Viagem Gestante

Atestado médico para gestante viajar: quem assume a responsabilidade?

O período da gestação exige vários cuidados, e quando se trata de viajar, as dúvidas têm sido recorrentes sobre os possíveis riscos de passar algumas horas dentro de um avião. Para esclarecer aos médicos a necessidade de emitir um atestado para que a viagem da gestante não ofereça eventuais problemas de saúde, conversamos com a obstetra da Força Aérea Brasileira, Dra. Ladjane Dantas Bandeira. Confira abaixo o bate-papo com a médica:

– Qual a recomendação para que a gestante possa viajar sem riscos à sua saúde e do feto?

Infelizmente não existe uma recomendação geral.  Cada companhia aérea preconiza um período gestacional para que seja emitido o atestado médico. Mas os cuidados devem ser redobrados a partir das 34/35 semanas de gestação, onde o médico deve informar sobre o risco da viagem. O médico deve orientar a gestante a procurar antes a companhia aérea para saber qual a exigência e, somente depois, caso o pré-natal esteja normal, emitir o atestado.

– Quais os riscos que a gestante corre dentro de um avião?

Se for uma aeronave pressurizada, praticamente nenhum, pois a atmosfera de cabine é semelhante ao da terra. Mas se for uma aeronave despressurizada, no momento do voo a pessoa sente bastante frio e sono. Isso pode provocar na gestante o parto espontâneo, além de eventuais hemorragias, caso haja predisposição para tal ocorrência.

– Como não existem médicos a serviço das companhias aéreas, a tripulação está preparada para atender os passageiros em caso de uma gestante ter o parto na aeronave?

A tripulação têm conhecimento de como agir em uma situação de emergência, mas o preparo para fazer um parto só quem tem é um médico. Essa questão é mais habitual do que se imagina. Há pouco tempo, em um voo doméstico pelo Brasil, a companhia aérea foi obrigada a fazer um pouso forçado em razão do parto de uma mulher. Como sempre, uma pessoa da tripulação perguntou se tinha algum médico entre os passageiros, e eu prestei toda a ajuda necessária. Mas o parto foi quando o avião pousou.

– No caso de uma gestante que tem um parto dentro de aeronave, qual a recomendação de registro da nacionalidade? Em voos internacionais por exemplo, pode ocorrer da gestante ter um parto na divisa de continentes.  Como lidar com a situação?

Nesses casos, apenas quando o avião aterrissar que a criança poderá ser registrada. Isso significa que num eventual voo do Brasil para a África, se o bebê nascer em meio à viagem, quando o avião pousar ela terá que ser registrada no solo onde a aeronave desceu.

Fonte: Febrasgo