.

Na média, o Brasil tem 3,3 vagas médicas preenchidas para cada mil habitantes. Entre as capitais, Vitória, com 16,1, e Macapá, com 2,3, estão nos dois extremos.

O dado, porém, não pode ser tomado como uma expressão do número de médicos por habitantes, já que os consultórios particulares não foram incluídos na pesquisa e um mesmo médico pode ocupar mais de um posto de trabalho.

20% dos soropositivos morrem sem diagnóstico

Mesmo garantindo tratamento da Aids gratuito e universal desde meados dos anos 90, o Brasil tem cerca de 20% dos diagnósticos da doença feitos só depois que o paciente morre.

A constatação é da pesquisadora Monica Malta, da Fiocruz, que analisou os 386.209 casos registrados no país entre 1998 e 2008 no total, 141.004 pessoas morreram em decorrência da doença.

“Sem o diagnóstico, essas pessoas deixam de receber o tratamento que poderia fazer com que vivessem mais”, diz.

O estudo, apresentado na 18ª Conferência Internacional de Aids, em julho, é o primeiro com informações nacionais, com base em quatro bancos de dados do governo.

Foram analisados todos os casos confirmados da doença, e não aqueles em que havia apenas infecção pelo HIV em muitos casos, a pessoa tem o vírus, mas ainda não desenvolveu a Aids.

Exames – a análise revelou que 57,8% dos doentes não fizeram exame de carga viral e 48,6% não fizeram exame de CD4 naqueles dez anos.

Quando se consideram só os usuários de drogas injetáveis, as porcentagens são ainda maiores.

Os exames são importantes para a definição do medicamento e para o monitoramento de sua eficácia. Recomenda-se que cada um seja feito três vezes ao ano.

Isso pode significar que essas pessoas não estão se tratando de maneira adequada ou, simplesmente, que não estão se tratando.

Ronaldo Hallal, assessor técnico do Ministério da Saúde, diz que uma possível explicação é o fato de parte dos doentes realizarem esses exames na rede privada. No país, 75% da população não tem plano de saúde e depende do SUS.

O Ministério afirma ainda que uma parcela sem dizer o número só descobre a doença quando já está perto da morte, sem tempo para fazer os exames geralmente os mais pobres e os usuários de drogas injetáveis.

Sobre os 20% que morreram sem o diagnóstico, o Ministério disse que não comentaria pelo fato de a pesquisa não ter sido publicada.

Fonte: jornal Folha de São Paulo

 

Brasil investe mais em pesquisa

O câncer deve dobrar seu impacto no mundo pelos próximos 30 anos, segundo relatório de 2008 da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc) / Organização Mundial da Saúde (OMS). A boa notícia é que a doença começa a ser combatida no Brasil. O investimento nas pesquisas ganhou importância nos últimos 10 anos, refletindo na colocação do país em 15º lugar no ranking mundial de produção científica. Há alguns anos, o Brasil nunca conseguiu colocar-se abaixo do 100º lugar.

A coordenadora de Projetos e Financiamento em Pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Marisa Dreyer Breitenbach, explicou que o investimento específico para o câncer pelo Ministério da Saúde começou em 2005.

A partir daí houve um edital para financiamento de projetos em tumores para 81 pesquisadores, no valor total de R$ 6,1 milhões declarou.

Essa mudança de postura governamental, de acordo com o diretor-geral da instituição, Luiz Antonio Santini, melhorou a partir da administração do atual ministro José Gomes Temporão, em 2007. O objetivo é a unificação dos centros de pesquisa em rede.

Em 2008, após um edital, foram repassados R$ 4,18 milhões para formar redes de pesquisa genômica e proteômica, clínica e epidemiologia clínica, que contemplou 23 grupos.

O fortalecimento dos recursos humanos e dos poucos centros de pesquisa existentes no país, além de maior aplicação de recursos em projetos permitiram o avanço informou.

Câncer no Brasil O Inca calcula que, para os próximos dois anos, surjam 489.270 novos casos no Brasil. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam o crescimento do índice em 5% ao ano e uma previsão de 30 mil mortes em 2020.

Os estudos concentram-se nos cânceres com maior incidência na população brasileira. Nas mulheres, o de mama, colo do útero e colo e reto; e nos homens, o de próstata (com poucos pesquisadores especializados), colo e reto e pulmão.

As parcerias com a UFRJ e a Fiocruz intensificaramse, e projetos com a British Columbia, no Canadá, o Instituto Nacional do Câncer dos EUA e de países da América Latina foram viabilizados, como, por exemplo, a parceria com o Inca na criação de bancos de tumor.

Santini acredita que os resultados poderão ser sentidos a longo prazo, e adianta um prognóstico: Mesmo com recursos insuficientes, o futuro para das pesquisas é promissor.

Fonte: Valor

Universitário é quem mais usa droga e álcool, diz estudo

Uma pesquisa da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) com 18 mil universitários do País comprovou que eles usam mais drogas lícitas e ilícitas, como o álcool e a maconha, que a população em geral. Mais de 60% dos entrevistados tinham consumido álcool nos últimos 30 dias (entre a população em geral o índice é de 38,3%) e 25,9% usaram drogas ilícitas (na população o índice é de 4,5%).

Os pesquisadores esperavam que existisse uma diferença entre os dois públicos, mas se surpreenderam com o tamanho do degrau. O levantamento foi feito em parceria com o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e é o primeiro de abrangência nacional.

Foram entrevistados alunos de cem instituições particulares e públicas de ensino superior nas 26 capitais do País, mais o Distrito Federal. A intenção agora é usar os resultados da pesquisa para a criar políticas específicas contra o uso de drogas. “O governo vem realizando uma série de ações voltadas a populações mais vulneráveis, como é o caso dos universitários”, afirmou a titular da Senad, Paulina Duarte.

Segundo o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, da USP, um dos responsáveis pelo estudo, além da quantidade, os universitários consomem álcool e outras drogas de forma perigosa. “Os jovens estão fazendo uso de múltiplas drogas simultaneamente. Além disso, um em cada quatro bebe de forma exagerada e 3% apresentam padrão de dependência, algo que costumávamos encontrar só em alguém com 40, 50 anos”, diz o médico.

Dos entrevistados, 18% disseram que já dirigiram embriagados, 27% pegaram carona com pessoas embriagadas e 43,4% admitiram ter usado álcool simultaneamente com outras drogas. Das drogas ilícitas, as mais consumidas foram maconha, haxixe ou skunk (26,1% dos universitários já consumiram alguma delas), anfetamínicos (13,8%), tranquilizantes e ansiolíticos sem prescrição médica (12,4%), além de cocaína (7,7%).

Fonte: O Estado de São Paulo

O melhor tratamento médico fica do outro lado da fronteira

A América Latina se transformou em um centro médico de baixo custo para os americanos que, cada vez mais, fazem turismo de saúde, atraídos pela diferença de preços e pela oferta crescente de empresas especializadas.

Para os moradores dos Estados Unidos, extrair o siso pode ser mais doloroso para o bolso do que propriamente dito para a boca. O serviço no país americano custa em torno de US$ 10 mil. Uma viagem pode reduzir esse custo em alguns zeros.

Ingleses e hispânicos que moram nos EUA sabem da diferença e preferem subir em um avião e cruzar a fronteira para receber tratamento médico.

“Temos preparadas limusines para receber no aeroporto de San Diego e os transportar ao hospital”, conta à Agência Efe Jim Arriola, presidente de Sekure, empresa de seguro médico combinado com hospitais e consultas no México e nos EUA em função do preço do tratamento.

A recessão econômica favoreceu o setor e a empresa nos últimos seis meses. Os americanos já dominam 90% das consultas com a empresa pela internet.

“A crise ajudou muito o negócio, não tanto pelos latinos, mas pelos anglo-saxões. Muitos perdem a cobertura de saúde em seu país e optaram por vir ao México. Outros percebem a diferença de preço e decidem atravessar a fronteira”, explica.

No ano passado, 952 mil moradores da Califórnia viajaram ao México para receber algum tratamento médico, dos quais 488 mil eram imigrantes mexicanos, segundo um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Entre as conclusões da pesquisa, identificou-se que o turista de saúde mais comum não é o que tem menos recursos, mas o de classe média, porque o custo da viagem pode ser caro demais para o primeiro.

No México, existem destinos populares como Nuevo Progreso e Matamoros onde é possível fazer uma consulta em um dia e obter prescrições para remédios ou óculos de grau, como indica a Associação Global de Turismo Médico (MTA, na sigla em inglês).

De fato, uma pesquisa do Survey Group de 2009 aponta que entre 80% e 90% dos pacientes de dentistas em povoados da fronteira são americanos.

Além da fronteira, nos últimos três anos, o negócio “começou despertar maior interesse e desde o semestre passado já começa a consolidar-se”, precisa Arriola.

Para isso, foi decisivo o apoio de Governos locais e estaduais e a certificação de qualidade de hospitais, assuntos que serão discutidos em 25 de agosto no primeiro congresso nacional de turismo de saúde do México.

Embora o país vizinho conte com o privilégio da localização para os americanos, outros países lideram o negócio no mundo.

Países da Ásia são fortes concorrentes. Entre 1990 e 2000, a região multiplicou os investimentos de US$ 36 mil para US$ 155 bilhões, conforme um estudo da revista “The Lancet”.

No mundo, a Tailândia é o principal fornecedor de serviços com mais de 1 milhão de pacientes ao ano e receita de US$ 615 milhões, a Costa Rica é um dos destinos mais populares nos Estados Unidos e é o país que sediou o primeiro congresso de turismo de saúde da América Latina em abril passado.

Seus pacotes turísticos podem combinar operações no joelho com uma temporada na praia. Outros procedimentos mais delicados exigem viagens em aeronaves com cuidados médicos especiais.

Clínicas do Brasil, Colômbia e Argentina dominam o turismo de saúde da América Latina dedicado à cosmética e à cirurgia estética, mas também atraem pacientes interessados em cirurgias de coração e angioplastia, de acordo com a MTA.

A razão é o preço. Em alguns casos, as faturas se multiplicam por quase sete vezes: um “by-pass” para o coração nos Estados Unidos pode custar US$ 130 mil e US$ 24 mil na Costa Rica.

Fonte: Agência EFE

No Brasil, jovens e negros são as maiores vítimas da violência

Homens com idade entre 15 e 24 anos, negros e pobres são as maiores vítimas de violência no Brasil. A conclusão consta do estudo Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos Homicídios no Brasil divulgado na terça-feira (30) em São Paulo pelo Instituto Sangari, que analisa dados coletados entre os anos de 1997 e 2007.
Segundo o estudo, em mais de 92% dos casos de homicídio no Brasil as vítimas são homens. Em 2007, por exemplo, para cada mulher vítima de homicídio no país, morreram 12 homens. Neste mesmo ano, faleceram 3.772 mulheres e 43.886 homens.

Os maiores índices de mortes violentas também estão concentrados na população jovem, entre 15 e 24 anos. Só no ano de 2007 mais de 17,4 mil jovens foram assassinados no Brasil, o que representou 36,6% do total ocorrido no país.

O Estado que apresentou o maior crescimento na taxa de assassinatos de jovens entre 1997 e 2007 foi Alagoas, que passou de 170 mortes em 1997 para 763 mortes dez anos depois (crescimento de 348,8%). Por outro lado, São Paulo foi o estado que apresentou a maior queda (-60,6%), passando de 4.682 mortes em 1997 para 1.846 óbitos em 2007.

As maiores vítimas de violência no país também são os negros. Morrem proporcionalmente duas vezes mais negros do que brancos no Brasil. Enquanto o número de vítimas brancas caiu de 18.852 para 14.308 entre os anos de 2002 e 2007, o de negros cresceu de 26.915 para 30.193.
“Temos um personagem das vítimas que coincide no Brasil com quem os vitima. Vítimas e algozes compartilham da mesma estrutura. Quem é esse nosso personagem? É um jovem entre 15 e 24 anos, provavelmente na faixa de 20 a 23 anos, morador de periferia urbana, pobre, de baixo índice educacional, homem, e que, por motivos culturais, fúteis e banais, mata o outro”, explicou o pesquisador e sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, do Instituto Sangari.

Segundo ele, a história de violência no Brasil é demonstrada pela matança de sua juventude e pode ser explicada por um aspecto cultural. “A matança de jovens não é natural porque em metade dos países do mundo a taxa é de menos de um homicídio para cada 100 mil jovens. E nós temos 50. Ou seja, é cultural. Se fosse natural teria que estar em todos os países do mundo”, afirmou.

Para o pesquisador, enquanto não houver uma solução para os problemas do jovem no Brasil, não haverá solução para o problema da violência. E uma dessas soluções, segundo ele, passaria pela educação. “Pela dimensão continental, penso que a nossa estratégia é notadamente educacional. A escola tem um papel muito grande, primeiro porque a própria escola é um foco de violência. E essa violência está, nesse momento, desestimulando os estudos”, disse ele.

Pesquisa Cremesp encontra falhas nos CAPs


Uma pesquisa inédita do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), realizada nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) do Estado e divulgada no dia 23 de março, constatou que faltam psiquiatras, atendimento clínico, pessoal capacitado, supervisão, leitos de retaguarda para internações, inclusive acolhimento noturno e plano terapêutico. A conclusão mais grave do levantamento, no entanto, é que falta às unidades articulação com o resto da rede de saúde.
O estudo foi realizado entre 2008 e 2009, em 85 das 230 unidades do estado, o que representa 40% da rede instalada. Também foram avaliados, 425 prontuários. O roteiro de visita do Cremesp teve como referência o cumprimento da Portaria 336/2002 do Ministério da Saúde, que define as regras para o funcionamento dos Caps. De acordo com o conselheiro do Cremesp e psiquiatra Mauro Aranha, ao longo dos últimos anos o atendimento psiquiátrico no país foi concentrado nos CAPs – o que torna ainda mais relevante os resultados da pesquisa. 

Os CAPs fazem parte do programa de saúde mental do Ministério da Saúde e são administrados em parceria com os municípios. Existem hoje no país 1.467 CAPs. Número considerado pequeno pelos psiquiatras, “uma vez que os transtornos mentais são responsáveis por mais de 12% das incapacitações por doenças em geral”, revela o estudo.

Entre as unidades avaliadas, 42% delas não contavam com retaguarda para internação psiquiátrica; 66,7% não disponibilizam atendimento médico clínico e 16,7% não tinham responsável médico; mesmo entre os que tinham responsável médico, 66,2% dos serviços não possuíam registro no Cremesp, o que é obrigatório. “Ao longo dos últimos anos, o atendimento psiquiátrico foi centrado nos CAPs. Mas eles não podem ser capazes de atender todos os níveis de complexidade”, diz Aranha.

A pesquisa foi divida em cinco partes. A primeira faz uma avaliação dos CAPs no Estado de São Paulo; a segunda explica como foi realizada a pesquisa; a terceira parte mostra os principais achados do estudo, como por exemplo, número de profissionais, a inexistência de acolhimento noturno e atividades comunitárias e a falta de supervisão e capacitação das equipes; a quarta parte é dedicada às conclusão da pesquisa e por fim, as contribuições do Cresmesp para a melhoria dos CAPs, a principal deles é de que é preciso consolidar um modelo da assistência à saúde mental em que se apóia na integração à comunidade.

Pesquisa indica: o amor é cego


Que a paixão e o amor deixam as pessoas sorrindo à toa e meio aéreas todo mundo sabe. Mas cientistas da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, descobriram que esse estado de graça pode ir muito além: o amor torna o cérebro humano incapaz de prestar atenção em pessoas bonitas. Sim, a paixão é mesmo capaz de “cegar”, deixando os olhos do apaixonado insensíveis aos encantos de terceiros

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores mediram a atenção de 113 homens e mulheres que foram expostos a várias fotos de pessoas, algumas reconhecidamente bonitas, outras nem tanto. Antes de olhar para as fotos, porém, parte dos voluntários teve de escrever um pequeno texto falando sobre o amor que sentia por seu parceiro, enquanto os demais fizeram uma redação sobre a felicidade de uma maneira geral.
Em seguida, com os olhos sendo monitorados por uma câmera e um computador, os participantes foram expostos às imagens. Aqueles que haviam escrito sobre o quanto gostavam de seus companheiros tendiam a ignorar as imagens das pessoas mais bonitas. “Seus olhos simplesmente não se fixavam sobre as fotos”, descreveu Maner no trabalho, ressaltando que essa rejeição só ocorreu com as imagens dos mais belos. Quando a foto era de uma pessoa de aparência comum, os apaixonados não desviavam o olhar.
Segundo os cientistas que trabalharam na experiência, essa reação ocorre porque, quando as pessoas pensam em amor, seu neocórtex (capa de neurônios que recobre os lóbulos frontais do cérebro) passa a repelir pessoas muito atraentes, que têm mais chances de fazer essas pessoas traírem seus parceiros. “Pessoas atraentes do sexo oposto evocaram respostas de autoproteção automáticas nos participantes que mantinham relacionamentos heterossexuais com compromisso”, afirmou Maner. Outra observação foi que, entre os homens, esse mecanismo antitraição foi quatro vezes mais forte do que nas mulheres.
Para o psicólogo Aílton Amélio da Silva, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em relações amorosas, esse mecanismo detectado na pesquisa norte-americana é resultado do processo evolutivo e pode ter a função de ajudar os machos da espécie a se manterem monogâmicos.
O pesquisador da USP explica também que o relacionamento amoroso depende de vários mecanismos que restringem a percepção humana. “Ao dedicarmos nossa atenção a uma pessoa com a qual estamos envolvidos, a percepção a respeito das outras pessoas fica prejudicada, diminuída.” É o fato de o apaixonado superestimar o amado e, com isso, imaginar que não conseguirá outra pessoa melhor. Porém, se não fosse essa percepção, toda relação seria muito instável. “A pessoa se envolveria com a outra e continuaria exposta a outros relacionamentos, pulando de galho em galho”, afirma Silva