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Clínica promove, em Brasília, campanha de Doação de Sêmen: Saiba como participar

 

A infertilidade masculina no Brasil é responsável por 40% dos casos de dificuldades de engravidar, o que faz com que muitas pessoas recorram a um banco de sêmen. A prática da doação de sêmen ainda é pouco conhecida no País e têm refletido no aumento da procura por bancos internacionais, que cresceram, de acordo com a Anvisa, 2.500% entre 2011 e 2016. Mas esse perfil está prestes a mudar. É que a clínica Fertilcare encabeça, em Brasília, a campanha de “Doação de Sêmen” com o objetivo de ajudar a construir famílias.

De acordo com a diretora da Fertilcare, Beatriz de Mattos, o objetivo da campanha é promover a doação do sêmen ao longo do ano, mas o mês de janeiro foi escolhido para incentivar o início de 2018 com a boa ação. “Nos casos de infertilidade masculina mais grave, casais precisam recorrer ao banco de sêmen para realizar o sonho de serem pais. Há ainda mulheres que decidem ser mães independente de um parceiro, e casais de mulheres que precisam do material genético masculino para gerarem seus filhos.  Em todos esses casos, os sêmens dos doadores são essenciais para transformar sonhos em vidas”.

A embriologista explica que para ser um doador de sêmen é preciso ter entre 18 a 50 anos, e o único preparo necessário para coleta do esperma é a abstinência sexual ou de ejaculação de três a sete dias.  Após a coleta, o material é submetido à avaliação seminal, e o doador recebe gratuitamente os resultados de espermograma, doenças sexualmente transmissíveis e exame genético. Depois de seis meses, o doador retornará para realizar novos exames de sangue.

A especialista destaca que a doação é anônima e segue a resolução do Conselho Federal de Medicina e da Anvisa. “As receptoras não terão qualquer informação sobre o doador assim como os doadores não saberão a quem seu sêmen foi destinado. O doador também não terá acesso a esse sêmen no futuro, caso deseje”, esclarece Dra. Beatriz.

A coleta será feita na clínica Fertilcare, que fica na 915 Sul através do agendamento pelo telefone (61) 3248 0101. Logo após a doação, o sêmen é processado em laboratório e os espermatozoides são congelados e somente poderão ser disponibilizados em tratamento de infertilidade após seis meses, quando se tem o resultado da repetição dos exames de sangue. Vale lembrar que a venda de sêmen no Brasil é proibida e o material deve ser adquirido somente por doação.

Para que o material seja usado em técnicas de reprodução humana, Dra. Beatriz de Mattos esclarece que o casal que for adquirir a amostra seminal se comprometerá com os custos dos exames realizados no doador. “O objetivo dessa campanha não é ter fins lucrativos, mas, sim, diminuir o sofrimento daqueles que necessitam desta ajuda na construção da família. Trata-se de um simples ato de amor à vida”, finaliza.

Anvisa libera medicamentos com canabidiol

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a prescrição médica e a importação, por pessoa física, de medicamentos e produtos com canabidiol e tetrahidrocannabinol (THC) em sua formulação, desde que exclusivamente para uso próprio e para tratamento de saúde.

Por meio de nota, a Anvisa destacou que os produtos não foram registrados no país e, portanto, não têm sua segurança e eficácia avaliadas e comprovadas pela vigilância sanitária brasileira. A agência alertou que, por essa razão, os produtos à base de canabidiol e THC podem causar reações adversas inesperadas.

“Muitos desses produtos não são registrados como medicamentos em seus países de origem, não tendo sido, portanto, avaliados por qualquer autoridade sanitária competente. Assim sendo, não é possível garantir a dosagem adequada e a ausência de contaminantes e tampouco prever os possíveis efeitos adversos, o que implica riscos imprevisíveis para a saúde dos pacientes que os utilizarão.”, informou.

Extraído da Cannabis sativa, o canabidiol, conhecido como CBD, é utilizado no combate a convulsões provocadas por diversas enfermidades, entre elas a epilepsia. Em janeiro de 2015, a Anvisa retirou o canabidiol da lista de substâncias proibidas e o classificou como medicamento de uso controlado.

Em seguida, a agência facilitou a importação de medicamentos à base de canabidiol. A norma prevê que o paciente ou seu responsável legal solicite à Anvisa, em formulário próprio, uma autorização excepcional para a importação e utilização do produto, apresentando prescrição médica, laudo médico e declaração de responsabilidade e esclarecimento assinada pelo médico e paciente ou responsável legal.

A decisão da Anvisa foi publicada no Diário Oficial da União.

Fonte: Agência Brasil

Anvisa proíbe 21 drogas comercializadas no Brasil

drogas_ilicitasA Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta terça-feira (18) a proibição do consumo e da comercialização de 21 novas drogas no país, incluindo substâncias alucinógenas que são proibidas em outros países, como os Estados Unidos.

Além disso, duas substâncias entraram para a lista de produtos controlados: o Tapentadol e a Teriflunomida.

Para a Anvisa, “as 21 substâncias são drogas criadas para burlar as listas de drogas ilícitas publicadas no mundo. Nenhuma delas tem utilidade com medicamento, são produtos que simulam efeitos semelhantes ao de outras drogas ilícitas já conhecidas”. Uma das substâncias é a metilona, um alucinógeno sintético estimulante semelhante ao ecstasy. Outra substância que teve o uso proibido foi a metoxetamina, droga recreativa com efeitos estimulantes.

As mudanças estão na atualização da Portaria 344/98, que define as regras para substâncias de controle especial e substâncias proscritas (proibidas) no Brasil. Desde 1999 a Anvisa já realizou 37 atualização da portaria de medicamentos controlados.

Quase metade dos médicos duvida da eficácia dos genéricos

Pesquisa divulgada na terça-feira (23/08) pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) revela que 46% dos médicos ainda têm dúvidas sobre a eficácia e a segurança dos genéricos. Entre os consumidores, porém, o cenário é bem mais favorável: 83% disseram confiar nesse tipo de droga.   Entre abril e junho, foram entrevistados 690 adultos e 119 médicos. Para quase metade dos profissionais, o processo de avaliação e controle de qualidade dos genéricos é menos exigente que o do medicamento de marca. Para 44%, esses remédios sofrem mais falsificações.

Especialistas atribuem o receio à desinformação. “O medo da falsificação mostra o desconhecimento”, afirma Cadri Awad, do Conselho Federal de Farmácia. “Os produtos mais sujeitos à falsificação são os de maior valor agregado e maior apelo, como emagrecedores, anabolizantes e produtos de estética”, diz.

Para Regina Parizi, da Faculdade de Saúde Pública da USP, é fundamental que entidades médica e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizem campanhas para melhorar a imagem dos genéricos. “A indústria de medicamentos de marca tem um marketing agressivo e normalmente tem sucesso ao tentar criar uma relação de desconfiança com o genérico.”

Já Maria Inês Dolci, da Proteste, defende a realização de testes independentes para comparar a eficácia do medicamento de marca com o genérico e dar mais segurança aos prescritores. “Hoje todos os testes são feitos pelo próprio fabricante”, diz.

Ainda maior. Médicos ouvidos pela reportagem avaliam que, na realidade, a desconfiança da classe vai além do apontado na pesquisa. “Dez entre dez colegas meus dizem não ter segurança ao prescrever genéricos”, conta o cirurgião vascular Francisco Osse. Para muitos, o problema seria a matéria-prima inferior.

Norberto Rech, da Anvisa, diz que o receio é infundado. “A qualidade é avaliada no momento do registro e, a cada dois anos, a Anvisa faz inspeções nas fábricas para renovar o certificado de boas práticas de fabricação”.

Rech diz também haver um programa para monitorar a qualidade do medicamento que já está nas farmácias. “Esse programa está sendo remodelado e será ampliado.”

 

Fonte: Estado de São Paulo

Anvisa propõe redução dos teores de iodo no sal

Sal brasileiro possui muito iodo

Proposta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada nesta quinta-feira (7/7), quer reduzir a  quantidade de iodo presente no sal brasileiro. De acordo com a consulta pública no35, da Agência, somente o sal, que possui entre 15 e 45 mg de iodo a cada quilo do produto, será considerado próprio para consumo humano.

Atualmente, o sal comercializado no Brasil deve possuir entre 20 e 60 mg de iodo a cada quilo de produto. “Estamos propondo essa redução a pedido da Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, pois existem indícios de que o consumo excessivo de iodo poder aumentar o número de casos de Tireoidite de Hashimoto”, afirma a diretora da Anvisa, Maria Cecília Brito.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que, nos países em que a população consume em média 10g de sal por dia, a quantidade de iodo a cada quilo de sal esteja entre 20 e 40mg. No Brasil, a última Pesquisa de Orçamentos Domiciliares do Ministério da Saúde, de 2003, apontou que o brasileiro possui, em média, o consumo domiciliar diário de sal de 9,6 g. Esse valor somado ao sal proveniente de alimentos processados e dos alimentos consumidos fora de casa perfazem um consumo de 12g de sal ao dia.

Tireoidite de Hashimoto – De acordo com a OMS, a tireoidite de Hashimoto pode ocorrer quando as pessoas estão expostas ao consumo excessivo de iodo durante cinco a dez anos.  A Organização alerta, ainda, que a ingestão de mais de 300 microgramas (mcg) de iodo por dia pode ocasionar doenças auto-imunes da tireóide.

A tireoidite de Hashimoto é uma doença auto-imune caracterizada pela inflamação da tireóide, causada por um erro no sistema imunológico. Dentre os principais sintomas da doença estão fadiga crônica, cansaço fácil e ganho de peso.

DDI – A iodação do sal é uma medida adotada mundialmente para prevenir Distúrbios por Deficiência de Iodo (DDI). Entre as principais doenças relacionadas à falta de ingestão do iodo estão: retardo mental grave e irreversível e surdo-mudez em crianças, anomalias congênitas e bócio.

As necessidades diárias de iodo variam, em média, de 90 microgramas (mcg), em crianças de 0 a 59 meses, a 150 mcg, em crianças a partir de 12 anos e adultos. Entre gestantes, as necessidades são mais altas e chegam a 250 mcg por dia.

Na década de 90, o Brasil estabeleceu a faixa de iodação do sal entre 40 a 100 mcg de iodo por quilo de produto. Em 2003, essa quantidade foi alterada para os limites atuais.

Pesquisa – Em 2007, a OMS publicou um panorama da nutrição de iodo no mundo. Pesquisa realizada em 130 países, no período de 1994 a 2006, revelou que 31% da população mundial ainda apresentam ingestão insuficiente de iodo.

As Américas tiveram a melhor situação com apenas 11% da população apresentando uma ingestão inadequada de iodo. Já o pior cenário foi encontrado na Europa, onde 52% não ingerem este nutriente na quantidade adequada.

Contribuições – A proposta de Resolução está disponível na íntegra no sítio da Anvisa na internet e as sugestões deverão ser encaminhadas por meio do formulário do FormSUS disponível no endereço http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=6545, ou mediante preenchimento do formulário próprio, com posterior envio por correio para o endereço: Agência Nacional de Vigilância Sanitária/GGALI – SIA Trecho 5, Área Especial 57, Brasília- DF, CEP 71.205-050; ou por Fax: (61) 3462-5315; ou para o e-mail: pro.iodo@anvisa.gov.br.

Fonte: Anvisa

Anvisa recomenda aos brasileiros evitar ingestão de vegetais crus na Alemanha

Em viagem a Alemanha evite vegetais crus

O Ministério da Saúde e a Anvisa divulgaram na sexta-feira, 3, uma nota sobre o surto por bactéria E. coli ocorrido na Europa. Segundo o texto, até o momento não serão adotadas medidas restritivas pela Anvisa. Para os viajantes com destino à Alemanha, porém, o órgão recomenda que evitem consumir vegetais crus, em especial, pepinos, tomates e alfaces, até que a origem do surto seja confirmada.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Brasil não importa os três alimentos atualmente indicados como mais prováveis fontes da contaminação. A Anvisa esclareceu que os alimentos em conserva importados da Europa não estão comumente associados a surtos dessa natureza.

A origem do surto ainda não foi confirmada, mas as autoridades brasileiras afirmaram que estão acompanhando as informações em tempo real.

Remédios com bulas alteradas começam a chegar às farmácias

O lote aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) é composto de 202 medicamentos, entre eles os conhecidos Buscopan, Dramin, Claritin, Cebion e Eparema.

Os fabricantes têm até julho para colocar no mercado suas bulas mais legíveis e didáticas, conforme resolução de 2009, já revisadas e aprovadas pelo órgão.Entre as principais novidades estão as letras maiores e a informação mais simplificada, organizada em forma de perguntas e respostas.A mudança está acontecendo aos poucos, de acordo com Flávia Moreira Cruz, especialista em regulamentação sanitária da Anvisa.

No ano passado, todas as farmacêuticas tiveram que encaminhar à agência os novos impressos. Agora, o órgão analisa os documentos e os libera, em lotes. “Só liberamos 202 até agora. Este mês pretendemos soltar outro lote. Estamos no começo do trabalho. A previsão é terminar em 2012”, diz. As mudanças pretendem corrigir problemas de formato, conteúdo e linguagem. “As bulas que estão no mercado têm vários problemas. Os consumidores reclamavam diretamente à Anvisa. Também reconhecemos que havia uma falha na regulamentação.”

Antes mesmo das novas bulas, já existiam dois tipos de impressos nas farmácias, um que seguia uma resolução de 2003 e outro que seguia uma regra de 1997. “Tínhamos duas regulamentações vigentes, mas quase ninguém seguia a de 2003. Se compararmos com as bulas de 1997, as mudanças de agora serão enormes”, diz Rosana Mastelaro, gerente do Sindusfarma (sindicato da indústria farmacêutica). A resolução atual vale para todos os medicamentos. Só ficam de fora os considerados de baixo risco -água boricada, por exemplo.

MENOS INFORMAÇÃO

A bula para o paciente não terá mais informações técnicas, como o mecanismo de ação da droga. “Estamos tentando simplificar a linguagem técnica, mas isso é difícil. Ainda não será a bula ideal, mas é uma nova postura”, afirma Cruz. A farmacêutica Vera Lúcia Luiza, da Escola Nacional de saúde Pública da Fiocruz, espera que as mudanças sirvam para que os consumidores passem a ler a bula.

“Essa dificuldade de compreensão afasta os leitores. Fora isso, as bulas tinham muita informação repetida e, muitas vezes, em desacordo com a literatura.” As 202 novas bulas já estão disponíveis para consulta em um bulário virtual (anvisa.gov.br/bularioeletronico). Lote de drogas com instruções mais simples é liberado; indústria tem até julho para fazer mudanças. Impressos serão mais didáticos; Anvisa diz que ainda falta muito para que a linguagem seja compreensível

Reuniões da Anvisa serão transmitidas pela internet

Anvisa transmitirá reuniões pela internet

Anvisa transmitirá reuniões pela internet

No próximo dia 10 de março, a reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) será transmitida em tempo real para a sociedade e aberta ao público pelo site www.anvisa.gov.br.. Essa é mais uma ação no setor de saúde para a melhoria de gestão e transparência das ações e políticas públicas do setor, além de aproximar a Anvisa da sociedade. A transmissão inaugural aconteceu no último dia 15, quando quase nove mil internautas acompanharam, a primeira reunião aberta ao público. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a importância do diálogo com a população e do alinhamento entre o Ministério e a Agência.

Registro de Medicamentos – Um dos temas discutidos e aprovados na reunião da Diretoria Colegiada foi o Plano de Trabalho da Anvisa para o Contrato de Gestão da Agência com o Ministério da Saúde. O contrato prevê, por exemplo, a melhoria e redução no prazo de registro de medicamentos, especialmente aqueles prioritários para o SUS. A entrada de novos genéricos no mercado está contribuindo para ampliar o acesso da população aos tratamentos de saúde. Atualmente, a Anvisa dá prioridade ao registro de medicamentos que ainda não contam com a presença de genéricos e que são importantes do ponto de vista da saúde pública. Um exemplo é a recente concessão de registro para os dois primeiros medicamentos genéricos com a substância Tenofovir, utilizada no tratamento de Aids.

No último dia 2 de fevereiro, a Anvisa publicou a resolução que instituiu novas regras para os procedimentos de acompanhamento, instrução e análise dos processos de registro e pós-registro de medicamentos de interesse do SUS, especialmente os resultantes de desenvolvimento ou de transferência de tecnologia viabilizados por parcerias do tipo público-público e público-privada.

Médicos defendem inibidores de apetite em audiência pública

Remédios para emagrecer poderão ter venda proibida

Remédios para emagrecer poderão ter venda proibida

Acabou sem resultado prático a audiência pública para discutir proposta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de tirar do mercado os inibidores de apetite, realizada nesta quarta-feira, (23) em Brasília. A idéia é proibir a venda da sibutramina e dos anorexígenos anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazindol), que hoje é controlada. Isto não só quer dizer que só podem ser vendidos sob prescrição, como também que todo estabelecimento que os vende tem que enviar relatórios para a Anvisa com os nomes do médico e do paciente.

Segundo um relatório técnico feito pelo órgão do governo, a sibutramina aumenta o risco cardiovascular e é pouco efetiva na manutenção da redução do peso a longo prazo. Já os anorexígenos trazem riscos cardiopulmonares e ao sistema nervoso central.

Em ambos os casos, os técnicos da Anvisa – uma equipe formada por médicos e farmacêuticos de diversas formações – consideraram que os riscos superam os benefícios e sugeriram a proibição. Outro argumento utilizado foi o recente banimento dessas substâncias nos EUA e na Europa. A Associação Médica Brasileira é contra essa medida.

Para Ricardo Meireles, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), os remédios não podem ser utilizados como solução para todos os problemas, mas defendeu a utilização em casos específicos. “Indicamos no primeiro momento as intervenções no estilo de vida, mudanças na alimentação, mas nem todas as pessoas conseguem isso com facilidade. São essas pessoas que precisam ser ajudadas e é evidente que a farmacoterapia é uma forma de auxiliá-las”, disse o médico, durante o debate.

A Anfarmag, associação que representa os farmacêuticos de manipulação, também se manifestou contrária à proibição. Maria do Carmo Garcez, presidente da entidade, disse que teme que uma eventual proibição deixe os pacientes sem alternativas e gerem um mercado negro. “O importante é que decisões com consequências tão grandes para a saúde pública não sejam tomadas com tanta pressa”, disse ele.

Para ela, é necessário que o debate continue. “O importante é que decisões com consequências tão grandes para a saúde pública não sejam tomadas com tanta pressa”, afirmou a farmacêutica. Ela falou ainda que “há dúvidas quanto à avaliação feita” pela Anvisa e que a nota técnica apresentada na semana passada tem “inconsistências”.

A Anvisa informou que as propostas colocadas durante a audiência serão levadas em consideração. Será feita uma nova análise técnica antes de se definir pela proibição ou não dos medicamentos. A previsão inicial é de que o próximo parecer seja divulgado no fim de março. Até lá, não haverá alterações nas regras para a venda dos remédios.

Polícia – Durante a audiência, chamou a atenção a presença de policiais federais armados no auditório da Anvisa. Eles estavam fazendo a segurança de Dirceu Barbano, diretor-presidente em exercício da Anvisa, que recebeu ameaças violentas pelo twitter, em função da polêmica sobre a proibição.

Retenção de receita divide médicos

Enquanto a Anvisa faz os últimos ajustes para o lançamento da norma a respeito da obrigatoriedade de retenção das receitas médicas de antibióticos, médicos divergem sobre a validade da resolução. A administração excessiva desse tipo de remédio é o principal fator de risco para o fortalecimento das bactérias.

Pela nova regra, os pacientes receberiam a receita em duas vias: uma delas ficaria retida na farmácia e a outra, com o paciente, indicando que aquele medicamento já foi retirado. A fiscalização seria semelhante a dos remédios de tarja preta.

O infectologista Luis Fernando Aranha Camargo, do Hospital Israelita Albert Einstein, afirma que o uso inadequado de antibióticos é muito comum tanto nos casos de automedicação, como dentro dos próprios hospitais.

“Essa resolução vai ser muito importante para restringir o automedicação e, acredito que deveriam existir também políticas restritivas dentro dos hospitais”, afirma.

Alguns estudos publicados nos últimos anos têm chegado à conclusão de que os tratamentos com antibiótico geralmente têm duração maior do que a necessária. Uma dessas pesquisas – publicada no British Medical Journal em 2006 – concluiu que, em casos de pneumonias severas, a administração do medicamento durante três dias pode ter o mesmo efeito do tratamento de uma semana.

Camargo cita que o uso profilático de antibióticos nos casos de cirurgia, apenas uma dose antes e outra depois do procedimento seriam suficientes. Hoje, é comum que, mesmo sem infecção, o paciente tome antibiótico por até 10 dias. “Reduzir o antibiótico traria benefícios como a redução do custo e a diminuição dos efeitos colaterais e evitaria a seleção das bactérias”, diz.

O médico Antonio Carlos Lopes, professor de Clínica Médica da Unifesp, não concorda com a restrição do uso de antibióticos dentro dos hospitais. Para ele, o principal problema a ser resolvido é a automedicação, que é resultado de um sistema de saúde falido e ineficiente.

“Faltam médicos, por isso as pessoas vão até a farmácia e compram o remédio por conta própria. Bloquear a receita médica na farmácia é assinar o atestado de ineficiência do sistema público de saúde”, afirma. Para Lopes, se o sistema público de saúde fosse mais eficiente, automaticamente as pessoas parariam de se automedicar.

Para o médico Luiz Alberto Bacheschi, presidente do Cremesp, a medida da Anvisa é adequada porque faz com que o paciente tenha que necessariamente se consultar com um médico antes de usar qualquer antibiótico.

“Uma parcela dos médicos pode não estar tão atenta ao problema do excesso de antibióticos, mas o grande problema a ser enfrentado é a automedicação, que é uma questão cultural muito forte no Brasil”.

Fonte: Jornal da Tarde