Centro de Excelência em Endometriose

8 de maio: Dia Nacional da Luta contra a Endometriose

endometrioseDores abdominais durante o período menstrual, dificuldade de engravidar e dor no fundo da vagina na relação sexual. Esses são alguns incômodos da endometriose, doença que, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), atinge de 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva. Para lembrar a necessidade de detecção precoce da doença, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou no mês passado a criação de uma data Nacional da Luta contra a Endometriose, Dia 8 de maio.

Para o obstetra e diretor do Centro de Excelência em Endometriose, Frederico Corrêa, esta é uma oportunidade de promover ações para alertar as mulheres sobre o problema, que pode ser detectado através de um exame clínico, de toque vaginal, e é confirmado por meio do ultrassom transvaginal e, em casos específicos, a ressonância magnética da pelve. “A data vem para reforçar a necessidade da visita regular ao médico, especialmente àquelas mulheres que sentem dores frequentes e não sabem a causa dos maus sintomas”, afirma Dr. Frederico, que atua em Brasília.

O médico esclarece que não se trata apenas do desconforto. O processo inflamatório dificulta a concepção porque provoca aderência entre os órgãos da pelve, complicando a passagem do óvulo pelas trompas, além de promover a liberação de substâncias tóxicas que danificam os óvulos e os espermatozoides. Isso significa que a mulher com endometriose tem dificuldade em engravidar, pois pode haver alterações anatômicas que levam à infertilidade. “Por vezes, é necessário a fertilização in vitro”, completa Dr. Frederico.

Após o diagnóstico da doença, Dr. Frederico Corrêa explica que o tratamento é medicamentoso para minimizar os sintomas, mas a paciente deve submeter a intervenção cirúrgica, para conter a lesão. “A cirurgia é minimamente invasiva. É feita com a videolaparoscopia, mas o grau da intervenção cirúrgica vai depender do tamanho das lesões, por isso deve ser disseminada a detecção precoce da patologia”, diz o especialista.

O Dia Nacional da Luta contra a Endometriose está previsto no Projeto de Lei 6215/13, do deputado Roberto de Lucena (PV-SP). A matéria tramita em caráter conclusivo e ainda será examinada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. “O fato de ter selecionado um dia especifico para lembrar a endometriose é uma forma de levar o conhecimento da doença para toda a população, do leigo até os que trabalham na área da saúde, além da mídia. É uma doença muito mais comum do que se imagina, e é extremamente importante a aprovação da data”, finaliza Dra. Frederico Corrêa.

Fonte: site Endometriose Brasilia – Centro de Excelência em Endometriose

O apoio da família é essencial no tratamento da endometriose

Todo mês, o corpo da mulher se prepara para receber um espermatozoide e fecundar o óvulo para gerar um bebê. O endométrio, tecido que reveste o interior do útero, é o responsável por acolher e nutrir o embrião nos estágios iniciais da gravidez, oferecendo condições necessárias para a implantação e nutrição do óvulo fecundado, até a formação da placenta, para permitir o transporte de nutrientes e oxigênio entre mãe e feto. Porém, quando não há fecundação, toda a camada funcional do endométrio é expelida, dando início ao processo de menstruação.

Estima-se que cerca de 176 milhões de mulheres têm uma afecção onde, em vez de serem expelidas, as células do endométrio migram no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar. Essa disfunção é como doença e chama-se endometriose, caracterizada pela presença do endométrio em outros órgãos da pelve, como as trompas, ovários, intestinos e bexiga.

A endometriose ainda é considerada uma doença enigmática, pois embora tenha sido descrita em 1860, a sua causa e forma de evolução ainda são desconhecidas. A despeito do pouco conhecimento sobre a doença pela sociedade e até mesmo por alguns profissionais da saúde, as mulheres e as famílias das portadoras de endometriose sofrem sem perceber os males que ela ocasiona. A endometriose pode provocar sintomas cíclicos ou agudos bastante comprometedores. Em 70% dos casos, eles iniciam ainda na adolescência com quadro de cólica menstrual intensa muitas vezes incapacitante. A doença também cursa com dor pélvica fora da menstruação, dor na relação sexual além de sintomas intestinais e urinários dependendo da localização e tamanho das lesões de endometriose. Os sintomas são crônicos e tendem a piora progressiva com a evolução da doença, que também pode provocar infertilidade.

O sofrimento contínuo causado pela endometriose faz com que muitas mulheres paguem um preço pessoal incomensurável. Falta às atividades escolares e de lazer, ausência ao trabalho, baixo rendimento profissional, dificuldades conjugais e familiares relacionados aos sintomas físicos e emocionais da doença, comprometem profundamente a qualidade de vida dessas mulheres. Por isso, quando a paciente recebe o diagnóstico de endometriose, é fundamental que ela tenha todo o apoio de sua família.

Para o diretor do Centro de Excelência em Endometriose, Prof. Dr. Frederico Corrêa, a mulher portadora de endometriose precisa ser bem assistida tanto no tratamento da doença quanto no ambiente familiar e de trabalho. “As pacientes com endometriose experimentam dor, frustrações e limites senão de forma cotidiana, em suas dores cíclicas. Por isso, além da necessidade de fazer o tratamento com uma equipe multidisciplinar [composta por cirurgião ginecológico, urologista, proctologista, cirurgião geral especializado em videolaparoscopia, radiologista/ultrassonografista especializado no diagnóstico da endometriose, especialista em reprodução humana assistida, patologista, imunologista, geneticista, especialista em dor, psiquiatra, psicólogo, fisioterapeuta e enfermeiro], é fundamental que a mulher tenha a compreensão de sua condição no ambiente de trabalho, na medida em que precisa superar a dor para cumprir com suas obrigações profissionais, e da família. Isso porque a endometriose poderá comprometer sua vida pessoal, social e sexual, onde ela terá prejudicada, em casos mais extremos, a sua fertilidade”, afirma.

Atividade física e alimentação balanceada são aliadas no enfrentamento da endometriose. Recomenda-se a realização de exercícios físicos pelo menos meia hora todos os dias. O ideal é que a atividade se enquadre dentro do dia a dia de maneira que não seja um transtorno, mas, sim, prazerosa. Já na parte da alimentação, fibras alimentares presentes em frutas, verduras e legumes ajudam a eliminar o excesso de estrogênio – hormônios que podem acentuar a doença. É importante reforçar que em qualquer sintoma de dor fora do habitual e recorrente, é necessária a visita imediata ao médico, pois com o diagnóstico precoce pode-se minimizar o desconforto e ajudar no correto tratamento da doença.

Viva bem sem endometriose

A endometriose é conhecida como “a doença da mulher moderna”. Isso porque com o ritmo de vida acelerado, geralmente com o acúmulo de tarefas, a saúde torna-se debilitada. Elas são filhas, esposas, mães, donas de casa, profissionais, e ainda precisam se preocupar com a aparência.

A corrida diária contra o tempo predispõe o estresse, o que compromete as defesas do organismo. É justamente com a baixa imunidade que a mulher pode sofrer com a endometriose e as que já têm a patologia, podem ter o quadro agravado.

Diante da complexidade de sintomas que variam desde a cólica menstrual intensa, dor na relação sexual, problemas intestinais, até a infertilidade conjugal e depressão, para um tratamento de qualidade da endometriose, é preciso, além de uma equipe clínica multidisciplinar especializada, o comprometimento da mulher com todo o processo.

Quem tem a doença deve desenvolver um estilo de vida mais saudável. Pacientes com endometriose têm tendência a ficarem mais ansiosas e estressadas, e com maior dificuldade em lidar com os problemas.

Como o fator emocional tem grande influência no desenvolvimento da endometriose, a prática regular de exercícios físicos e a alimentação balanceada são aliadas imprescindíveis para a qualidade de vida.

Atividade física 

Exercitar o corpo pelo menos meia hora todos os dias, é o suficiente para que a pessoa não seja considerada sedentária. O ideal é que a atividade se enquadre dentro do dia a dia, de maneira que não um empecilho na rotina, mas, sim, uma aliada. Pode ser caminhada, corrida, bicicleta, academia, dança, ou qualquer atividade que coloque o corpo em movimento.

Alimentação balanceada 

Os benefícios da alimentação saudável e balanceada no tratamento da endometriose são comprovados. As fibras alimentares, presentes em frutas, verduras, legumes ajudam a eliminar o excesso de estrogênio – hormônios que podem acentuar a doença.

Já os alimentos fonte de fitoestrógenos, como a linhaça e a soja, podem modular a produção da enzima aromatase – produzida quando estamos acima do peso e que está ligada a produção de estrogênios. Também é recomendado dar preferência às carnes e laticínios pobres em gordura e aumentar o consumo de proteína vegetal, como os grãos.

Marcha contra a endometriose

dr frederico_endometriose“Milhões de mulheres marchando contra a endometriose”, esse foi o tema da marcha internacional idealizada pelo médico norte-americano Camran Nezhat, que reivindica melhores condições de tratamento para as mulheres portadoras da doença. Encabeçada aqui no Brasil por Carolina Salazar, dona do blog “A Endometriose e Eu”, a marcha aconteceu hoje (13/2) em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, e em outros cinco estados brasileiros: São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Bahia.

“Nós levamos ao Ministério da Saúde reivindicações para um tratamento digno, a introdução da Endometriose na categoria de doenças crônicas, a disponibilização do tratamento pelo Sistema Único de Saúde em todas as capitais do país, descentralizando de São Paulo”, explica Caroline, que já se submeteu à três cirurgias para vencer a doença.

Para o Professor Doutor Frederico Corrêa, diretor do Centro de Excelência em Endometriose, que estava presente no evento, a marcha é de extrema importância pois chama a atenção da sociedade para a doença. “A Endometriose leva até 15 anos para ser diagnosticada, e uma das principais razões disso é que ela é uma doença desconhecida. Muitas mulheres passam a vida inteira convivendo com a dor e nem sequer sabem que isso pode ter cura”, explica.

Ainda pouco conhecida, a Endometriose acomete 176 milhões de mulheres no mundo, e só no Brasil são de 6 a 8 milhões de portadoras da doença.  A doença se caracteriza pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero e, além da reação crônica inflamatória e dor excessiva, é responsável por 40% dos casos de infertilidade no Brasil, ainda que apenas um terço das brasileiras a associe à dificuldade de engravidar, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE).