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Erros médicos matam 15 mil idosos por mês nos hospitais dos Estados Unidos

Erros médicos e outros problemas adversos matam cerca de 15 mil idosos por mês nos hospitais dos Estados Unidos, informaram pesquisadores do governo na última terça-feira.

Cerca de 13,5% dos pacientes cobertos pelo Medicare (o seguro de saúde federal), ou cerca de 134 mil idosos por mês, têm algum tipo de problema adverso – que inclui falhas cirúrgicas, infecções generalizadas em hospitais e pacientes com queda de açúcar no sangue a níveis muito baixos. Até 44% dos casos poderiam ser evitados, segundo a equipe, que avaliou amostras de 780 beneficiários em um hospital, em outubro de 2008.

Os novos números, que totalizam cerca de 180 mil mortes por ano, foram apresentados em um relatório do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA. Esses dados confirmam os resultados de um balanço do Instituto de Medicina divulgado em 2000, que informava que cerca de 98 mil americanos morriam por ano em decorrência de erros médicos.

“A assistência hospitalar associada a eventos adversos e danos temporários custaram ao Medicare cerca de US$ 324 milhões [R$ 557 mi] em outubro de 2008”, conclui o relatório.

O presidente americano, Barack Obama, disse que a reforma no sistema de saúde aprovada em março vai ajudar a reduzir esses erros, com medidas como a expansão do uso de registros médicos eletrônicos.

A União dos Consumidores, que publica a revista Consumer Reports, informou que os pacientes precisam saber quais hospitais têm a maior incidência de erros, para evitá-los.

“Esse relatório mostra que pacientes de hospitais estão sendo prejudicados por erros médicos a uma taxa alarmante. Infelizmente, a maioria dos americanos não têm nenhuma maneira de saber se o hospital está fazendo um bom trabalho, evitando erros médicos”, afirmou em comunicado Lisa McGiffert, que integra a entidade.

O documento recomenda que as duas agências do Departamento de Saúde e Serviços Humanos – a Agência de Pesquisa em Serviços de Saúde e Qualidade e o Centro de Serviços do Medicaid e do Medicare (os dois serviços de saúde pública do país) – deveriam adotar novas medidas para incentivar a notificação de eventos adversos e ampliar essa definição, para que as ocorrências sejam identificadas.

O presidente da Associação Americana de Hospitais, Rich Umbdenstock, disse que os hospitais vão trabalhar para melhorar o trabalho realizado. “Os hospitais já estão engajados em importantes projetos para melhorar o cuidado com os pacientes em muitas das áreas mencionadas no relatório. Estamos comprometidos a tomar medidas adicionais para aprimorar o atendimento”, informou em comunicado.

Fonte: Agência Reuters



ANS quer novo modelo para planos de idosos

O presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Maurício Ceschin, defendeu a adoção de novo cálculo de preço para os planos de saúde de idosos. Ele propõe a discussão de métodos que incluam algum tipo de capitalização durante a juventude, parte do que o cliente paga, financiaria o custo do plano na idade mais avançada.

“Hoje, o custo assistencial é feito por partição simples, o custo é distribuído na própria faixa etária. Mudar o modelo é pensar outra forma de se precificar”, afirma. “Por exemplo, uma parte do que você paga evolui por faixa etária, a outra faixa funcionaria como se fosse um sistema de capitalização.”

Ele criticou ainda o modelo de assistência ao idoso adotado pelas operadoras. “Os modelos de atendimento não são focados nessa população. Não há programas de prevenção ou acompanhamento de patologias crônicas customizados. Novos modelos de gestão têm de ser desenvolvidos especificamente para esse público”, defendeu.

Ceschin é o terceiro presidente da ANS e o primeiro oriundo de operadoras de saúde. Foi superintendente da Medial e presidente da Qualicorp. Chegou à agência em dezembro, sob protesto de entidades de direitos de defesa do consumidor, que chegaram a preparar um abaixo-assinado contra a sua nomeação para diretor de Desenvolvimento Setorial.

Assumiu a presidência da agência em maio, no momento em que a ANS iniciou a discussão de um novo modelo de reajuste dos planos de saúde. A proposta que está sendo discutida é uma alternativa baseada na eficiência dos serviços oferecidos pelos planos empresa com melhor atendimento teria um reajuste maior, em relação àquela que não atingiu o mesmo padrão de eficiência. “Isso é muito difícil de se medir em saúde”, reconhece Ceschin.

Ele defende ainda que sejam levadas em conta diferenças regionais ao se estabelecer o índice de reajuste. “Tem de se considerar a hipótese de o mercado se autorregular”, afirmou, ressaltando que isso só aconteceria em regiões com grande concorrência.

“Um país continental, com 43 milhões de usuários, com situações tão discrepantes, tem São Paulo de um lado, com 60% da população com plano de saúde, e tem Roraima, que tem menos de 3% da população de alguma forma envolvida na saúde suplementar, você pode estar cometendo um erro para mais ou para menos com alguém. Esse é meu conceito”, defendeu.

Nos últimos cinco meses, Ceschin tem se dedicado à retomada da cobrança do ressarcimento ao SUS pelas operadoras de saúde classificada por Fausto Pereira dos Santos, ex-presidente da agência, como uma das “maiores frustrações” de sua gestão. Em 2009, a ANS estava cobrando os custos com procedimentos feitos por pacientes de planos de saúde atendidos na rede pública no segundo trimestre de 2006, quando o ideal é que a diferença seja de um ano. Um mecanismo eletrônico chegou a ser implantado no ano passado, mas a cobrança foi interrompida por falhas no sistema.

“Dediquei-me com afinco a essa questão nos últimos cinco meses. Todo o processo foi revisto. Antes tínhamos apenas 15 pessoas cuidando da cobrança. No último concurso foram contratados mais 89 funcionários para trabalhar exclusivamente para o projeto de ressarcimento.” A cobrança foi retomada em maio. Entre 2001 e 2009, foram arrecadados R$ 495 milhões.

 Fonte: O Estado de São Paulo